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    Lava Jato é realidade que não será afastada por questão conjuntural, diz Fachin

    BRASÍLIA (Reuters) - A Lava Jato é uma realidade que não será afastada por questões conjunturais, disse nesta quarta-feira o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que é o relator dos processos ligados à operação na corte.

    As declarações de Fachin vêm depois de, no domingo, o site Intercept Brasil divulgar supostas mensagens trocadas entre procuradores que atuam na Lava Jato em Curitiba e entre o coordenador da força-tarefa da operação, Deltan Dallagnol e o então juiz responsável pelos processos da operação na capital paranaense, Sergio Moro, hoje ministro da Justiça.

    Nas supostas mensagens, Moro indicaria a Dallagnol pistas a serem seguidas na investigação, assim como cobra pelo tempo em que não ocorrem novas fases, entre outros pontos. O site classifica a troca de mensagens como uma colaboração proibida entre Moro e a força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF).

    'A Lava Jato é uma realidade e não acredito que esta realidade venha a ser afastada por qualquer circunstância conjuntural', disse Fachin a jornalistas no STF em Brasília.

    'A operação trouxe um novo padrão normativo, jurídico, portanto, e também de natureza ética ao Brasil e à administração pública. Tenho confiança plena que isso não é suscetível de qualquer retrocesso', avaliou.

    A divulgação das supostas mensagens pelo Intercept Brasil gerou críticas e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) sugeriu o afastamento de Moro e Dallagnol para que as investigações sejam feitas de forma independente.

    Moro disse que não pode afirmar se as alegadas mensagens são autênticas pois, de acordo com ele, se elas aconteceram, ocorreram há muito tempo. Ele disse também que, pelo que foi divulgado, não viu nada de mais no que teria conversado com Dallagnol.

    O coordenador da Lava Jato no Paraná, por sua vez, negou quaisquer irregularidades e classificou de teoria da conspiração sem base na realidade a ideia de que a operação seria partidária.

    (Reportagem de Ricardo Brito)

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    TRF-4 determina bloqueio de recursos de líder do governo no Senado, MDB e PSB

    BRASÍLIA (Reuters) - O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) determinou a indisponibilidade de 258 milhões de reais em valores e bens do líder do governo Jair Bolsonaro no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), como parte de um bloqueio bilionário de acusados e partidos em ação de improbidade administrativa da Lava Jato, disse o Ministério Público Federal (MPF) nesta sexta-feira.

    O bloqueio foi determinado porque o TRF-4 reconheceu um recurso do MPF e da Petrobras na ação, e tem por objetivo garantir eventual ressarcimento de recursos públicos em caso de condenação ao final do julgamento do processo, disse o MPF do Paraná em comunicado.

    A Justiça Federal de Curitiba, ao cumprir a decisão do tribunal, impôs bloqueios no valor de quase 2 bilhões de reais ao MDB, ao ex-senador pelo partido Valdir Raupp e a outros envolvidos; de 816 milhões de reais ao PSB; e de 258 milhões de reais a Fernando Bezerra, que era do PSB, e ao espólio do ex-candidato a presidente pelo partido e ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, morto em acidente aéreo em 2014, além de outros envolvidos no caso.

    No caso dos partidos, o bloqueio não deve alcançar verbas do fundo partidário --usadas para a manutenção das legendas-- por serem impenhoráveis por lei.

    A ação de improbidade movida pela força-tarefa da operação Lava Jato informou que foram descritos dois esquemas que desviaram verbas da Petrobras, um envolvendo contratos vinculados à diretoria de Abastecimento e outro referente ao pagamento de propina no âmbito da CPI da Petrobras em 2009.

    O MDB afirmou, em nota, que a decisão do TRF-4 de bloqueio de valores do partido não se refere ao MDB Nacional, que não é parte no processo. Segundo a legenda, os diretórios estaduais do partido são financeiramente e judicialmente autônomos, pela legislação.

    Em nota, a defesa do senador diz que as acusações da ação não se sustentam. Segundo a defesa, os mesmos elementos instruíram um inquérito em curso no Supremo Tribunal Federal que foi arquivado ano passado por falta de provas.

    'Além disso, a ação de improbidade administrativa está prescrita em relação ao senador Fernando Bezerra Coelho, circunstância reconhecida pelo próprio MPF na petição inicial', diz a nota.

    'A defesa do senador já ingressou com as medidas jurídicas cabíveis para que sejam reconhecidos os equívocos da decisão monocrática proferida, demonstrando, assim como foi evidenciado no Inquérito 4005, que não existem elementos probatórios capazes de vincular o senador Fernando Bezerra Coelho às acusações de improbidade administrativa da operação Lava Jato', completa.

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    Lava Jato prende executivos do Banco Paulista por suspeita de lavagem de R$328 mi

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Polícia Federal prendeu nesta quarta-feira três executivos do Banco Paulista S.A. em uma nova fase da operação Lava Jato deflagrada para investigar esquema de lavagem de dinheiro que pode ter envolvido recursos no montante de 328 milhões de reais, informaram as autoridades.

    Entre os presos estão o então diretor da área de operações de câmbio e o então diretor-geral da instituição na época dos crimes apurados, entre 2009 e 2015, de acordo com a PF.

    O Ministério Público Federal afirmou que investigações apontaram que o banco foi utilizado para lavagem de ao menos 48 milhões de reais oriundos da empreiteira Odebrecht no âmbito do esquema de corrupção investigado pela Lava Jato.

    Outros repasses suspeitos a empresas aparentemente sem estrutura no valor de 280 milhões de reais também são objeto da apuração, acrescentou o MPF.

    “A área de câmbio do Banco Paulista foi surpreendida hoje com uma operação da Polícia Federal em sua sede. A instituição está colaborando com as autoridades e retomando suas operações regulares', disse em nota o banco, que é mais conhecido por sua corretora, a Socopa.

    Segundo a Polícia Federal, a instituição bancária 'valia-se de posição privilegiada dentro da estrutura financeira do mercado para a viabilização de atividades ilícitas'.

    A PF acrescentou que a operação marca a primeira vez que a Lava Jato cumpre mandados diretamente na sede de um banco.

    “A operação de hoje inicia a responsabilização de agentes que atuaram no mercado financeiro e bancário, e permitiram que milhões de reais fossem lavados e pagos como propina no grande esquema revelado pela Lava Jato', disse o procurador da República Júlio Noronha em comunicado.

    Além dos mandados de prisão contra os executivos do Banco Paulista, a operação também cumpre 41 mandados de busca e apreensão, incluindo na sede da instituição bancária e em empresas que transacionaram com o banco.

    (Por Pedro Fonseca)

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    PF prende ex-diretor da Dersa em 60ª da Lava Jato

    Por Eduardo Simões

    SÃO PAULO (Reuters) - A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira o ex-diretor da Dersa, estatal responsável pelas rodovias paulistas, Paulo Vieira de Souza na 60ª fase da operação Lava Jato, na qual também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao ex-presidente da Dersa e ao ex-ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes Ferreira.

    Segundo o Ministério Público Federal no Paraná, Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto e apontado como operador financeiro do PSDB, atuou na lavagem de dinheiro para abastecer um esquema de propinas existente dentro da empreiteira Odebrecht.

    Ele teria repassado 100 milhões de reais em espécie em 2010 a doleiros que abasteceram o chamado Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, responsável pelo financiamento de campanhas eleitorais e pagamento de propinas a políticos. As investigações apontaram o repasse de propinas a gerentes da Petrobras na mesma época dos repasses aos doleiros.

    'Há risco significativo e iminente, a um só tempo, para a ordem pública e para a aplicação da lei penal, o que torna a prisão de Paulo Preto imprescindível', disse o MPF em nota ao justificar a prisão do ex-diretor da Dersa.

    'De fato, sua custódia é necessária em razão da gravidade concreta dos crimes de lavagem de dinheiro relacionado à corrupção, que envolveram mais de uma centena de milhões de reais, da reiteração e habitualidade na prática de crimes por mais de uma década, na atualidade da lavagem de dinheiro e na sua atuação deliberada para impedir o bloqueio e confisco de valores ilícitos.'

    De acordo com a PF, na operação desta terça, batizada de Ad Infinitum, 46 policiais federais cumprem 12 mandados de busca e apreensão e um de prisão preventiva nas cidades de São Paulo, São José do Rio Preto, Guarujá e Ubatuba.

    As investigações se basearam em depoimentos de colaboradores da Odebrecht e doleiros. A empreiteira, seus executivos e funcionários firmaram acordos de delação premiada com a Justiça, disse a PF.

    De acordo com o Ministério Público Federal em São Paulo, Paulo Preto já é réu em duas ações penais, uma envolvendo as obras do Rodoanel Sul e outra sobre as obras do Sistema Viário de São Paulo.

    Representantes de Paulo Vieira de Souza e de Aloysio Nunes Ferreira, que foi chanceler no governo Michel Temer e atualmente é presidente da Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade, vinculado ao governo do Estado de São Paulo, comandado pelo governador João Doria (PSDB), não foram encontrados para comentar.

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    Lava Jato investiga propina de R$22 mi em contratos da Transpetro com Estre; 3 presos

    Por Pedro Fonseca

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - A força-tarefa da operação Lava Jato deflagrou nova fase da operação, nesta quinta-feira, para cumprir três mandados de prisão como parte de investigação sobre contratos suspeitos da Transpetro, subsidiária da Petrobras, com o Grupo Estre que envolvem pagamentos de propina de ao menos 22 milhões de reais, informou o Ministério Público Federal do Paraná.

    De acordo com o MPF, há suspeitas de irregularidades em 36 contratos fechados pela Transpetro com o Grupo Estre para serviços na área ambiental, reabilitação de dutos e construção naval que totalizam mais de 682 milhões de reais entre 2008 e 2017.

    A Justiça Federal do Paraná expediu 3 mandados de prisão temporária e 15 mandados de busca e apreensão a serem cumpridos em São Paulo contra suspeitos de envolvimento no esquema, que foi revelado pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado em acordo de delação firmado com o MPF.

    Entre os alvos dos mandados de prisão está Wilson Quintella Filho, acionista e ex-presidente de empresas do Grupo Estre, informaram as autoridades. Em nota, a Estre Ambiental informou que vem colaborando com a operação e permanecerá à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários e colaborar com as investigações.

    Segundo o MPF, além dos 22 milhões de reais já identificados como pagamento de propina no âmbito do esquema, a atuação criminosa de Quintella e seu grupo possivelmente alcançou outras áreas, inclusive do sistema Petrobras.

    'O colaborador (Machado) revelou que ajustou com Wilson Quintella o pagamento de propinas de pelo menos 1 por cento dos contratos firmados pelo Grupo Estre (Estre Ambiental, Pollydutos e Estaleiro Rio Tietê) com a estatal', disse o MPF em comunicado.

    Segundo os procuradores, os depoimentos de Machado 'encontraram corroboração em oitivas de testemunhas e em ampla prova documental'.

    A Transpetro informou, em nota, que vem apurando denúncias de irregularidades em contratações da companhia envolvendo as empresas citadas na nova fase da Lava Jato, e que todas as informações obtidas serão encaminhadas ao Ministério Público Federal e demais órgãos competentes.

    'A Transpetro reitera que é vítima nestes processos e presta todo apoio necessário às investigações da Operação Lava Jato', disse a empresa.

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    Procurador-geral do Peru reverte afastamento de procuradores de inquérito da Odebrecht

    LIMA (Reuters) - O procurador-geral do Peru, Pedro Chavarry, reconvocou na quarta-feira dois procuradores destacados que havia afastado do inquérito sobre corrupção envolvendo a Odebrecht, depois que a decisão causou um repúdio generalizado e o presidente Martín Vizcarra ameaçou suspendê-lo.

    Os procuradores Rafael Vela e José Domingo Pérez acertaram um acordo de leniência com a Odebrecht que obrigava a empreiteira brasileira a apresentar provas de cerca de 30 milhões de dólares em propinas que disse ter pago a políticos locais.

    Muitos peruanos os louvam por vê-los como verdadeiros combatentes da corrupção por mirarem políticos notórios, inclusive quatro ex-presidentes e a líder opositora Keiko Fujimori.

    No entanto, na noite de segunda-feira Chavarry anunciou que estava afastando Vela e Pérez do caso por excederem sua autoridade.

    Na quarta-feira, depois de ser alvo de protestos e críticas, Chavarry assinou uma resolução restituindo ambos aos seus postos e dizendo que outros procuradores se recusaram a substituí-los.

    O recuo foi mais uma vitória de Vizcarra, que havia prometido fazer tudo que pudesse para reconduzir os dois procuradores ao caso.

    No início da quarta-feira Vizcarra enviou uma legislação ao Congresso para afastar Chavarry de seu cargo e declarar um estado de emergência na Procuradoria-Geral para reestruturá-la.

    Chavarry negou ter tentado interferir no inquérito sobre a Odebrecht dispensando Pérez e Vela.

    Vizcarra, que assumiu no lugar do ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski, que renunciou no ano passado devido a um escândalo de corrupção, fez do combate à corrupção um dos pilares de seu governo. Seu índice de aprovação superava os 60 por cento no final de 2018, na esteira de reformas para extirpar o nepotismo enraizado que foram aprovadas com grande respaldo em um referendo.

    Vizcarra pediu a renúncia de Chavarry diversas vezes, mas pela Constituição peruana só o Congresso pode afastar o procurador-geral.

    A investigação contra a Odebrecht foi deflagrada pela operação Lava Jato no Brasil e repercute na América Latina, no que procuradores dos Estados Unidos disseram ser o maior esquema de corrupção política já revelado.

    Em 2016 a Odebrecht admitiu ter pago milhões de dólares em propinas a autoridades de uma dúzia de países para obter contratos de obras públicas ao longo de uma década, e se comprometeu a pagar multas de bilhões de dólares.

    (Por Mitra Taj)

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    Petrobras suspende comercialização com gigantes Glencore, Trafigura e Vitol

    Por Marta Nogueira

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras suspendeu a comercialização de combustíveis com as gigantes internacionais do setor Glencore, Trafigura e Vitol, após nova fase da Lava Jato anunciar no início do mês que as empresas são suspeitas de participar de esquema de corrupção envolvendo funcionários da petroleira.

    As três companhias são suspeitas de participar de pagamentos ilegais de 15,3 milhões de dólares, entre 2011 e 2014, segundo o Ministério Público Federal. Há ainda indícios de que o esquema de corrupção continuou além daquele período.

    Nesse contexto, duas denúncias já foram realizadas pelo MPF: uma na semana passada, envolvendo a Trafigura, e outra nesta quinta-feira, envolvendo a Vitol.

    'A companhia suspendeu temporariamente a comercialização de combustíveis com as três, seja para compra ou venda, além de ter notificado as empresas, exigindo esclarecimentos com relação às medidas adotadas', disse a Petrobras à Reuters nesta quinta-feira, em nota.

    Para suprir a ausência de negócios com as três gigantes, a Petrobras explicou que está vendendo para outros compradores e que 'o mercado internacional tem liquidez', mas não apresentou detalhes.

    A Petrobras informou que deseja entender quais as medidas das tradings para investigar irregularidades, rescindir contratos e responsabilizar pessoas físicas e jurídicas implicadas, além de quais são as suas iniciativas de cooperação com as autoridades.

    A companhia reiterou ainda em nota que é reconhecida pelas autoridades como vítima dos atos desvendados pela operação Lava Jato, incluindo esta nova fase envolvendo as tradings, e que seguirá adotando as medidas cabíveis contra empresas e indivíduos que lhe causaram prejuízos.

    A Petrobras disse ainda que já tomou medidas que incluem o desligamento por justa causa dos empregados envolvidos.

    A Vitol afirmou que não iria comentar, mas disse que a empresa sempre irá cooperar com os investigadores. A Glencore também disse que não comentará e a Trafigura não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários.

    NOVA DENÚNCIA

    Na denúncia apresentada nesta quinta-feira, o MPF denunciou 12 pessoas por envolvimento em esquema de corrupção e lavagem de ativos em 20 operações de comercialização de combustíveis entre a Vitol e Petrobras, que teriam envolvido o pagamento de propinas de aproximadamente 2,85 milhões de dólares --mais de 11 milhões de reais.

    'As evidências apontam que as propinas foram pagas pela Vitol com o objetivo de obter facilidades, preços mais vantajosos e operações de trading de óleos combustíveis e derivados de petróleo com maior frequência', afirmou o MPF.

    De acordo com as investigações, para receberem a propina, os funcionários públicos denunciados, ajustados com pessoas de sua confiança, praticaram vários crimes de lavagem de ativos para esconder o dinheiro sujo, mediante abertura de contas no exterior, celebração de contratos de câmbio com justificativa falsa e conversão da propina em imóveis.

    O MPF destacou que as investigações continuam em relação a outras empresas de comercialização e seus executivos, bem como sobre a participação de outros funcionários públicos, no período em que o esquema perdurou, 'em prejuízo da Petrobras'.

    O MPF afirmou ainda que o esquema de corrupção investigado perdurou por pelo menos cinco anos, no contexto de favorecimento da Vitol em operações de trading de óleos combustíveis na Petrobras.

    Questionada, a Petrobras afirmou também que não há qualquer indício ou suspeita de irregularidades quanto a venda de ativos na Nigéria para a Petrovida Holding, que tem como sócios Vitol Investment Partnership II, Africa Oil Corp e Delonex Energy.

    (Por Marta Nogueira)

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    5 M

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    Lava Jato e Petrobras pedem ressarcimento de R$3 bi de MDB, PSB, Queiroz Galvão, Vital Engenharia e políticos

    BRASÍLIA (Reuters) - A Força Tarefa da Lava Jato e a Petrobras entraram nesta terça-feira com uma ação civil pública por improbidade administrativa pedindo o ressarcimento de 3 bilhões de reais contra o PSB e o MDB, além das empresas Queiroz Galvão e a Vital Engenharia Ambiental.

    A ação atinge ainda os senadores Valdir Raupp (MDB-RO) e Fernando Bezerra (PSB-PE), o deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE) e os espólios do ex-senador Sérgio Guerra (PSDB-PE) e do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) —ambos mortos em 2014—, além de pessoas ligadas aos políticos, executivos das empresas e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.

    De acordo com o MP do Paraná, a 1ª Vara Federal de Curitiba deferiu o pedido liminar e determinou já o bloqueio de um precatório de 210 milhões de reais que a construtora Queiroz Galvão estava prestes a receber do Estado de Alagoas.

    Na ação, o MP descreve o funcionamento de dois esquemas de desvios de verbas da Petrobras, um em contratos da diretoria de Abastecimento, especialmente os firmados com a Queiroz Galvão, individualmente ou por intermédio de consórcios, e outro referente ao pagamento de propina no âmbito da CPI da Petrobras em 2009.

    Segundo o MP, um cartel de empreiteiras fraudava as licitações na Petrobras em grandes obras, inflando indevidamente os lucros obtidos.

    “As propinas eram entregues pelos operadores para os executivos da estatal, assim como para os políticos e partidos responsáveis pelo apadrinhamento dos funcionários públicos”, afirmou o Ministério Público Federal em nota.

    Os parlamentares envolvidos teriam sido beneficiados pelo recebimento de propinas e recursos de caixa 2 depois de acordos de seus partidos para apadrinhar nomes para a estatal.

    O senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) afirmou em nota que o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou o prosseguimento de investigações contra ele, por considerar que as afirmações dos delatores não constituem elemento de prova.

    “Como reforça a defesa de Fernando Bezerra --representada pelo advogado André Callegari-- ‘não há suporte mínimo de autoria e materialidade contra o senador e a consequência natural era a rejeição das denúncias pela Suprema Corte do país’”, diz a nota da assessoria de Bezerra.

    Em nota, Raupp afirmou que a doação de 500 mil reais alvo da ação civil pública ajuizada pelo MPF foi feita ao diretório estadual do MDB de Rondônia e não a sua campanha eleitoral, em 2010. O senador ressaltou ainda que 'as doações recebidas foram oficiais, legais, declaradas e aprovadas pela Justiça Eleitoral, conforme determinava à legislação em vigor, a época'.

    Já o MDB afirmou que 'responsabilizar instituições com base em depoimentos enviesados é um risco enorme para nossa estabilidade, ainda mais com uma peça que mais parece um panfleto político eleitoral'. O partido ressalta, em nota, que todos os recursos recebidos como doação 'foram contabilizados e todas as nossas contas foram aprovadas'.

    O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, divulgou comunicado afirmando que o partido recebeu a notícia com surpresa.

    'Afirmamos que as campanhas do PSB sempre foram financiadas de acordo com as normas legais', diz Siqueira.

    Na nota, o presidente do PSB fala que sobre a menção a Campos 'temos confiança plena de que nada haverá de ser comprovado que macule o nome e a honra de um homem público com tantos e tão relevantes serviços prestados a Pernambuco e ao Brasil'.

    (Reportagem de Lisandra Paraguassu; reportagem adicional de Maria Carolina Marcello)

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    ESPECIAL-Multinacionais de trading de petróleo entram na mira da Lava Jato

    Por Brad Brooks e Julia Payne

    SÃO PAULO/LONDRES (Reuters) - A operação Lava Jato já atingiu presidentes e empresários de ponta e levou à assinatura do maior acordo de leniência da história, mas alegações de corrupção apresentadas por procuradores na semana passada contra quatro das maiores companhias de comércio de petróleo do mundo inauguram uma nova e explosiva fase na longa investigação.

    Os novos alvos dos investigadores são as tradings Vitol, Trafigura, Glencore e Mercuria Energy Group.

    Procuradores do Ministério Público Federal alegam que as multinacionais europeias pagaram coletivamente mais de 31 milhões de dólares em propinas durante um período de seis anos para funcionários da Petrobras para vender petróleo a preços manipulados.

    Segundo os procuradores, executivos de altas patentes das empresas tinham conhecimento 'total e inequívoco' dos prejuízos causados à Petrobras, e as atividades ilícitas ainda podem estar acontecendo.

    Mais de 600 páginas de documentos legais revisados pela Reuters retratam o que os procuradores descrevem como uma movimentada organização criminosa abastecida pela criatividade, competição e cobiça. Autoridades dizem que as empresas contrataram intermediários freelancers para fazer pagamento aos funcionários da Petrobras, direcionando os valores ilícitos através de contas bancárias internacionais para cobrir os rastros.

    E-mails obtidos pelos investigadores mostram os intermediários correndo para aumentar seus contatos dentro da Petrobras, segundo as autoridades. Alguns compartilharam planilhas separando até os últimos centavos a sua fração dos espólios de acordos que eles supostamente fecharam com funcionários corruptos da Petrobras.

    Procuradores dizem que as mensagens também mostram que círculos de intermediários sabiam uns dos outros e batalharam ferozmente para favorecer as grandes empresas de comércio de petróleo. Alguns discutiram suas tentativas de cortejar executivos com promessas de entregar acordos mais sombrios e lucros mais expressivos para os rivais.

    Um intermediário se queixou que a Vitol não era 'nada sentimental' e escolheria quem quer que a garantisse os maiores retornos.

    'Agora você é o sucesso do momento, e no mês que vem há um novo sucesso', lamentou o intermediário no e-mail.

    Agentes da Polícia Federal fizeram buscas na semana passada nos escritórios no Brasil da Mercuria, Vitol, Trafigura e Glencore, assim como outras entidades que supostamente participaram do esquema. Nenhuma acusação foi formalizada.

    A Mercuria nega qualquer irregularidade e disse que irá cooperar com as autoridades. Vitol, Trafigura e Glencore dizem que estão cooperando com as autoridades. A Petrobras disse que já estava colaborando com as autoridades e afirma que se vê como uma vítima da corrupção.

    Foram emitidos mandados de prisão contra 11 pessoas, incluindo um empregado da Petrobras, baseado em Houston, que foi demitido pela empresa logo depois por conta de 'fortes evidências' de envolvimento em irregularidades, disse a companhia em nota. Foram presas oito pessoas no total.

    Alertas da Interpol foram emitidos para três homens que estão foragidos da Justiça do Brasil, incluindo o trader da Petrobras baseado em Houston. Nenhum deles foi preso.

    'HÁ PROVAS'

    As empresas europeias --a Vitol tem sede em Londres, e as outras três na Suíça-- são potências no trading de commodities. Elas possuem investimentos em energia estratégica e infraestrutura de commodities pelo mundo, incluindo no Brasil. Juntas elas controlam cerca de 10 por cento do consumo diário de petróleo e têm receitas maiores que o PIB da Argentina.

    Como parte do decisão judicial que autorizou as prisões e mandados de busca na semana passada, a juíza federal Gabriela Hardt escreveu que 'há provas' de que as companhias e seus afiliados 'pagariam comissões a intermediadores nas operações de compra e venda de combustíveis com a Petrobras, em benefício das empresas e em detrimento da estatal'.

    O risco é grande para as empresas. A investigação poderia prejudicar seus negócios atuais e futuros no Brasil. Um consórcio liderado pela Vitol tem um acordo de 1,5 bilhão de dólares ainda não confirmado para comprar a participação da Petrobras em campos de petróleo na Nigéria.

    As empresas também podem chegar a ver o fim de empréstimos se as acusações de corrupção forem procedentes, de acordo com um executivo sênior de um grande banco global que pediu para não ser identificado. Desde a crise financeira de 2008, grandes bancos enfrentam cada vez mais o rigor dos reguladores para reprimir lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros.

    Os novos desenvolvimentos também sinalizam que a Lava Jato está longe de acabar. Iniciada em 2014 para investigar corrupção em contratos na Petrobras, a operação já derrubou dezenas de figuras poderosas, incluindo ex-presidentes do Brasil e do Peru. A Odebrecht, maior empreiteira da América Latina, assinou um acordo com os procuradores para pagar pelo menos 3,5 bilhões de dólares por seu papel em um gigantesco esquema de propinas por contratos.

    Empresas estrangeiras agora estão na linha de frente de investigação, disse o procurador Athayde Ribeiro Costa, que dirige a última fase da investigação.

    'As investigações avançam e creio que todas as empresas estrangeiras que fizeram negócio com a Petrobras nos últimos 15 anos devem proceder a rigorosa investigação interna para terem confiança na sua não exposição na Lava Jato', disse Costa à Reuters.

    Ele disse que diversas companhias de petróleo estrangeiras já haviam abordado procuradores brasileiros para sondá-los sobre acordos de leniência. Costa não revelou os nomes das empresas.

    'Os acordos de colaboração e leniência pressupõem expansão da investigação. A Lava Jato já foi procurada por empresas e pessoas físicas. Não serão admitidos acordos com contenção de danos e não há espaço para todos os interessados. Os primeiros realmente tem uma oportunidade, já os demais deverão pagar exemplarmente', afirmou.

    Parte da classe política brasileira manobra para acalmar a investigação que consumiu o país e paralisou setores importantes da economia, mas o presidente eleito Jair Bolsonaro escolheu o ex-juiz da Lava Jato Sérgio Moro para ser o próximo Ministro da Justiça e Segurança Pública.

    'A Lava Jato já significou uma brutal transformação na cultura de negócios do Brasil. A tendência é mesmo não parar', disse Carlos Melo, cientista político do Insper, importante escola de administração e negócios.

    'Juízes e Ministério Público estão empoderados, com a opinião pública a seu favor, ao mesmo tempo em que seus adversários estão acuados', acrescentou.

    'CONSCIENTE E VOLUNTÁRIO'

    Costa disse que a natureza das unidades de refino e fornecimento da Petrobras, onde a corrupção envolvendo as tradings internacionais teria acontecido, fizeram um terreno fértil para as tramas ilegais.

    Operadores nos escritórios remotos da empresa podiam fazer grandes compras ou vendas sem aprovação de executivos da Petrobras, afirmou. Como a corrupção alegada envolvia a mudança de meros centavos sobre litros, Costa disse que também era muito fácil esconder os crimes de qualquer supervisão, mas há um potencial imenso para ganhos ilícitos dado o grande volume do produto envolvido.

    Autoridades brasileiras alegam que funcionários da Petrobras participando do esquema compravam petróleo dos traders a preços acima dos praticados pelo mercado e vendiam seus próprios produtos e arrendavam espaços de armazenamento a preços mais baixos. Isso permitia que intermediários conseguissem tirar uma parte do spread conseguido e que as empresas privadas pagassem menos e ganhassem mais contratos, tudo às custas da Petrobras, disseram autoridades.

    Procuradores dizem que Trafigura, Vitol, Glencore e Mercuria utilizavam intermediários além de seus próprios representantes para executar os acordos corruptos com funcionários da Petrobras. As autoridades alegam que os fundos ilícitos passavam por contas nos Estados Unidos, Reino Unido, Suécia, Suíça e Uruguai, entre outros países.

    Uma figura central, segundo as autoridades, era o sueco Bo Hans Wilhelm Ljungberg, um corretor independente de petróleo que operava do Rio de Janeiro. Segundo os procuradores ele seria um agente importante que garantia contratos para a Vitol e outras firmas ao direcionar propinas para operadores da Petrobras, especialmente para um em Houston, nos Estados Unidos. Ele já enfrenta uma acusação de corrupção em um caso separado na Lava Jato.

    Um alerta da Interpol foi emitido por Ljungberg, que, segundo acreditam os procuradores, teria retornado à Suécia. Ele não respondeu mensagens enviadas a seu e-mail incluído em documentos legais, e nem a mensagens enviadas às suas contas em redes sociais.

    Os procuradores alegam que a Vitol pagou pouco mais de 5 milhões de dólares para entidades de trading offshore, das quais Ljungberg era co-proprietário, chamadas Encom Trading SA e Celixore AB, para assegurar acordos com a Petrobras entre 2011 e 2014. Procuradores mostraram à Reuters transferências bancárias de contas dessas empresas.

    A decisão da juíza Gabriela Hardt diz que um dos principais executivos da Vitol, Mike Loya, diretor da empresa nos Estados Unidos, se valeu 'de modo consciente e voluntário' das ações de Ljungberg para garantir contratos para a Vitol através de propinas, baseado em e-mails que indicavam que ele havia falado com o sueco sobre o esquema.

    Loya não respondeu aos pedidos por comentários enviados ao seu e-mail e redes sociais. Ele não foi disponibilizado para entrevista pela Vitol.

    No caso da Trafigura, procuradores dizem que a companhia utilizou seus próprios executivos para subornar empregados da Petrobras.

    A ordem judicial alega que Mariano Marcondes Ferraz, um ex-executivo da Trafigura, e Márcio Pinto Magalhães, um representante local no país, direcionavam propinas para empregados da Petrobras entre meados de 2009 e setembro de 2014.

    Os advogados de Ferraz e Magalhães não responderam aos pedidos por comentários.

    Ferraz já cumpre 10 anos de pena no Brasil por ter subornado um ex-gerente de refinarias da Petrobras em nome de sua própria empresa, a Decal do Brasil. Ele foi preso no final de 2016 e se demitiu da Trafigura.

    Procuradores alegam que Magalhães também está envolvido em subornos para outras empresas, incluindo uma subsidiária da Glencore, a Chemoil. Além dos pagamentos de Magalhães, subsidiárias da Glencore pagaram 4 milhões de dólares para outros intermediários que supostamente subornaram funcionários da Petrobras, segundo a decisão da juíza.

    Procuradores dizem saber menos sobre os acordos da Mercuria com a Petrobras. Eles disseram ter identificado transações suspeitas entre representantes da empresa no Brasil e intermediários para mediar acordos ilícitos.

    (Reportagem adicional de Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro)

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    Brasil emite alerta da Interpol por funcionário da Petrobras de Houston em nova fase da Lava Jato

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - Um funcionário da Petrobras que participou de suposto esquema de corrupção envolvendo gigantes de comercialização de combustíveis permanece na mesma função em escritório da petroleira em Houston, nos EUA, e foi emitido alerta vermelho da Interpol, disse a jornalistas nesta quarta-feira o delegado Filipe Pace, da Polícia Federal.

    Em uma nova fase da operação da Lava Jato, o Ministério Público Federal informou nesta quarta-feira que as companhias Vitol, Trafigura, Glencore e outras são suspeitas de pagamento de propina a funcionários da Petrobras em um esquema na área de trading da brasileira com pagamentos ilegais de 31 milhões de dólares.

    Há suspeitas de que as três gigantes internacionais efetuaram pagamentos de propinas para intermediários e funcionários da Petrobras entre 2011 e 2014 nos montantes, respectivamente, de 5,1 milhões de dólares, 6,1 milhões de dólares e 4,1 milhões de dólares relacionados a mais de 160 operações de compra e venda de derivados de petróleo e aluguel de tanques para estocagem.

    Durante coletiva de imprensa, a procuradora Jerusa Burmann Viecili, integrante da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, pontuou que o suposto esquema de corrupção pode continuar existindo, uma vez que intermediários identificados têm visitas recentes registradas em prédio da empresa no Brasil.

    Além do funcionário de Houston, segundo o delegado, há um outro da ativa suspeito que trabalha na petroleira no Rio de Janeiro.

    De acordo com o delegado, há farta documentação nos autos de que executivos de Trafigura e Vitol participavam de esquema de propinas na Petrobras.

    (Por Pedro Fonseca)

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