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    CEO afastado da Vale é alvo de operação da PF por caso Brumadinho

    Por Marta Nogueira

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Polícia Federal cumpriu na manhã desta terça-feira mandados judiciais de busca e apreensão no curso de investigações relacionadas ao rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG), e um dos alvos da operação foi a residência do presidente afastado da companhia, Fabio Schvartsman, segundo informou uma fonte com conhecimento da situação.

    A ação da PF cumpriu cinco mandados em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, relacionados ao desastre ocorrido ao final de janeiro, disse uma fonte da PF.

    Segundo essa fonte, todos os mandados foram expedidos pela 9ª Vara da Justiça Federal em Belo Horizonte (MG). As medidas visam apreender documentos, mídias e outros elementos que guardem relação à tragédia, afirmou.

    Da casa de Schvartsman, em São Paulo, foram levados documentos institucionais e computador.

    Schvartsman está afastado da presidência da maior produtora global de minério de ferro há mais de um mês, após o Conselho de Administração da empresa acatar recomendação de autoridades, incluindo o Ministério Público Federal (MPF), em meio às investigações do ocorrido. [nL1N20V1BP]

    Procurada, a assessoria de imprensa da PF não confirmou de imediato a operação.

    A Vale, por sua vez, disse em nota que, juntamente com seus empregados, tem apresentado, desde o momento do rompimento da barragem, 'todos os documentos e informações solicitados voluntariamente e, como maior interessada na apuração dos fatos, continuará contribuindo com as investigações'.

    O rompimento da barragem de Brumadinho, que continha mais de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos da atividade de beneficiamento de minério de ferro, atingiu área administrativa da Vale, refeitório, além de mata, vegetação e rios da região, incluindo o importante rio Paraopeba.

    Dados mais recentes da Defesa Civil apontam 229 mortos e 48 desaparecidos com o desastre.

    (Com reportagem adicional de Leonardo Benassatto e José Roberto Gomes)

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    Operação 'E o Vento Levou' vê desvio de R$40 mi da Cemig por meio da Renova

    Por Luciano Costa

    SÃO PAULO (Reuters) - A Polícia Federal, a Receita Federal e o Ministério Público Federal promoveram nesta quinta-feira a operação 'E o Vento Levou', para apurar possível desvio de 40 milhões de reais da estatal mineira Cemig por meio de contratos superfaturados e falsos de sua controlada Renova Energia.

    Além disso, outros contratos da empresa de energia limpa no valor de cerca de 200 milhões de reais ainda estão sob investigação, segundo as autoridades.

    O delegado da PF Victor Hugo Rodrigues Alves disse, em entrevista a jornalistas em São Paulo, que os indícios apontam para um esquema que teria envolvido um contrato superfaturado com a desenvolvedora de projetos eólicos Casa dos Ventos pela compra do chamado 'projeto Zeus', com os recursos desviados passando por cinco camadas de lavagem de dinheiro até chegarem aos possíveis destinatários finais.

    As investigações contaram com a colaboração de um executivo da Casa dos Ventos, um da Renova e um de uma empresa que teria sido utilizada para movimentar os recursos, a Barcelona Capital, acrescentou o delegado.

    'Até o momento, o que sabemos é que os repasses eram determinados por executivos da Cemig, da Codemig (empresa do Estado que atua na realização de obras) e da Andrade Gutierrez --dois na Andrade, um na Codemig e um na Cemig', afirmou o procurador da República Vicente Mandetta.

    As ações da Cemig caíam cerca de 2 por cento, por volta das 15h, enquanto as units da Renova recuavam 4,6 por cento.

    A operação chegou a pedir sem sucesso a prisão temporária de pessoas, incluindo o ex-presidente da Cemig Djalma Bastos de Morais e um dos fundadores da Renova, Renato do Amaral Figueiredo, segundo documento obtido pela Reuters com uma fonte a par das investigações.

    O procurador Mandetta afirmou que a operação nesta quinta-feira envolveu ações de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, incluindo a sede da Cemig, e que foram feitos seis pedidos de prisão temporária pela polícia, com manifestação favorável do MPF para três deles, embora nenhum tenha sido deferido. Ele não citou nomes.

    'Quando os valores chegavam na última camada de lavagem de dinheiro, eles chegavam em uma empresa em que haviam sido detectadas operações de câmbio fraudulentas. Isso também está sob investigação, há uma suspeita aí de que, além da geração de valores em espécie para distribuição aos beneficiários, possa ter havido dinheiro evadido ao exterior', afirmou ele.

    De acordo com as autoridades, as investigações entendem que os valores desviados da Renova seriam decorrentes de um aporte de recursos da Cemig na empresa, configurando recurso público, uma vez que a elétrica mineira é controlada pelo governo do Estado.

    Segundo a polícia, o desvio teria acontecido por meio de um contrato de compra do 'projeto Zeus' junto à Casa dos Ventos, que teria a sido superfaturado em 40 milhões de reais, gerando um recurso extra que trafegou por empresas de fachada até ser transformado em dinheiro em espécie.

    A Reuters havia publicado em maio do ano passado que a Polícia Civil de Minas Gerais investigava supostos desvios de recursos da Renova no 'projeto Zeus', com informação de uma fonte.

    As investigações da PF teriam apontado ainda que, dos 40 milhões desviados, até 15 milhões de reais teriam sido usados para bancar comissões para os operadores financeiros envolvidos e até para pagamentos de tributos, como forma de dar aparência de licitude às transações.

    Segundo a PF, alguns contratos da Renova com outras empresas ainda são alvo de apuração por terem características similares aos envolvidos nos desvios identificados.

    'São contratos no valor de 200 milhões de reais com outras empresas. As características são muito semelhantes', disse o delegado Rodrigues Alves.

    A Cemig é uma das proprietárias da Renova junto à sua controlada Light e aos fundadores da empresa, por meio da holding RR Participações.

    A Casa dos Ventos disse em nota que nem ela nem seus executivos foram alvo de busca e apreensão, acrescentando que 'por iniciativa própria, já vem colaborando com as autoridades na apuração dos fatos, ocorridos há cinco anos'.

    A Cemig afirmou que 'está em total colaboração com as autoridades e que também tem interesse na rápida evolução dessas investigações'.

    A Renova disse em comunicado que 'prestará todas informações necessárias para auxiliar os trabalhos da PF e do Poder Judiciário'. Não foi possível falar de imediato com representantes da Andrade Gutierrez.

    Já o 'projeto Zeus', origem dos desvios, seria um conjunto de parques eólicos com 676 megawatts em capacidade na Bahia, mas nunca saiu do papel. Em 2016, a Renova descartou de vez a implantação das usinas, tendo no ano seguinte realizado uma baixa contábil de 181 milhões de reais por aportes já realizados no empreendimento.

    DELAÇÕES

    Segundo o inquérito policial, as autoridades investigavam uma empresa que operaria com lavagem de dinheiro, o Grupo Claro, quando encontraram a Casa dos Ventos entre seus clientes.

    Após intimação, a Casa dos Ventos teria reconhecido ter feito pagamento à Claro sem efetiva prestação de serviços, e um dos diretores da empresa de energia eólica, Clécio Eloy, acabou por apresentar proposta de delação premiada.

    Posteriormente, também colaboraram com as investigações o ex-diretor jurídico da Renova, Ricardo Assaf, e o operador Francisco Vila.

    Segundo as autoridades, a movimentação para os desvios começou logo após um aporte bilionário de recursos da Cemig na Renova, por meio da qual a empresa mineira passou a ser uma das controladoras da companhia de energia limpa.

    'Quando ocorre o aporte da capital na Renova, os acionistas e diretores da empresa começam a ser insistentemente cobrados e pressionados pelos executivos da Andrade Gutierrez e da Cemig para escoarem o dinheiro pago como sobrepreço no projeto Zeus/Tombador o quanto antes', afirma o relatório da PF.

    Em sua delação, Assaf disse que tratava dos desvios junto ao então presidente da Cemig, Djalma Morais, e com os sócios da Renova Ricardo Delneri e Renato Amaral e o ex-CEO da empresa Mathias Becker, além de um executivo da Andrade Gutierrez Saulo Alves Ferreira.

    Não foi possível entrar em contato de imediato com os executivos citados.

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    Presidente do PP é alvo de operação em caso sobre corrupção e lavagem de dinheiro

    Por Eduardo Simões

    SÃO PAULO (Reuters) - A Polícia Federal cumpre nesta sexta-feira mandados de busca e apreensão pedidos pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, em endereços ligados ao presidente do PP, senador Ciro Nogueira, informou a Procuradoria-Geral da República.

    De acordo com a PGR, as buscas foram autorizadas pela ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), e estão sendo realizadas nos endereços de duas pessoas e na sede das duas empresas ligadas ao parlamentar. Elas visam apurar possível lavagem de dinheiro e crimes contra a administração pública.

    'A investigação tem como partida colaborações premiadas de executivos do grupo J&F. Em depoimentos, os colaboradores narraram a compra de apoio político a partidos por meio do político', afirmou a PGR em nota, referindo-se à holding que controla o frigorífico JBS.

    'No pedido enviado ao Supremo, a PGR explica que, segundo investigações preliminares, parte da propina paga ao partido do parlamentar foi viabilizada por meio de doações oficiais --simuladas-- e outra parte no valor de 5 milhões de reais foi paga em espécie por meio de uma pessoa ligada ao senador. No total, teriam sido pagos 42 milhões de reais em propina.'

    Também em nota, a Polícia Federal confirmou a informação, sem citar Ciro Nogueira nominalmente, e disse que o inquérito apura possíveis crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

    A operação, batizada de Compensação, mobiliza cerca de 30 policiais federais que cumprem sete mandados de busca e apreensão em Brasília, São Paulo e Teresina. De acordo com a PF, também há intimações para depoimento dos envolvidos.

    Em nota, o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que representa Nogueira, disse que as buscas realizadas nesta sexta-feira apenas voltaram a apreender o que já havia sido apreendido e restituído em uma operação anterior.

    'A defesa do senador Ciro Nogueira vem denunciar, mais uma vez, o direito penal do espetáculo. O que está sendo apreendido nesta busca e apreensão é o que foi recentemente restituído pelo Supremo Tribunal em virtude de outra operação que não resultou em ação penal, o Supremo rejeitou a denúncia, pois baseada tão somente na palavra de outro delator', disse o advogado.

    'Tal constrangimento poderia ser evitado com a simples intimação do senador para prestar esclarecimento pois, é evidente, este sempre se colocou à disposição do Poder Judiciário.'

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    PF cumpre 54 mandados de prisão, apreende aviões e sequestra fazendas em operação contra narcotráfico

    (Reuters) - A Polícia Federal cumpre nesta quinta-feira 54 mandados de prisão além de apreensão de 47 aeronaves e o sequestro de 13 fazendas com mais de 10 mil cabeças de gado em uma operação para desarticular uma vasta rede de narcotráfico especializada em remessas aéreas para o Brasil, os Estados Unidos e a Europa, informou a corporação em nota.

    Segundo a PF, a investigação, que teve início há dois anos, apontou que a quadrilha transportou mais de 9 toneladas de cocaína em, no mínimo, 23 voos que carregavam uma média de 400 quilos da droga por viagem entre meados de 2017 e 2018.

    'Mais de 400 policiais federais dão cumprimento aos mandados. A ação de hoje contou com o apoio da Força Aérea Brasileira (FAB) e do Grupamento de Rádio Patrulha Aérea da Polícia Militar de Goiás', disse a PF em nota, acrescentando que os mandados foram cumpridos em Tocantins, Goiás, Paraná, Pará, Roraima, São Paulo, Ceará e no Distrito Federal.

    'Os investigados devem responder, na medida de suas participações, por tráfico transnacional de drogas, associação para o tráfico, financiamento ao tráfico, organização criminosa, lavagem de dinheiro e atentado contra a segurança do transporte aéreo', acrescenta a nota.

    A 4ª Vara Federal de Palmas (TO) também deferiu o bloqueio de contas bancárias de cerca de 100 pessoas e empresas que estariam envolvidas e pediu a inclusão de seis pessoas no Sistema de Difusão Vermelha da Interpol.

    A operação recebeu o nome de Flak, expressão que era utilizada pelos países aliados durante a Segunda Guerra Mundial para se referirem à artilharia antiaérea alemã, disse a Polícia Federal.

    (Por Débora Moreira, no Rio de Janeiro, e Marcelo Rochabrun, em São Paulo)

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    PF chega a prender presidente da CNI em apuração sobre contratos de R$400 mi com Turismo e Sistema S

    BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) - A Polícia Federal prendeu temporariamente o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, no âmbito da operação Fantoche, que apura irregularidades em contratos que somam 400 milhões de reais firmados com o Ministério do Turismo e com o Sistema S.

    Andrade foi liberado no final do dia.

    'Após depoimento do presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, na Polícia Federal de Brasília, a delegada da PF do Recife solicitou ao Juiz Federal de Pernambuco para revogar a prisão, que atendeu o pedido. O presidente da CNI foi liberado no início da noite, disse a CNI em nota.

    A PF informou que 10 pessoas foram presas na operação.

    De acordo com a PF, um grupo de empresas do mesmo núcleo familiar atuou desde 2002 executando contratos firmados por meio de convênios com a pasta e com o Sistema S.

    'A atuação do grupo consistia na utilização de entidades de direito privado, sem fins lucrativos, para justificar celebração de contratos e convênios diretos com o ministério e unidades do Sistema S. Tais contratos, em sua maioria, voltados à execução de eventos culturais e de publicidade superfaturados e/ou com inexecução parcial, sendo os recursos posteriormente desviados em favor do núcleo empresarial por intermédio de empresas de fachada', disse a PF.

    'Estima-se que o grupo já tenha recebido mais de 400 milhões de reais decorrentes desses contratos', acrescentou a PF sobre a operação, realizada em parceria com o Tribunal de Contas da União (TCU).

    A corporação disse que 213 agentes foram mobilizados, assim como 8 auditores do TCU, para o cumprimento de 40 mandados de busca e apreensão e 10 de prisão temporária em Pernambuco, Minas Gerais, São Paulo, Paraíba, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Alagoas.

    (Por Ricardo Brito e Eduardo Simões)

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    PF cumpre novos mandados de busca em investigação sobre propina da J&F a Aécio

    (Reuters) - A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira nova fase da operação que investiga o senador Aécio Neves (PSDB-MG) por suspeita de recebimento de propina da holding J&F para cumprir mandados de busca e apreensão em endereços de Belo Horizonte ligados ao parlamentar.

    De acordo com a PF, a segunda fase da operação Ross cumprirá três mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a pedido da Polícia Federal para ampliar as investigações sobre 'recebimento de vantagens indevidas por parte de um senador da República, solicitadas a um grande grupo empresarial do ramo frigorífico, entre os anos de 2014 e 2017'.

    A Polícia Federal não identifica os alvos das operações por nome em cumprimento a uma regra interna.

    A primeira fase da operação Ross foi deflagrada em 11 de dezembro para investigar Aécio e mais cinco parlamentares por recebimento de propina de 130 milhões de reais da J&F, controladora da processadora de carne JBS.

    De acordo com a Procuradoria-Geral da República, o grupo empresarial teria repassado cerca de 130 milhões de reais que foram distribuídos a parlamentares de pelo menos três legendas.

    A defesa de Aécio disse, quando da primeira fase da operação, que o senador sempre esteve à disposição para prestar esclarecimentos e apresentar documentos necessários às investigações, e que executivos da JBS tentam transformar 'doações feitas a campanhas do PSDB, e devidamente registradas na Justiça Eleitoral, em algo ilícito para, convenientemente, tentar manter os generosos benefícios de seus acordos de colaboração'.

    Não foi possível fazer contato com a defesa do senador nesta quinta-feira.

    A J&F disse que não vai comentar a nova fase da operação, mantendo a postura adotada nas maioria das ações deflagradas pelas autoridades com base nas delações de seus executivos.

    (Por Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro)

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    PF faz buscas em investigação sobre propina de R$58 milhões da J&F para Kassab

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - Agentes da Polícia Federal foram às ruas nesta quarta-feira em São Paulo e no Rio Grande do Norte para cumprir 8 mandados de busca e apreensão em investigação contra o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, por suspeita de recebimento de 58 milhões de reais em propina paga pela holding J&F entre 2010 e 2016.

    De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), os delatores da J&F Wesley Batista e Ricardo Saud relataram que Kassab recebeu pagamentos mensais de 350 mil reais da empresa controladora da JBS entre 2010 e 2016 para colocar sua influência a favor do grupo, totalizando 30 milhões de reais.

    Outros 28 milhões de reais foram pagos ao Diretório Nacional do PSD, na época presidido por Kassab, para garantir o apoio da legenda ao PT na eleição nacional de 2014, acrescentou a PGR.

    'Segundo um dos colaboradores, todos os valores repassados eram provenientes de uma espécie de conta-corrente de vantagem indevida vinculada ao PT, que teria autorizado os pagamentos', disse a PGR em comunicado.

    'Neste caso, o repasse foi operacionalizado por meio de doações oficiais de campanha e outros artifícios como a quitação de notas fiscais falsas. Também há registro da entrega de dinheiro em espécie'.

    Os mandados de busca e apreensão foram determinados pelo relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Alexandre de Moraes, a pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

    Um carro da PF estacionou no início da manhã em frente ao prédio de Kassab em São Paulo para cumprir um dos mandados, de acordo com imagens da GloboNews.

    O ministro disse, por meio de nota de sua assessoria, que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos, e que todos os seus atos seguiram a legislação.

    'O ministro confia na Justiça brasileira, no Ministério Público e na imprensa, sabe que as pessoas que estão na vida pública estão corretamente sujeitas à especial atenção do Judiciário, reforça que está sempre à disposição para quaisquer esclarecimentos que se façam necessários, ressalta que todos os seus atos seguiram a legislação e foram pautados pelo interesse público', afirmou.

    Kassab, que é presidente licenciado do PSD, foi prefeito de São Paulo de 2006 a 2013. Ele também atuou como ministro das Cidades durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), antes de assumir o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações do governo Michel Temer (MDB).

    O ministro já foi anunciado como futuro chefe da Casa Civil do governador eleito de São Paulo, João Doria (PSDB).

    Segundo a Polícia Federal, parte dos recursos pagos de forma irregular teria sido encaminhada para a campanha de um candidato ao Governo do Rio Grande do Norte e a um deputado federal, ambos eleitos. O governador do RN eleito em 2014 foi Robinson Faria, do PSD, que deixará o cargo no final deste ano.

    'Suspeita-se que os valores eram recebidos por empresas, através da simulação de serviços que não foram efetivamente prestados e para os quais foram emitidas notas fiscais falsas', disse a PF, acrescentando que são investigados os crimes de corrupção passiva e falsidade ideológica eleitoral.

    Procurada, a J&F disse que não vai comentar a nova operação da PF.

    O PT não respondeu de imediato a um pedido de comentário.

    Não foi possível fazer contato com representantes de Robinson Faria.

    (Por Pedro Fonseca; Reportagem adicional de Lisandra Paraguassu, em Brasília)

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    Moro diz que PF terá autonomia, vai ressaltar foco no crime organizado e corrupção

    BRASÍLIA (Reuters) - O futuro ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, disse nesta segunda-feira que a Polícia Federal terá autonomia no governo de Jair Bolsonaro, mas acrescentou que irá ressaltar o foco na atuação contra o crime organizado e a corrupção.

    Em rápida entrevista, Moro anunciou a subprocuradora-geral de República Maria Hilda Marsiaj para comandar a Secretaria Nacional de Justiça.

    'A PF terá autonomia para fazer seu trabalho. O máximo que farei é estressar a necessidade de focar no crime organizado e no crime de corrupção', disse Moro.

    O ministro ressaltou ainda que, ao terminar de nomear os principais nomes da sua equipe, sua expectativa é que o Ministério da Justiça tenha condições de agir com eficiência em todas as áreas, mas principalmente nessas duas.

    Moro afirmou que a subprocuradora, que trabalha hoje na 4ª região, em Porto Alegre foi escolhida pela 'independência, integridade e eficiência'. Marsiaj terá que deixar a carreira no Ministério Público Federal para assumir a Secretaria Nacional de Justiça, já que a legislação impede procuradores, assim como juízes, de ocuparem cargos públicos a menos que renunciem à carreira --como fez Moro.

    De acordo com o futuro ministro, a SNJ, que já cuida de vários setores --inclusive imigração, cooperação jurídica internacional e da análise de nomes a serem indicados pelo presidente e tribunais federais e superiores-- irá abarcar também a coordenação de registros sindicais, com a extinção do Ministério do Trabalho.

    BATTISTI

    O ministro comentou ainda a decisão de extradição do italiano Cesare Battisti, assinada na última sexta-feira pelo presidente Michel Temer, e afirmou ser 'acertada'.

    'Na minha avalição, o asilo que foi concedido a ele anos atrás foi um asilo com motivações político-partidárias. Em boa hora isso foi revisto', disse o futuro ministro. 'Não se pode tratar a cooperação jurídica internacional por critérios político-partidários, a decisão é acertada. Lamentavelmente essa pessoa se encontra foragida'.

    A extradição de Battisti era há muito tempo solicitada pela Itália. O ex-guerrilheiro enfrenta pena de prisão perpétua em seu país natal, onde foi condenado por quatro assassinatos cometidos na década de 1970, quando pertencia ao grupo Proletários Armados pelo Comunismo. Ele escapou da prisão em 1981 e morou na França antes de seguir ao Brasil para evitar ser extraditado para a Itália.

    Desde então, Battisti quase foi extraditado em 2010, mas recebeu o status de asilado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva no final de seu mandato.

    Em outubro do ano passado, Battisti foi detido em Corumbá (MS), cidade próxima à fronteira com a Bolívia, carregando dólares e euros em espécie, numa indicação de que poderia estar planejando uma fuga do país, o que levou a Itália a reiterar seu pedido ao governo brasileiro pela extradição.

    Battisti, no entanto, foi solto por ordem da Justiça e respondia ao processo em liberdade, sob algumas medidas restritivas.

    (Reportagem de Lisandra Paraguassu)

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    PF investiga Aécio e mais 5 parlamentares por propina de R$130 milhões da J&F

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - O senador Aécio Neves (PSDB-MG) e dois deputados federais foram alvos nesta terça-feira de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal como parte de investigação sobre pagamento de vantagens indevidas da holding J&F a diversos políticos por meio do senador, em valores que se aproximam de 130 milhões de reais.

    Os mandados judiciais foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, informou a Procuradoria-Geral da República em comunicado. Segundo a PGR, as medidas cautelares são sigilosas e os nomes dos alvos não serão divulgados, mas agentes da PF fizeram buscas em endereços de Aécio e de pessoas ligadas a ele no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.

    A PGR também fez uma referência a Aécio ao afirmar, em comunicado, que o senador investigado teria prometido favorecimentos ao grupo empresarial em um eventual governo presidencial entre 2015 e 2018, além de influência junto ao governo estadual de Minas Gerais com o objetivo de viabilizar a restituição de créditos tributários.

    Aécio foi derrotado no 2º turno da eleição presidencial de 2014 por Dilma Rousseff (PT), e antes foi governador de MG por dois mandatos entre 2003 e 2010.

    'Ao todo, o grupo econômico (J&F) teria repassado cerca de 130 milhões de reais que foram distribuídos a parlamentares de pelo menos três legendas', disse a PGR no comunicado, acrescentando que as investigações são decorrentes de informações prestadas em colaboração premiada por diretores da J&F.

    Segundo a PGR, o objetivo das cautelares é reunir provas do pagamento de 'vantagens indevidas por parte do Grupo Empresarial J&F a políticos por meio do senador'.

    A defesa de Aécio disse em nota que o senador sempre esteve à disposição para prestar esclarecimentos e apresentar documentos necessários às investigações. A nota diz ainda que os executivos da JBS tentam transformar 'doações feitas a campanhas do PSDB, e devidamente registradas na Justiça Eleitoral, em algo ilícito para, convenientemente, tentar manter os generosos benefícios de seus acordos de colaboração'.

    'A correta e isenta investigação vai apontar a verdade é a legalidade das doações feitas', disse o advogado Alberto Zacharias Toron.

    A Polícia Federal informou que no total foram expedidos pelo Supremo 24 mandados de busca e apreensão e 48 intimações para depoimentos a serem cumpridos em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Tocantins, São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Amapá, Rio Grande do Norte e na Bahia.

    'Suspeita-se que os valores eram recebidos através da simulação de serviços que não eram efetivamente prestados e para os quais eram emitidas notas fiscais frias', disse a PF em comunicado.

    Segundo a PF, os recursos ilegais teriam sido utilizados para a obtenção de apoio político e também para fins da campanha presidencial de 2014.

    De acordo com a Polícia Federal, outros cinco parlamentares são suspeitos de envolvimento no esquema, sendo dois senadores e três deputados federais.

    Em nota, a assessoria do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) afirmou que o parlamentar desconhece o motivo pelo qual teve seu nome envolvido nessa história. 'Em toda sua trajetória, ele nunca tratou de qualquer assunto ilícito com ninguém.'

    O Solidariedade afirmou em nota que o partido já apoiava Aécio desde 2013, mas ressaltou que o deputado Paulinho da Força 'se colocou à disposição da justiça para prestar quaisquer esclarecimentos'.

    'A acusação absurda de compra de apoio do partido Solidariedade para a candidatura à Presidência de Aécio Neves, em 2014, beira o ridículo. Desde a sua criação, em 2013, o Solidariedade já apoiava o candidato Aécio Neves por acreditar em seus projetos para o país', diz a nota.

    Os demais políticos investigados são, segundo a TV Globo, o senador Agripino Maia (DEM-RN) e os deputados Benito Gama (PTB-BA) e Cristiane Brasil (PTB-RJ).

    Não foi possível localizar de imediato representantes desses parlamentares.

    A ação desta terça-feira, chamada operação Ross, é um desdobramento da Operação Patmos, uma fase da Lava Jato deflagrada em maio de 2017 que teve como base a delação de executivos da J&F. À época, Aécio chegou a ser afastado do exercício parlamentar em decorrência da investigação.

    Procurada, a J&F disse que não vai se pronunciar sobre a nova operação.

    (Por Pedro Fonseca; Reportagem adicional de Gram Slattery)

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    Moro anuncia Maurício Valeixo como novo diretor-geral da Política Federal

    BRASÍLIA (Reuters) - O futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro, indicou nesta terça-feira o delegado Maurício Valeixo para a direção geral da Polícia Federal e a delegada Érika Marena para a chefia do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça.

    Ambos os delegados já fazem parte atualmente da equipe de transição do governo de Jair Bolsonaro.

    Valeixo é atualmente superintendente da Polícia Federal no Paraná e substituirá Rogério Galloro, nomeado no início de março deste ano. Responsável pelas ações da operação Lava Jato em Curitiba, Valeixo já foi diretor de Inteligência da PF e diretor do departamento de combate ao crime organizado.

    Já Érika Marena participou de parte do início das investigações da operação Lava Jato - foi a responsável por dar o nome à operação - e foi a chefe das investigações na operação Ouvidos Moucos, que ficou marcada pelo suicídio do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Luiz Carlos Cancillier de Olivo, três meses depois de ter sido preso na operação.

    Cancillier deixou um bilhete em que apontava a prisão pela PF como responsável pelo suicídio. Marena foi alvo de uma investigação interna pela PF e foi absolvida.

    'A delegada tem minha plena confiança. O que aconteceu em Florianópolis foi uma tragédia, toda minha solidariedade à família, mas foi um infortúnio no âmbito da investigação. A delegada não tem responsabilidade', defendeu Moro ao ser questionado pelo caso.

    Moro disse ainda que planeja convidar o atual diretor-geral da PF para algum cargo na estrutura do Ministério da Justiça. Galloro era secretário Nacional de Justiça antes de ser chamado para a chefia da PF no lugar de Fernando Segóvia, demitido depois de, em entrevista à Reuters, afirmar que o inquérito dos Portos, em que o presidente Michel Temer é investigado, seria arquivado.

    O futuro ministro da Justiça afirmou também que todos os nomes envolvidos nas investigações da Lava Jato com quem trabalhou podem ser considerados para cargos no governo, inclusive Márcio Anselmo, primeiro delegado da Lava Jato.

    'Eu sempre afirmei que seria um tolo se não aproveitasse pessoas que trabalharam comigo, especialmente no âmbito da operação Lava Jato, porque já provaram sua integridade e sua eficiência', disse Moro ao anunciar os primeiros nomes da sua equipe.

    Ainda de acordo com o novo ministro, o foco principal da PF em sua gestão será o combate à corrupção e ao crime organizado.

    (Por Lisandra Paraguassu)

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    PF prende Joesley Batista e ex-ministros da Agricultura em novo desdobramento da Lava Jato

    Por Pedro Fonseca e Ricardo Brito

    RIO DE JANEIRO/BRASÍLIA (Reuters) - A Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira o empresário Joesley Batista, um dos controladores da JBS, e os ex-ministros Antonio Andrade e Neri Geller em um desdobramento da operação Lava Jato que investiga uma suposta organização criminosa que atuava no Ministério da Agricultura e na Câmara dos Deputados com pagamento de propina a agentes públicos e políticos.

    As propinas pagas aos agentes públicos e políticos no âmbito do esquema foram estimadas em mais de 22 milhões de reais, de acordo com a Receita Federal, que participa da investigação ao lado da PF.

    A prisão de Joesley, que já havia sido detido em setembro do ano passado no âmbito da Lava Jato acusado de omitir informações de acordo de delação premiada fechado com a Procuradoria-Geral da República, ocorreu na casa do executivo em São Paulo.

    O advogado do empresárioo, André Callegari, disse em nota que 'causa estranheza o pedido de sua prisão no bojo de um inquérito em que ele já prestou mais de um depoimento na qualidade de colaborador e entregou inúmeros documentos de corroboração'. O advogado ressaltou que a prisão é temporária e que o empresário vai prestar todos os esclarecimentos.

    Em comunicado sem citar os nomes dos alvos da operação, a Polícia Federal disse que a ação visa cumprir 63 mandados judiciais de busca e apreensão e 19 mandados de prisão temporária, todos expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

    Além de Joesley, também foi preso o executivo da holding J&F Ricardo Saud, que também fora preso no ano passado acusado de romper o acordo de delação premiada. Os dois estavam em liberdade desde março, quando tiveram a prisão revogada pelo Justiça.

    'Durante as apurações, houve clara comprovação de que empresários e funcionários do grupo investigado --inicialmente atuando em colaboração premiada com a PF-- teriam praticado atos de obstrução de Justiça, prejudicando a instrução criminal, com o objetivo de desviar a PF da linha de apuração adequada ao correto esclarecimento dos fatos', disse a PF em nota oficial.

    Os executivos foram responsáveis pelo mais polêmico acordo de colaboração na gestão do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, que envolveu diversos políticos e culminou em duas denúncias criminais contra o presidente Michel Temer.

    EX-MINISTROS DA AGRICULTURA

    Também foram presos na operação desta sexta-feira o vice-governador de Minas Gerais e ex-ministro da Agricultura Antonio Andrade (MDB) e o deputado federal eleito Neri Geller (PP-MT), que também foi ministro da Agricultura, conforme lista de presos confirmada pela Reuters por uma fonte com acesso à decisão do TRF-1.

    Procurados pela Reuters, representantes de Andrade e de Geller não estavam disponíveis de imediato para comentar.

    De acordo com a Polícia Federal, o esquema investigado consistia no pagamento de propina a servidores públicos e agentes políticos que atuavam direta ou indiretamente no Ministério da Agricultura (Mapa) em 2014 e 2015, durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff.

    'A Polícia Federal apurou a atuação de uma organização criminosa na Câmara dos Deputados e no Mapa, integrada por empresários e executivos de um grande grupo empresarial do ramo de processamento de proteína animal', disse a PF em comunicado.

    'Esse grupo dependia de normatizações e licenciamentos do Mapa e teria passado a pagar propina a funcionários do alto escalão do Ministério em troca de atos de ofício, que proporcionariam ao grupo a eliminação da concorrência e de entraves à atividade econômica, possibilitando a constituição de um monopólio de mercado'.

    A chamada operação Capitu foi deflagrada com base na delação premiada do empresário Lúcio Bolonha Funaro, apontado pela PGR como operador do ex-presidente da Câmara do Deputados Eduardo Cunha, que se encontra preso também no âmbito da Lava Jato.

    Segundo a PF, houve por parte do grupo empresarial investigado o financiamento ilegal de campanha de um deputado federal para a Presidência da Câmara em troca de atendimento dos interesses corporativos do grupo no Ministério da Agricultura.

    Duas grandes redes varejistas de Minas Gerais que não foram identificadas também participaram diretamente do esquema, por meio de seus controladores e diretores, de acordo com a Receita Federal.

    (Reportagem adicional de Ana Mano, em São Paulo)

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