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    Bolsonaro é eleito presidente e promete respeitar a Constituição e unificar o país

    Por Eduardo Simões, Ricardo Brito e Rodrigo Viga Gaier

    SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO, 28 Out (Reuters) - O capitão da reserva do Exército Jair Bolsonaro, de 63 anos, foi eleito neste domingo presidente da República e em seu primeiro pronunciamento após derrotar o petista Fernando Haddad prometeu respeitar a Constituição, fazer um governo democrático e unificar o Brasil, baixando o tom que adotou em uma das campanhas mais polarizadas da história do país.

    'Faço de vocês minhas testemunhas de que este governo será um defensor da Constituição, da democracia e da liberdade. Isso é uma promessa a Deus', disse Bolsonaro em sua casa na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

    'Liberdade é um princípio fundamental. Liberdade de ir e vir, andar nas ruas em todo o país, liberdade de empreender, liberdade política e religiosa, liberdade de formar e ter opinião, liberdade de fazer escolhas e ser respeitado por elas', acrescentou.

    O candidato do PSL também prometeu um governo comprometido com a responsabilidade fiscal e disse que o relacionamento do Brasil com outras nações perderá o que chamou de viés ideológico e passará a ser feito com países que possam agregar comercialmente e tecnologicamente ao Brasil.

    'Emprego, renda e equilíbrio fiscal é o nosso compromisso para ficarmos mais próximos de oportunidades e trabalho para todos. Quebraremos o ciclo vicioso do crescimento da dívida, substituindo pelo ciclo virtuoso de menores déficits, dívida decrescente e juros mais baixos. Isso estimulará os investimentos, o crescimento e a consequente geração de emprego', afirmou.

    'Libertaremos o Brasil e o Itamaraty das relações internacionais com viés ideológico a que foram submetidos nos últimos anos. O Brasil deixará de estar apartado das nações mais desenvolvidas, buscaremos relações bilaterais com países que possam agregar valor econômico e tecnológico aos produtos brasileiros. Recuperaremos o respeito internacional pelo nosso amado Brasil', acrescentou.

    Com 99,99 por cento das seções eleitorais apuradas, Bolsonaro tinha 55,1 por cento dos votos válidos, enquanto Haddad tinha 44,9 por cento, de acordo com dados da apuração do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

    Bolsonaro assume um país em uma profunda crise fiscal --2019 será o sexto ano seguido de déficit primário-- e com cerca de 13 milhões de desempregados, além da necessidade de realizar reformas apontada por analistas como cruciais para retomar o crescimento econômico.

    Ao ser confirmada a vitória de Bolsonaro, o economista Paulo Guedes, já anunciado pelo candidato do PSL como seu ministro da Fazenda de seu futuro governo, afirmou que buscará zerar o déficit fiscal em um ano e colocou a reforma da Previdência como prioridade.

    A eleição de Bolsonaro coloca fim a uma das campanhas eleitorais mais polarizadas da história, com troca de ofensas pessoais entre os dois adversários no segundo turno, e que colocou em dúvida a capacidade de Bolsonaro, conhecido por suas declarações polêmicas e retórica dura, de unir forças em torno de si para governar.

    'Naturalmente a tarefa do Bolsonaro vai ser reconstruir as bases políticas para um bom funcionamento do processo decisório, o discurso é uma parcela importante, simbólica desse movimento, mas ainda insuficiente para determinar a natureza do seu governo', disse o analista político da Tendências Consultoria Integrada Rafael Cortez.

    'Vai ter tanto a dimensão do relacionamento com o Congresso, mas me parece que o dilema inicial é a relação com a sociedade, reconstruir a legitimidade da Presidência da República a partir de uma campanha bastante polarizada, não apenas para o seu eleitorado, mas para toda a sociedade.'

    FESTA DA VITÓRIA, TRISTEZA DA DERROTA

    Ao ser anunciado o resultado da apuração, que mostrou a vitória de Bolsonaro, milhares de apoiadores do capitão da reserva que estavam em frente ao condomínio onde mora o candidato do PSL na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, festejaram.

    Em São Paulo, fogos de artifício foram ouvidos, e simpatizantes do capitão da reserva se reuniram para comemorar na avenida Paulista. A tropa de choque da Polícia Militar paulista teve de atuar na avenida para dispersar manifestantes favoráveis ao PT que estavam no local.

    Mais cedo, Bolsonaro votou sob forte esquema de segurança nesta manhã em uma escola de uma vila militar do Rio de Janeiro e afirmou que estava confiante de uma vitória.

    A eleição de Bolsonaro encerra uma campanha acirrada e de elevado patamar de polarização, apontada por analistas como um plebiscito entre o antipetismo, encarnado por Bolsonaro, e o petismo, que teve Haddad escalado para representá-lo por decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    No hotel onde Haddad e apoiadores acompanharam a apuração, as cerca de 200 pessoas não mostravam muito entusiasmo. O petista assistiu à apuração reunido apenas com a esposa, Ana Estela, os dois filhos, mãe e irmãs. Do lado de fora, em outra sala, com coordenadores de campanha, dirigentes e parlamentares do partido em uma suíte.

    Após a apuração do TSE sacramentar a derrota, Haddad fez um discurso de defesa da democracia e de defesa dos direitos daqueles que votaram nele no segundo turno, e prometeu uma oposição voltada aos interesses de todos os brasileiros.

    Ao contrário de quando perdeu a eleição para a prefeitura de São Paulo, em 2016, para João Doria, Haddad decidiu, segundo uma fonte, não telefonar para o adversário para parabenizá-lo pela vitória.

    'Temos a responsabilidade de fazer uma oposição e colocar os interesses dos brasileiros acima de tudo. Temos que ter compromisso de manter a democracia e não aceitar provocações e ameaças', disse Haddad.

    'Parafraseando o hino nacional, a nação verá que um professor não foge à luta, nem teme quem adora a liberdade a própria morte. Nosso compromisso é um compromisso de vida com esse país.'

    Com quase três décadas no Parlamento, Bolsonaro enfrenta agora seu maior desafio político e ainda terá de buscar saídas para fazer a economia do país voltar a crescer.

    (Reportagem adicional de Lisandra Paraguassu, em São Paulo)

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    Bolsonaro vence Haddad e é eleito presidente da República

    Por Eduardo Simões

    SÃO PAULO (Reuters) - O capitão da reserva do Exército Jair Bolsonaro, de 63 anos, foi eleito neste domingo presidente da República e assumirá o cargo em 1º de janeiro de 2019, mostraram dados da apuração do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

    Com 94,44 por cento das seções eleitorais apuradas, Bolsonaro tem 55,54 por cento dos votos válidos e o petista Fernando Haddad tem 44,46 por cento.

    O resultado gerou festa de milhares de apoiadores de Bolsonaro que estavam em frente ao condomínio onde mora o candidato do PSL na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Em São Paulo, fogos de artifício foram ouvidos, e simpatizantes do capitão da reserva se reuniram para comemorar na avenida Paulista.

    Mais cedo, Bolsonaro votou sob forte esquema de segurança nesta manhã em uma escola de uma vila militar do Rio de Janeiro e afirmou que estava confiante de uma vitória.

    Diante de uma campanha tão acirrada e de elevado patamar de polarização, apontada por analistas como um plebiscito entre o antipetismo, encarnado por Bolsonaro, e o petismo, que teve Haddad escalado para representá-lo por decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o maior desafio do vencedor agora deverá ser buscar um discurso de união.

    A partir da eleição do capitão da reserva, conhecido por sua retórica dura e por suas declarações polêmicas, fica a dúvida se terá capacidade e disposição de fazer esses gestos e de unir forças em torno de si para governar.

    No hotel onde Haddad e apoiadores acompanhavam a apuração predominava o silêncio, pouco depois das 19h.

    As cerca de 200 pessoas que se reuniram no hotel na capital paulista não mostravam já muito entusiasmo. Ao chegar no local em torno de 18h, Haddad foi recebido com gritos de “vamos virar”, mas dirigentes do partido mostravam apenas um “otimismo cauteloso”, de quem considerava, segundo disse à Reuters uma fonte, que uma virada não era mais impossível, mas não provável.

    Haddad assistiu à apuração reunido apenas com a esposa, Estela, os dois filhos, mãe e irmãs. Do lado de fora, em outra sala, com coordenadores de campanha, dirigentes e parlamentares do partido em uma suíte.

    Ao contrário de quando perdeu a eleição para Prefeitura de São Paulo, em 2016, para João Doria, Haddad decidiu, segundo a fonte, não ligar para o adversário para parabenizá-lo pela vitória.

    (Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier e Ricardo Brito no Rio de Janeiro; e Lisandra Paraguassu, em São Paulo)

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    Eleitores escolhem novo presidente em disputa com Bolsonaro favorito e Haddad em busca de virada

    Por Eduardo Simões

    SÃO PAULO (Reuters) - Eleitores de todo o Brasil foram às urnas neste domingo para escolher o próximo presidente da República em uma disputa de segundo turno que tem o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, como favorito para subir a rampa do Palácio do Planalto em 1º de janeiro, enquanto o petista Fernando Haddad tenta uma virada difícil, que seria inédita em eleições presidenciais no país.

    Líder das pesquisas, Bolsonaro votou sob forte esquema de segurança em uma escola de uma vila militar do Rio de Janeiro e afirmou estar confiante em uma vitória pelo que tem visto nas ruas, enquanto Haddad apontou para uma retomada nas intenções de voto em sua candidatura nos últimos dias e disse esperar por um 'grande resultado'.

    Apesar de uma redução na diferença das intenções de votos entre os dois candidatos na disputa do segundo turno, de acordo com as últimas pesquisas, uma virada de Haddad deve ser difícil. Desde a primeira eleição direta para presidente após a redemocratização, o candidato que terminou o primeiro turno com a primeira posição jamais sofreu uma derrota na votação decisiva.

    Fernando Collor, em 1989, Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002 e 2006, e Dilma Rousseff, em 2010 e 2014, terminaram a primeira rodada na frente e confirmaram o favoritismo no segundo turno. Em 1994 e 1998 Fernando Henrique Cardoso elegeu-se no primeiro turno.

    Bolsonaro foi o mais votado no último dia 7, com 46 por cento dos votos válidos, enquanto Haddad somou 29 por cento. De acordo com pesquisas Ibope e Datafolha, divulgadas no sábado, o capitão da reserva do Exército deverá confirmar neste domingo a liderança mostrada nas urnas três semanas atrás.

    Segundo o Ibope, Bolsonaro chega ao dia da eleição com 54 por cento dos votos válidos, enquanto Haddad soma 46 por cento. Já pelo Datafolha divulgado na véspera do pleito, Bolsonaro tem 55 por cento dos votos válidos, contra 45 por cento de Haddad

    “A expectativa de hoje é a mesma que vi nas ruas, vitória“, disse Bolsonaro em breve declaração a jornalistas após registrar seu voto em uma escola da vila militar de Deodoro, na zona oeste do Rio.

    Haddad, por sua vez, participou de café da manhã com a coordenação da campanha e dirigentes do PT em um hotel de São Paulo antes de votar e disse estar confiante no resultado devido à melhora vista nas últimas pesquisas.

    'Estou muito confiante de que nós vamos ter um grande resultado hoje. Vamos lutar até o último minuto. As pesquisas indicam uma retomada importante da intenção de voto no nosso projeto. Eu confio na democracia, confio no povo brasileiro', afirmou.

    Logo após a abertura das urnas o presidente Michel Temer registrou seu voto em um colégio da capital paulista, e disse que a transição para o presidente eleito já está organizada em todos os setores do governo, e será realizada de forma 'muita sossegada'.

    Em entrevista concedida com a Constituição nas mãos após votar em Brasília, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, afirmou que o ganhador da eleição presidencial deve respeitar as instituições e a democracia, aceitando a oposição que se formará, em um apelo pelo respeito aos valores constitucionais.

    A chefe da missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA), a ex-presidente da Costa Rica Laura Chinchilla, disse que a votação transcorre em clima de normalidade pelo país, enquanto o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que apenas 0,38 por cento do total de 454.493 urnas de votação foram substituídas até o fim da manhã.

    CORRIDA ATÍPICA

    'No Brasil não se consegue afirmar que as coisas serão como elas parecem que serão... (Mas) aparentemente, sim, o Bolsonaro deve ser eleito presidente da República no domingo', disse o cientista político Carlos Melo, do Insper.

    Além do futuro presidente da República, este domingo também definirá os governadores de 14 Estados que terão segundo turno e colocará fim a uma campanha atípica, seja pela mudança nas regras eleitorais, seja pelos vários percalços que a marcaram e pela retórica extremamente dura, incluindo troca de ofensas pessoais, entre os dois postulantes ao Planalto no segundo turno.

    Não foram poucas as vezes que Bolsonaro se referiu a Haddad como 'canalha', 'fantoche', 'poste' e 'marmita de corrupto preso', batendo principalmente na influência que Lula, preso desde abril por corrupção e lavagem de dinheiro, exerce sobre o afilhado político.

    O petista, por sua vez, classificou o capitão da reserva de 'soldadinho de araque' e também o chamou de 'covarde', 'fujão', 'frouxo' e 'arregão', por conta da recusa do presidenciável do PSL em enfrentá-lo cara a cara em debates.

    Alvo de uma facada no dia 6 de setembro durante evento de campanha em Juiz de Fora (MG), Bolsonaro passou por duas cirurgias de urgência, ficou 23 dias hospitalizado e ainda carrega consigo uma bolsa de colostomia, que deverá ser retirada em nova cirurgia até o final deste ano.

    Haddad foi oficializado candidato do PT ao Palácio do Planalto no dia 11 de setembro. Assim, não participou dos dois debates em que o capitão da reserva compareceu antes da facada. Mesmo após receber alta, Bolsonaro não foi ao debate da TV Globo, o último do primeiro turno, alegando recomendações médicas.

    Embora tenha feito eventos de campanha, como visitas à Polícia Federal e ao Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro, no segundo turno, Bolsonaro voltou a alegar restrições de saúde para não ir a debates no segundo turno. Antes do duelo que aconteceria na Globo na sexta, aliados argumentaram questões de segurança para que ele não comparecesse.

    Com isso, esta campanha terá um fato inédito: será a primeira vez que um segundo turno na eleição presidencial não terá um debate sequer entre os dois candidatos.

    DESAFIOS FUTUROS

    Diante de uma campanha tão acirrada e de elevado patamar de polarização, apontada por analistas como um plebiscito entre o antipetismo, encarnado por Bolsonaro, e o petismo, que teve Haddad escalado para representá-lo por ordem de Lula, o maior desafio do vencedor deverá ser buscar um discurso de união.

    “Decidi meu voto por eliminação, por falta de escolha. Espero que o próximo presidente olhe menos para si e mais para o país, menos para os amigos, e que pense maior do que na própria pessoa', disse a bancária Myrna Haiat, de 42 anos, que votou em São Paulo.

    A estudante de psicologia Juliani di Castro, de 24 anos, manifestou preocupação com a forte divisão política. 'O que eu gostaria que o próximo presidente fizesse nenhum dos dois vai fazer, mas acho que os movimentos que se levantaram com a divisão política de agora vão permanecer independente de quem for eleito', afirmou.

    Com a vitória de Bolsonaro desenhada pelas pesquisas de opinião, fica a dúvida se o capitão da reserva, conhecido por sua retórica dura e por suas declarações polêmicas, terá capacidade e disposição de fazer esses gestos e de unir forças em torno de si para governar.

    'Do que vem pela frente o que eu mais destacaria são os sinais do Bolsonaro e da turma de aproximação com a velha política e também com a administração Temer. Estão dando sinais de que a transição para um novo governo não será tão abrupta como se anunciava há algum tempo', disse o analista político da MCM Consultores Associados Ricardo Ribeiro, que acredita que Bolsonaro deverá, mesmo sentado na cadeira presidencial, gerar antagonismos.

    'Esse clima mais acirrado de antagonismo vai durar toda a administração Bolsonaro. O Bolsonaro vai ser um presidente que vai gerar muita rejeição, não digo da maioria da população, mas de uma parte expressiva da população', previu.

    Para Melo, do Insper, o discurso que Bolsonaro fará após sua provável vitória na noite de domingo deverá ser analisado de perto, até mesmo para aplacar temores dos que veem num eventual governo do capitão da reserva uma ameaça à democracia, por conta de declarações passadas e recentes dele e de aliados próximos.

    'O discurso da vitória do Bolsonaro tem que ser um discurso agregador. Não pode ser um discurso com o tom que ele vem exercendo durante a campanha', disse Melo.

    'A nenhum presidente da República interessa governar um país dividido. Impor a unidade na porrada não é possível. Espero que ele nem pense nisso. Você tem que construir a unidade por meio da persuasão.'

    (Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier e Maria Clara Pestre, no Rio de Janeiro; Isabel Marchenta, Tais Haupt e Lisandra Paraguassu, em São Paulo; e Maria Carolina Marcello, em Brasília)

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