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    Testes começam dia 20 e vacina chinesa para Covid-19 pode estar disponível em meados de 2021

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    10/04/2020 REUTERS/Dado Ruvic/Illustration

    Publicada em  

    Por Eduardo Simões

    SÃO PAULO (Reuters) - A potencial vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela empresa chinesa SinoVac começará a ser testada no Brasil no próximo dia 20 de julho e, caso prove-se eficaz contra a doença, poderá estar disponível para ser aplicada na população em meados do ano que vem, disseram autoridades do governo do Estado de São Paulo nesta segunda-feira.

    Os estudos serão liderados pelo Instituto Butantan, vinculado ao governo paulista, e contarão com 9 mil voluntários em 12 centros de pesquisa localizados, além de São Paulo, em outros quatro Estados e no Distrito Federal.

    De acordo com o governador João Doria (PSDB), o recrutamento dos voluntários começará na segunda-feira da próxima semana, após na sexta-feira a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovar o início dos ensaios clínicos com a candidata a vacina.

    'A partir da próxima segunda-feira, dia 13 de julho, os voluntários já poderão se inscrever. A inscrição será obrigatoriamente para profissionais de saúde --médicos, paramédicos, enfermeiros', disse Doria em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual.

    'Com a autorização da Anvisa começaremos o processo de testagem a partir do dia 20 de julho', acrescentou ele.

    O diretor do Butantan, Dimas Covas, afirmou que, se os ensaios mostrarem que a vacina da SinoVac é eficaz, ela poderá estar disponível em meados de 2021.

    'Nós estamos neste momento preparando esses centros, preparando o material para as pessoas se candidatarem e esperamos que tudo isso ocorra muito rapidamente, antes de outubro a gente termine a inclusão dos 9 mil voluntários. Com isso, poderemos ter uma análise preliminar dos resultados ainda neste ano, o que levará seguramente ao uso da vacina já em meados do ano que vem', afirmou ele.

    De acordo com Dimas Covas, a vacina da SinoVac, que entrará no Brasil na Fase 3 de testes clínicos em humano, a última antes do registro e destinada a comprovar a eficácia da imunização, é uma das mais promissoras entre as que estão sendo estudadas contra a Covid-19 no mundo, tendo registrado 90% de resposta positiva em testes de Fase 2 feitos na China.

    'Após a vacinação --14 dias após a vacinação-- 90% de resposta. Ou seja, uma das vacinas que estão aí das mais promissoras. E daí o meu entusiasmo', disse ele.

    'Estou muito entusiasmado que essa será uma das vacinas que chegará ao mercado, com eficiência, muito rapidamente.'

    O acordo da SinoVac com o Butantan prevê a transferência de tecnologia para que a vacina seja produzida no Brasil pelo instituto, caso ela seja eficaz contra o coronavírus. O diretor do Butantan disse ainda que a parceria firmada prevê que o Brasil terá acesso a 60 milhões de doses da vacina ainda neste ano.

    Doria elogiou o trabalho 'correto', 'técnico' e 'republicano' feito pela Anvisa ao analisar o pedido do Butantan para testar a potencial vacina chinesa no Brasil. A aprovação veio cerca de 25 dias após o anúncio da parceria entre Butantan e SinoVac.

    Dimas Covas afirmou que este período foi 'curto' e dentro do esperado pelo Butantan. Ele também elogiou o trabalho realizado pela agência reguladora federal.

    'Isso é curto tempo quando se trata de uma vacina dessa dimensão. Podemos dizer que foi muito rápido', disse o diretor do Butantan.

    Além da candidata a vacina da SinoVac, já está sendo testada no Brasil uma potencial vacina contra Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, em parceria com a farmacêutica AstraZeneca, em estudo que está sendo liderado no país pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

    O Ministério da Saúde anunciou recentemente um acordo para a produção local desta vacina caso ela se mostre eficaz contra a doença, que já infectou 1,6 milhão de pessoas e matou quase 65 mil no país.

    Escrito por Reuters

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