Capa do Álbum: Antena 1
A Rádio Online mais ouvida do Brasil
Antena 1

Galípolo defende decisões do BC no caso Master e indica reforço em regras

Galípolo defende decisões do BC no caso Master e indica reforço em regras

Reuters

09/02/2026

Placeholder - loading - Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em cerimônia na sede do banco, em Brasília 02/04/2025 REUTERS/Ueslei Marcelino
Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em cerimônia na sede do banco, em Brasília 02/04/2025 REUTERS/Ueslei Marcelino

Atualizada em  09/02/2026

SÃO PAULO, 9 Fev (Reuters) - O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ⁠defendeu nesta segunda-feira a atuação da autarquia no caso que culminou com a liquidação do Banco Master e apontou ser 'muito importante' um reforço em regras sobre a gestão de ativos e passivos de instituições financeiras.

Em evento promovido pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC), em São Paulo, Galípolo disse que o BC apresentou justificativas ao longo de todo o processo que envolveu a rejeição de compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB) e da liquidação do Master.

O presidente do BC pontuou que não existe nenhuma regra, no Brasil, que proíba que um banco possa captar recursos com taxas acima do CDI -- como era feito pelo Master. Ao mesmo tempo, afirmou que um problema de captação não deve levar necessariamente à insolvência, como ocorreu com o ​Master.

'Qualquer banco que consiga fazer o casamento bem feito de ativo e ⁠passivo, se ⁠ele passar por problemas para captar, isso deveria afetar o crescimento do banco, mas não a solvência', afirmou. 'Quando você tem este tipo de problema, você pode sempre vender algum tipo de ativo para resolver aquele problema emergencial.'

Ele disse que o BC tem um trabalho contínuo de aprimoramento de normas, mas destacou a importância específica de um reforço nas normas de gestão dos balanços de instituições financeiras.

'O aprendizado é: como a gente ‌consegue criar mais ‘enforcement’. Já tem medidas feitas e outras que estão no ‘pipeline’, é um trabalho contínuo... Ter um ‘enforcement’ ​maior nesse casamento entre passivo e ativo, acho que é muito importante', ‌afirmou.

No evento, Galípolo disse ser ​grato pela ​proteção da autonomia do BC dada pela gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em meio ao processo envolvendo o caso do Master.

'Agradeço o ministro (da Fazenda, Fernando) Haddad, que tem dado declarações reiteradas de apoio', afirmou, acrescentando que Lula também tem ​sublinhado a necessidade de se garantir a autonomia do BC e da Polícia Federal.

'O que a experiência de Lula traz para que a gente possa desenvolver nosso trabalho... (ela) traz tranquilidade', acrescentou.

Durante sua fala, Galípolo defendeu que o BC precisa 'esclarecer para evitar que narrativas atrapalhem a percepção do público em geral'.

Citando as dificuldades do Master em captar recursos a partir do fim de 2024, Galípolo fez um histórico do que levou à rejeição da venda do banco e à decretação de sua liquidação, já em novembro de 2025 -- cerca de um ano depois.

Segundo Galípolo, o trabalho coordenado entre a autarquia e o Fundo Garantir de Crédito (FGC) permitiu que fossem bem fundamentadas as decisões de rejeitar a compra do banco pelo BRB e de liquidar o Master.

Os comentários de Galípolo surgem em meio à contestação do trabalho do Banco Central no caso, que para alguns críticos demorou a agir já que em 2024 o Master já enfrentava questionamentos sobre seu modelo de negócio.

As críticas ⁠têm recaído não apenas sobre a atual direção do BC, mas também sobre a atuação do banco sob o comando do ex-presidente ‌da autarquia Roberto Campos Neto, que se manteve ⁠no cargo até o fim de 2024.

No auge de seus problemas, o Master chegou a oferecer CDBs com rentabilidade próxima dos 140% do CDI. Com a liquidação, FGC tem realizado o pagamento dos credores com até R$250 mil a ‍receber, por CPF.

Galípolo ainda afirmou no evento que o trabalho coordenado entre a autarquia e o FGC também permitiu que fossem bem fundamentadas as decisões de rejeitar a ​compra ‌do Banco Master pelo BRB e de liquidar o Master.

(Por Fabrício de Castro, em São Paulo, e Bernardo Caram, em Brasília)

Reuters

Compartilhar matéria

Mais lidas da semana

 

Carregando, aguarde...

Este site usa cookies para garantir que você tenha a melhor experiência.