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Tribunal alemão concede liminar ao AfD e suspende rótulo de “extremista” atribuído pela agência de espionagem

Tribunal alemão concede liminar ao AfD e suspende rótulo de “extremista” atribuído pela agência de espionagem

Reuters

26/02/2026

Placeholder - loading - Protesto contra o AfD em Dortmund 22/02/2026 REUTERS/Leon Kuegeler
Protesto contra o AfD em Dortmund 22/02/2026 REUTERS/Leon Kuegeler

Por Friederike Heine e James Mackenzie

BERLIM, 26 Fev (Reuters) - Um ​tribunal alemão concedeu ao partido Alternativa para a Alemanha (AfD) uma liminar nesta quinta-feira, ordenando que a agência de inteligência doméstica não o classificasse como “extremista” por enquanto, enquanto se aguarda uma decisão final sobre o caso.

O partido, que havia recorrido contra a recomendação emitida pela agência BfV no ano passado, disse que a decisão foi “um sucesso significativo para o Estado de Direito e a justiça democrática”.

O colíder da AfD, Tino Chrupalla, que afirmou que a recomendação tinha sido usada para desacreditar o partido antes de uma série de eleições ⁠estaduais este ⁠ano, acrescentou que iria examinar a ​decisão do ‌Tribunal Administrativo de Colônia.

“Este é o primeiro passo, vencemos aqui e devemos comemorar isso como um sucesso por enquanto”, disse ele aos repórteres, negando que o partido se opusesse à ordem constitucional democrática da Alemanha.

A liminar é válida até ⁠que o tribunal decida sobre o mérito do caso, mas não está ​claro quando isso ocorrerá.

A decisão do tribunal afirmou que ainda havia uma “forte suspeita” ​de esforços por parte de integrantes do AfD ‌para ir contra as ​proteções constitucionais, ⁠incluindo a liberdade religiosa. Mas afirmou que não havia provas suficientes de que isso fosse verdade para o partido como um todo.

O ministro do Interior, Alexander Dobrindt, disse que ainda ​não havia uma decisão final, mas afirmou que a decisão do tribunal considerou “certeza suficiente de que esforços dirigidos contra a ordem democrática básica estão sendo desenvolvidos dentro do AfD”.

A decisão da BfV, conhecida formalmente como Escritório Federal para a Proteção da Constituição, ​baseou-se nas conclusões de um relatório de especialistas de 1.100 páginas que destacou vários comentários de autoridades do partido caracterizados como racistas ou islamofóbicos.

A recomendação de “atividades extremistas de direita confirmadas” abriu caminho para que o AfD, o principal partido da oposição no Parlamento, passasse a ser vigiado mais de perto pelos serviços de segurança.

A decisão da agência de classificar o AfD, de extrema-direita, como extremista em maio produziu reações acentuadas ao longo das ​linhas divisórias da política alemã, com alguns parlamentares pedindo que o AfD fosse proibido e ‌o partido classificando isso como um ataque ⁠à democracia.

Isso também provocou fortes críticas do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o secretário de Estado, Marco Rubio, pedindo às autoridades alemãs que ⁠revertessem sua decisão.

Dobrindt disse que a BfV continuaria a ⁠defender seu caso no processo, mas descartou ⁠a possibilidade de proibição ⁠do ​partido, afirmando que a melhor maneira de combater o AfD era proporcionando um bom governo.

Reuters

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