Tribunal israelense prorroga detenção de ativistas de flotilha de Gaza até 10 de maio
Tribunal israelense prorroga detenção de ativistas de flotilha de Gaza até 10 de maio
Reuters
05/05/2026
Atualizada em 05/05/2026
Por Steven Scheer e Elena Rodriguez
JERUSALÉM/MADRI, 5 Mai (Reuters) - Um tribunal israelense prorrogou por mais seis dias a prisão de dois ativistas detidos a bordo de uma flotilha com destino a Gaza, interceptada por forças israelenses em águas internacionais perto da Grécia.
Saif Abu Keshek, cidadão espanhol, e o brasileiro Thiago Ávila foram detidos pelas autoridades israelenses na última quarta-feira e levados para Israel, enquanto mais de 100 outros ativistas pró-Palestina que estavam nos barcos foram levados para a ilha grega de Creta.
A prisão de Abu Keshek e Ávila havia sido inicialmente prorrogada até terça-feira, mas o Tribunal de Magistrados de Ashkelon a estendeu novamente até 10 de maio.
Os ativistas faziam parte da segunda Flotilha Global Sumud, lançada numa tentativa de romper o bloqueio israelense a Gaza, entregando ajuda humanitária. Os navios partiram de Barcelona em 12 de abril.
Documentos judiciais mostram que Israel acusa Abu Keshek e Ávila de crimes como auxílio ao inimigo, contato com um agente estrangeiro e uma organização terrorista, atividade proibida envolvendo um componente terrorista e fornecimento de meios a uma organização terrorista.
'Estou convencido de que há suspeita razoável', concluiu o juiz Yaniv Ben-Haroush após ouvir os argumentos das partes ao conceder a prorrogação.
Os advogados do grupo de direitos humanos Adalah argumentaram durante a audiência que as alegações eram infundadas e que não havia fundamentos legais para a manutenção da detenção dos dois homens.
Eles afirmaram que nenhuma acusação formal foi apresentada e que a detenção se dava para fins de interrogatório contínuo.
A Adalah disse que apelaria da decisão e exigiria a libertação imediata e incondicional de Abu Keshek e Ávila. A organização também afirmou que os homens foram torturados sob custódia – acusação rejeitada por Israel.
A esposa de Abu Keshek, Sally Issa, disse à Reuters nesta terça-feira que não tinha permissão para falar diretamente com o marido desde sua detenção, dependendo, em vez disso, de informações do cônsul espanhol e de seus advogados.
'Disseram-nos que ele está bem. Ele está em greve de fome', afirmou Issa. 'Mas ele está bem. Ele sofreu tortura no barco quando foi atacado pelos israelenses.'
ESPANHA E BRASIL EXIGEM LIBERTAÇÃO
O Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou que Abu Keshek e Ávila têm ligações com o grupo militante palestino Hamas e que a flotilha 'é mais uma provocação destinada a desviar a atenção da recusa do Hamas em desarmar-se'.
Um porta-voz do ministério negou as 'alegações falsas e infundadas' de tortura.
'Após a violenta obstrução física por parte de Saif Abu Keshek e Thiago Ávila contra funcionários israelenses, estes foram obrigados a agir para impedir essas ações. Todas as medidas tomadas estavam de acordo com a lei', disse o porta-voz.
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albarés, exigiu a libertação imediata de Abu Keshek, afirmando que não havia provas que o ligassem ao Hamas.
Albarés disse ter informado pessoalmente seu homólogo israelense, Gideon Saar, que a detenção dos ativistas é ilegal, pois Israel não tem jurisdição em águas internacionais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva exigiu a libertação de Abu Keshek e Ávila, dizendo que a detenção do brasileiro 'é uma ação injustificável do governo de Israel, causa grande preocupação e deve ser condenada por todos'.
'A detenção dos ativistas da flotilha em águas internacionais já havia representado uma séria afronta ao direito internacional', disse Lula.
A esposa de Ávila, Lara Souza, disse que seu marido estava no sexto dia de greve de fome e sendo monitorado por médicos. 'Ele está melhor dos ferimentos, mas ainda está muito fraco, e a embaixada está muito preocupada com isso', declarou ela.
Devido às greves de fome, o tribunal ordenou que o Serviço Penitenciário de Israel monitorasse a condição médica dos detidos.
Reuters

