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Na estreia do Conselho da Paz, Trump anuncia compromissos globais para a reconstrução de Gaza

Na estreia do Conselho da Paz, Trump anuncia compromissos globais para a reconstrução de Gaza

Reuters

19/02/2026

Placeholder - loading - Trump realiza primeira reunião do Conselho da Paz em Washington 19/02/2026 REUTERS/Kevin Lamarque
Trump realiza primeira reunião do Conselho da Paz em Washington 19/02/2026 REUTERS/Kevin Lamarque

Atualizada em  19/02/2026

Por Trevor Hunnicutt e Simon Lewis e Steve Holland

WASHINGTON, 19 Fev (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald ​Trump, disse na primeira reunião do seu Conselho da Paz, nesta quinta-feira, que as nações contribuíram com US$7 bilhões para um fundo de reconstrução de Gaza que visa reconstruir o enclave assim que o Hamas se desarmar, um objetivo que está longe de se tornar realidade.

O desarmamento dos militantes do Hamas e a retirada das tropas israelenses, o tamanho do fundo de reconstrução e o fluxo de ajuda humanitária para a população devastada pela guerra em Gaza estão entre as principais questões que provavelmente testarão a eficácia do conselho nos próximos meses.

A reunião em Washington ocorreu em meio a um esforço mais amplo de Trump para construir uma reputação de pacificador. Ela também aconteceu no momento em que os Estados Unidos ameaçam entrar em guerra contra o Irã e iniciaram um grande reforço militar na região, caso Teerã se recuse a desistir de seu programa nuclear.

Entre os membros fundadores do Conselho não estão alguns dos principais aliados ocidentais dos EUA, preocupados com o alcance da iniciativa.

Em uma série de anúncios no final de um longo e sinuoso discurso aos representantes de 47 nações, Trump disse que os Estados Unidos contribuirão com US$10 bilhões para o Conselho da Paz. Ele não disse de ⁠onde viria o dinheiro nem se iria ⁠solicitá-lo ao Congresso dos EUA.

MEMBROS PRINCIPALMENTE DO ORIENTE MÉDIO

Trump disse que as ​nações contribuintes levantaram ‌US$7 bilhões como pagamento inicial para a reconstrução de Gaza. Entre as nações contribuintes estão Cazaquistão, Azerbaijão, Emirados Árabes Unidos, Marrocos, Barein, Catar, Arábia Saudita, Uzbequistão e Kuweit, disse ele. Os membros são em sua maioria países do Oriente Médio, além de líderes de fora da região que podem estar buscando ganhar a simpatia de Trump.

As estimativas para a reconstrução de Gaza, que ficou em ruínas após dois anos de guerra, chegam a US$70 bilhões.

Trump propôs o conselho em setembro, quando anunciou seu plano para acabar com a guerra de Israel em Gaza. ⁠Mais tarde, ele deixou claro que a competência do conselho se expandiria além de Gaza para lidar com outros conflitos em todo o ​mundo, um ponto que ele reiterou na quarta-feira, dizendo que ele investigaria “pontos críticos” ao redor do mundo.

Trump disse que a Fifa arrecadará US$75 milhões para projetos relacionados ao futebol em Gaza ​e que a Organização das Nações Unidas contribuirá com US$2 bilhões para assistência humanitária.

O Conselho da Paz inclui ‌Israel, mas não representantes palestinos. A sugestão de ​Trump de ⁠que o conselho poderia eventualmente abordar desafios além de Gaza gerou ansiedade de que isso poderia minar o papel da ONU como principal plataforma para a diplomacia global e a resolução de conflitos.

“Vamos fortalecer as Nações Unidas”, disse Trump, tentando acalmar seus críticos, mesmo que os Estados Unidos estejam em atraso nos pagamentos.

Trump disse que a Noruega sediaria um evento do Conselho de Paz, mas a Noruega esclareceu que não ​estava se juntando ao conselho.

IRÃ

Mesmo enquanto se apresentava como um homem de paz, Trump ameaçou o Irã.

Trump disse que em 10 dias saberá se um acordo é possível. “Temos que chegar a um acordo significativo”, afirmou.

Trump disse que vários países planejam enviar milhares de soldados para participar de uma Força Internacional de Estabilização que ajudará a manter a paz em Gaza quando for finalmente implantada.

O presidente indonésio, Prabowo Subianto, anunciou que seu país contribuirá com até 8.000 soldados para a força.

O plano para a força é começar a trabalhar em áreas controladas por Israel na ausência do desarmamento do Hamas. A força, liderada ​por um general norte-americano com um vice indonésio, começará na cidade de Rafah, controlada por Israel, e treinará uma nova força policial, com o objetivo final de preparar 12.000 policiais e ter 20.000 soldados.

DESARMAMENTO DO HAMAS É QUESTÃO FUNDAMENTAL

O Hamas, temeroso de represálias israelenses, tem relutado em entregar armas como parte do plano de 20 pontos de Trump para Gaza, que trouxe um frágil cessar-fogo em outubro passado na guerra de dois anos em Gaza.

Trump disse que espera que não seja necessário usar a força para desarmar o Hamas. Ele afirmou que o Hamas prometeu se desarmar e que “parece que eles vão fazer isso, mas teremos que descobrir”.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse em Israel que o Hamas será desarmado de uma forma ou de outra. “Muito em breve, o Hamas enfrentará um dilema: desarmar-se pacificamente ou ser desarmado à força”, disse ele.

Em Gaza, o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, disse em um comunicado que o verdadeiro teste do Conselho da Paz “reside em sua capacidade de obrigar ​a ocupação a interromper suas violações do cessar-fogo, obrigá-la a cumprir suas obrigações e iniciar um esforço genuíno de ajuda humanitária e lançar o processo de reconstrução”.

A reunião do Conselho da Paz teve o clima de ‌um comício da campanha de Trump, com música alta de sua eclética lista ⁠de reprodução, que incluía Elvis Presley e os Beach Boys. Os participantes receberam bonés vermelhos de Trump.

O Hamas, que retomou a administração do enclave em ruínas, diz que está pronto para entregar o poder a um comitê de tecnocratas palestinos apoiado pelos EUA e liderado por Ali Shaath, mas que Israel não permitiu que o grupo entrasse em Gaza. Israel ainda não se pronunciou ⁠sobre essas afirmações.

Nikolay Mladenov, um búlgaro com um papel importante no Conselho de Paz, disse na reunião que 2.000 palestinos se inscreveram ⁠para ingressar em uma nova força policial palestina de transição.

“Temos que acertar isso. Não há plano ⁠B para Gaza. O plano B é ⁠voltar ​à guerra. Ninguém aqui quer isso”, disse o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

(Reportagem de Trevor Hunnicutt, Steve Holland, Simon Lewis, Samia Nakhoul e Nidal al-Mughrabi; reportagem adicional de Steven Scheer e Omri Taasan)

Reuters

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