10 SUCESSOS QUE CHEGARAM AO AUGE HÁ 40 ANOS
DE DIRE STRAITS A MADONNA, 1986 FOI MARCADO POR BALADAS, SYNTH-POP E ALGUNS DOS MAIORES NOMES DOS ANOS 80
João Carlos
15/08/2026
Quarenta anos atrás, as paradas internacionais viviam um daqueles momentos em que estilos muito diferentes conseguiam dividir praticamente o mesmo espaço. O rock sofisticado do Dire Straits encontrava o synth-pop dos Pet Shop Boys, enquanto Madonna, a-ha, Peter Gabriel e The Human League ajudavam a definir o som e, principalmente, a imagem de uma década cada vez mais ligada aos videoclipes.
1986 também foi um ano particularmente forte para as baladas. “Take My Breath Away”, “The Lady in Red” e “Glory of Love” transformaram romance em grandes negócios, enquanto sintetizadores continuavam presentes em boa parte do que chegava às rádios.
Nem todas as músicas desta lista foram lançadas originalmente em 1986. Algumas apareceram nos últimos meses de 1985, mas foi no ano seguinte que alcançaram seu maior impacto comercial nos Estados Unidos ou no Reino Unido.
O portal relembra dez sucessos que ajudam a explicar o que o mundo estava ouvindo há 40 anos.
“Walk of Life” – Dire Straits

Crédito da imagem: Reprodução/Amazon UK
O álbum Brothers in Arms havia chegado em 1985, mas o domínio do Dire Straits estava longe de terminar quando começou o ano seguinte. “Walk of Life” atingiu o segundo lugar da parada britânica em janeiro de 1986 e chegou ao número 7 da Billboard Hot 100 nos Estados Unidos.
A música mostrava um lado mais leve da banda de Mark Knopfler, conduzida por um teclado imediatamente reconhecível. Enquanto isso, Brothers in Arms continuava ocupando as primeiras posições entre os álbuns mais vendidos. O Dire Straits entrou em 1986 como uma das maiores bandas do planeta.
“West End Girls” – Pet Shop Boys

Neil Tennant e Chris Lowe já haviam apresentado “West End Girls”, mas foi em 1986 que a música transformou definitivamente os Pet Shop Boys em estrelas internacionais.
O single chegou ao primeiro lugar no Reino Unido e, em maio, também alcançou o topo da Billboard Hot 100. Com sintetizadores minimalistas, atmosfera noturna e uma interpretação quase falada de Tennant, “West End Girls” mostrava que a música eletrônica podia dominar as paradas sem perder sua estranheza elegante.
Era apenas o começo. O álbum Please colocaria os Pet Shop Boys entre os principais nomes do pop britânico daquela geração.
“The Sun Always Shines on T.V.” – a-ha

Crédito da imagem: Reprodução/Amazon Uk
Depois da explosão de “Take On Me”, o a-ha mostrou que não dependia de apenas uma música.
“The Sun Always Shines on T.V.” chegou ao primeiro lugar no Reino Unido em janeiro de 1986 e entrou no Top 20 americano. Mais dramática e sombria que seu antecessor, a faixa ampliou a identidade musical do trio norueguês.
O sucesso também confirmou algo que já estava ficando evidente: sintetizadores, melodias grandiosas e videoclipes cuidadosamente produzidos haviam se tornado elementos centrais do pop internacional.
“Papa Don’t Preach” – Madonna

Crédito da imagem: Reprodução/Deezer
Em 1986, Madonna já não precisava provar que era uma estrela. O desafio era mostrar até onde poderia ampliar seu domínio.
“Papa Don’t Preach”, do álbum True Blue, chegou ao primeiro lugar tanto nos Estados Unidos quanto no Reino Unido. A narrativa sobre uma jovem grávida que decide enfrentar o pai e manter o bebê provocou discussões que ultrapassaram as páginas dedicadas à música.
Enquanto o debate crescia, o refrão fazia exatamente o mesmo nas rádios. Madonna havia encontrado uma fórmula que marcaria boa parte de sua carreira: transformar uma canção pop em assunto cultural.
“Take My Breath Away” – Berlin

Crédito da imagem: Reprodução/Deezer
Poucas músicas ficaram tão ligadas a um filme quanto “Take My Breath Away” a Top Gun.
Produzida por Giorgio Moroder e interpretada pelo Berlin, a balada chegou ao primeiro lugar da Billboard Hot 100 e também liderou a parada britânica. A música ainda conquistaria o Oscar de Melhor Canção Original no ano seguinte.
O sintetizador lento, a interpretação de Terri Nunn e as imagens de Tom Cruise e Kelly McGillis fizeram o restante. Música e cinema saíram ganhando.
“Sledgehammer” – Peter Gabriel

Crédito da imagem: Reprodução/Spotfy
Peter Gabriel levou sua carreira solo a outro patamar com “Sledgehammer”.
A faixa chegou ao primeiro lugar nos Estados Unidos e ao quarto no Reino Unido, combinando rock, soul e uma produção sofisticada. Mas parte importante de sua história aconteceu diante das câmeras.
O videoclipe, construído com stop motion, animação e diferentes técnicas visuais, tornou-se um dos mais celebrados da história da MTV. Em plena era dos videoclipes, Gabriel mostrou que uma música podia ganhar uma segunda vida quando encontrava a imagem certa.
“Don’t Leave Me This Way” – The Communards

Crédito da imagem: Reprodução/Deezer
Jimmy Somerville já era uma voz conhecida do pop britânico quando formou o The Communards com Richard Coles. Em 1986, a dupla encontrou seu grande momento.
A nova versão de “Don’t Leave Me This Way”, clássico gravado anteriormente por Harold Melvin & the Blue Notes e transformado em sucesso disco por Thelma Houston, ganhou velocidade e uma produção eletrônica típica daquele período.
O resultado foi enorme no Reino Unido: quatro semanas no primeiro lugar e o título de single mais vendido de 1986 no país.
“The Lady in Red” – Chris de Burgh

Crédito da imagem: Reprodução/Amazon
Um vestido vermelho foi suficiente para colocar Chris de Burgh no centro das paradas internacionais.
“The Lady in Red” chegou ao primeiro lugar no Reino Unido e, posteriormente, ao terceiro nos Estados Unidos. A balada tornou-se o maior sucesso da carreira do cantor e uma das músicas românticas mais identificáveis dos anos 80.
Em um período conhecido pelo excesso visual, pelos sintetizadores e pelas grandes produções, Chris de Burgh mostrou que ainda havia muito espaço para uma melodia romântica direta.
“Glory of Love” – Peter Cetera

Crédito da imagem: Reprodução/Spotfy
Pouco depois de deixar o Chicago, Peter Cetera encontrou um enorme sucesso solo.
“Glory of Love” foi associada ao filme The Karate Kid Part II e chegou ao primeiro lugar da Billboard Hot 100. No Reino Unido, alcançou a terceira posição.
A combinação entre cinema e balada romântica funcionou novamente. A música também ajudou a estabelecer Cetera definitivamente como artista solo e tornou-se uma das gravações mais conhecidas de sua carreira.
“Human” – The Human League

Crédito da imagem: Reprodução/Amazon
O The Human League já havia ajudado a levar o synth-pop às grandes paradas no começo da década. Em 1986, o grupo encontrou uma nova forma de atualizar seu som.
Produzida por Jimmy Jam e Terry Lewis, “Human” aproximou os sintetizadores do grupo britânico do R&B americano. A combinação levou a música ao primeiro lugar da Billboard Hot 100 e ao Top 10 britânico.
Era também um sinal de mudança. O synth-pop que havia explodido no início dos anos 80 estava amadurecendo, absorvendo novas influências e deixando de soar como uma novidade tecnológica para se tornar parte natural da música pop.
O som de 1986 não cabia em um única fórmula
Olhando quatro décadas depois, talvez essa seja uma das características mais interessantes daquele ano.
Em janeiro de 1986, era perfeitamente possível encontrar a-ha, Dire Straits e Pet Shop Boys ocupando simultaneamente as primeiras posições britânicas. Poucos meses depois, Madonna dominaria os dois lados do Atlântico, Peter Gabriel alcançaria o primeiro lugar americano e o The Communards terminaria com o single mais vendido do ano no Reino Unido.
Ao mesmo tempo, Berlin, Peter Cetera e Chris de Burgh mostravam a força das grandes baladas, enquanto o Human League atualizava o synth-pop para uma nova fase.
Quarenta anos depois, muitas dessas músicas continuam tocando. E talvez seja justamente esse o melhor teste para medir o tamanho de um sucesso: sobreviver ao ranking que um dia ajudou a conquistar.


