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A TECNOLOGIA QUE MAIS AGRADA NO CARRO É JUSTAMENTE A QUE QUASE NINGUÉM PERCEBE

Pesquisa mostra que funções que facilitam a rotina têm melhor avaliação do que recursos mais sofisticados

Bruna Valle

07/10/2026

Placeholder - loading - Estudo com mais de 68 mil proprietários mostra que recursos simples estão entre os mais bem avaliados pelos motoristas
Estudo com mais de 68 mil proprietários mostra que recursos simples estão entre os mais bem avaliados pelos motoristas

Os carros estão cada vez mais conectados, cheios de telas e capazes de executar tarefas que antes dependiam diretamente do motorista. Mas isso não significa que toda novidade tecnológica esteja melhorando a experiência ao volante.

Um levantamento da J.D. Power mostra justamente o contrário em alguns casos: os recursos que mais agradam podem ser aqueles que trabalham nos bastidores, sem exigir comandos constantes ou chamar atenção para si.

A edição de 2026 do Tech Experience Index avaliou 40 tecnologias presentes em veículos novos e ouviu 68.084 proprietários de modelos 2026 depois de 90 dias de uso. O resultado aponta uma preferência por soluções que tornam a rotina mais simples, em vez de acrescentar complexidade.

Quando a tecnologia simplesmente funciona

Um dos exemplos mais bem avaliados é a chamada ignição inteligente. O sistema identifica as ações do motorista e automatiza o processo de ligar e desligar o veículo.

A tecnologia ficou em primeiro lugar em satisfação geral e registrou apenas 2,4 problemas a cada 100 veículos analisados, um dos índices mais baixos do levantamento. O controle inteligente da temperatura e as preferências personalizadas do motorista também aparecem entre os recursos que combinam boa avaliação com poucos problemas.

Ligar o carro e ajustar a temperatura, estão entre os recursos mais bem avaliados

A lógica por trás desses resultados é simples: o motorista percebe o benefício, mas não precisa ficar pensando em como a tecnologia funciona.

Mais automação nem sempre significa uma experiência melhor

O estudo também encontrou uma diferença curiosa entre sistemas de assistência à condução.

Os recursos classificados como nível 2, que ajudam o motorista mas ainda exigem que ele mantenha as mãos no volante e os olhos na estrada, tiveram desempenho melhor em experiência e execução do que sistemas mais avançados de nível 2+ com condução sem as mãos.

Isso não significa que os motoristas rejeitem a automação. O resultado sugere que, neste momento, mais recursos não garantem necessariamente mais satisfação. A tecnologia precisa ser previsível, fácil de entender e realmente útil durante a condução.

As telas também entram nessa discussão

As telas destinadas ao passageiro da frente são outro exemplo de tecnologia que chama atenção no lançamento, mas ainda não conquistou os proprietários.

Entre as pessoas que têm esse recurso no carro, 35% disseram nunca ter tentado utilizá-lo. Apenas 6% afirmaram usar a tela em todas as viagens. Além disso, o equipamento apresentou uma das maiores taxas de problemas do levantamento: 21,3 ocorrências para cada 100 veículos.

O dado ajuda a explicar uma mudança importante no comportamento do consumidor. Uma função pode parecer impressionante na apresentação de um novo modelo, mas isso não significa que será incorporada à rotina depois que o carro chega à garagem.

O futuro pode ser mais simples

Os resultados não indicam que os motoristas estejam cansados de tecnologia. Pelo contrário: eles mostram que existe espaço para inovação quando ela consegue eliminar pequenas tarefas, reduzir esforço e facilitar a condução.

A diferença está na forma como esses recursos chegam ao usuário. Em vez de exigir novas telas, menus ou comandos, algumas das tecnologias mais bem avaliadas são justamente aquelas que fazem o trabalho de maneira quase invisível.

A inovação, nesse caso, não precisa aparecer o tempo todo. Ela pode simplesmente tornar a experiência de dirigir mais fácil.

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