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Agroconsult vê queda de 11% na exportação de milho do Brasil em 25/26

Agroconsult vê queda de 11% na exportação de milho do Brasil em 25/26

Reuters

25/06/2026

Placeholder - loading - Um trabalhador descarrega grãos de milho de um caminhão para um silo em uma fazenda próxima a Brasília, no Brasil, em 22 de agosto de 2023. REUTERS/Adriano Machado
Um trabalhador descarrega grãos de milho de um caminhão para um silo em uma fazenda próxima a Brasília, no Brasil, em 22 de agosto de 2023. REUTERS/Adriano Machado

SÃO PAULO, 25 Jun (Reuters) - A exportação de milho ​do Brasil em 2025/26 foi estimada nesta quinta-feira em 37 milhões de toneladas, queda de 11,3% em relação ao ciclo passado, na medida em que o país lida com a forte competitividade dos Estados Unidos e da Argentina, enquanto a crescente indústria brasileira de etanol oferece muitas vezes melhores opções de ganhos, avaliaram nesta quinta-feira analistas da Agroconsult.

Por outro lado, o consumo brasileiro de milho, impulsionado em parte pelas usinas de etanol, deverá crescer 7,3% na mesma comparação, para um patamar recorde de 105,5 milhões de toneladas.

Analistas da Agroconsult lembraram que os Estados Unidos colheram uma safra recorde ⁠ano passado, ⁠enquanto a Argentina está tendo a sua ​maior produção ‌em 2026, o que amplia a competitividade dos concorrentes do Brasil, que nos últimos anos apareceu como segundo maior exportador, à frente dos argentinos em terceiro, mas atrás dos norte-americanos.

'O Brasil tem estoques recordes, mas quando olhamos os preços que a indústria de ⁠etanol paga, acima da paridade, estamos perdendo competitividade (na exportação)...', disse Adriano Lo Turco, ​sócio da Agroconsult e gerente da consultoria para o mercado de grãos, ressaltando a grande ​oferta dos países concorrentes.

O Brasil já foi por um ‌breve período, em anos ​recentes, o ⁠maior exportador global, quando exportou 54,4 milhões de toneladas em 2022/23. Em 2023/24, após uma frustração de safra, os embarques caíram para 37,4 milhões de toneladas, segundo os dados.

No ciclo passado (2024/25), quando o Brasil ​colheu um recorde de 152,3 milhões de toneladas, as exportações não passaram de 42 milhões de toneladas, acumulando estoques, o que indica preocupações para produtores em termos de preços.

Lo Turco disse que, pelos estoques abundantes, haveria até um viés de alta para as exportações. 'Mas ele precisa se ​confirmar', acrescentou, lembrando que há desafios ainda para exportar a países como o Irã, importante destino do cereal brasileiro, em meio a maiores custos logísticos por conta da guerra.

Desde maio, as perspectivas de exportações brasileiras foram reduzidas. A consultoria estimava 700 mil toneladas a mais para os embarques do país em 2026 em relação ao número atual, enquanto o consumo interno era 200 mil toneladas menor.

'Trocou um pouco de lado, o que a gente está reforçando é estoques. Se não for ​competitivo e exportar muito mais do que essas 37 milhões de toneladas, estaremos acumulando estoques', disse.

As avaliações ‌foram feitas durante apresentação de previsões da ⁠segunda safra de milho do Brasil, obtidas após o término do Rally da Safra.

Já o sócio-diretor da Agroconsult e coordenador do Rally, André Debastiani, ponderou que a temporada de exportação ⁠brasileira tende a ganhar ritmo no segundo semestre, quando o país ⁠conta com maior oferta da segunda safra.

'Agora ⁠que a exportação de ⁠milho ​começa, a partir de agora que começa o jogo', disse ele.

(Por Roberto Samora; edição de Marta Nogueira)

Reuters

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