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Alta do ouro impulsiona faturamento e exportações do setor mineral brasileiro no 1º tri, diz Ibram

Alta do ouro impulsiona faturamento e exportações do setor mineral brasileiro no 1º tri, diz Ibram

Reuters

15/04/2026

Placeholder - loading - Ornamentos de ouro colocados para polimento em uma oficina de joias 29 de janeiro de 2026 REUTERS/Sahiba Chawdhary
Ornamentos de ouro colocados para polimento em uma oficina de joias 29 de janeiro de 2026 REUTERS/Sahiba Chawdhary

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO, 15 Abr - A ​disparada do ouro no mercado internacional impulsionou o faturamento e as exportações do metal brasileiro no primeiro trimestre, em meio a uma busca global por ativos de proteção e diante de incertezas relacionadas a instabilidades geopolíticas, afirmaram representantes do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), nesta quarta-feira.

O faturamento do minério de ouro no Brasil somou R$13,5 bilhões no primeiro trimestre, alta de 45% na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados pelo Ibram, que representa mineradoras com atuação no Brasil, como Vale, AngloGold Ashanti e Kinross Gold.

As exportações de ouro do Brasil, por sua vez, alcançaram US$2,338 bilhões, salto de 89,3% na ⁠mesma base ⁠de comparação, enquanto o volume embarcado cresceu ​8,7%, para ‌18,3 toneladas, informou o Ibram.

O desempenho refletiu sobretudo a forte valorização do metal no exterior. Segundo o Ibram, o preço médio trimestral do ouro subiu 70,3% em relação ao primeiro trimestre de 2025, para US$4.875,39 por onça troy, em um ambiente de maior aversão ao risco ⁠e incerteza geopolítica.

O presidente interino do Ibram, Pablo Cesário, disse que as tensões geopolíticas ​estão provocando choques de preços e reforçando a busca por ativos de reserva de valor, ​como o ouro.

'Especialmente, talvez, com a queda da credibilidade das ‌criptomoedas, o ouro está ​se tornando, ⁠de novo, o principal produto de reserva de valor', afirmou Cesário, em sua primeira coletiva de imprensa sobre resultados trimestrais após assumir a liderança do instituto de forma interina no início de março.

A alta do ​ouro ajudou a compensar a fraqueza do minério de ferro, principal produto da mineração brasileira, cujo faturamento caiu 3% no período, para R$37,5 bilhões, ainda assim equivalente a 48% da receita total do setor.

No total, o faturamento da mineração brasileira somou R$77,9 bilhões no primeiro trimestre, alta de 6% em ​relação a um ano antes. As exportações do setor alcançaram US$11,4 bilhões, avanço de 21,5%.

PREOCUPAÇÃO

Apesar do impulso trazido pelo ouro, Cesário destacou que o Ibram acompanha com preocupação discussões no Congresso sobre mudanças nas regras de rastreabilidade do metal, por avaliar que substitutivo ao PL 3025/2023 em debate pode abrir espaço para a volta da autodeclaração de origem em pontos de compra.

Segundo Cesário, isso poderia facilitar novamente a entrada de ouro do garimpo ilegal no mercado formal brasileiro.

O substitutivo, segundo o Ibram disse em nota, ainda ​retira da Agência Nacional de Mineração (ANM) a atribuição de rastrear o metal e a transfere para a Casa ‌da Moeda. 'Estamos muito preocupados. Nossa posição é ⁠contra o projeto, do modo como ele está... porque ele significa a retomada da lavagem de ouro ilegal no Brasil', disse Cesário.

Segundo ele, medidas adotadas desde 2023 para exigir maior documentação nas ⁠transações ajudaram a reduzir a comercialização de ouro ilegal no mercado ⁠doméstico. O executivo afirmou que a preocupação é ⁠que uma eventual flexibilização ⁠reverta ​esse movimento justamente quando o metal opera em níveis historicamente elevados.

(Reportagem de Marta Nogueira; edição de Roberto Samora)

Reuters

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