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    ANÁLISE-Diplomacia do vírus: China busca reformular narrativa à medida que surto se torna global

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    Pessoas com máscara de proteção em rua de Pequim 03/03/2020 REUTERS/Thomas Peter

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    Por Keith Zhai e Huizhong Wu

    CINGAPURA/PEQUIM (Reuters) - À medida que novos casos de coronavírus diminuem na China, o país busca polir suas credenciais como nação responsável, compartilhando conhecimentos e equipamentos com países que sofrem um aumento nos casos, em busca de reparar uma imagem internacional afetada pela doença.

    Diplomatas da China se espalharam para enviar uma mensagem de que o país pode controlar o surto, além de fazerem um apelo a outros para aliviar uma proibição de viagens ao povo chinês. Eles deram mais de 400 entrevistas na mídia e publicaram mais de 300 artigos, segundo o Ministério das Relações Exteriores.

    Essa divulgação, que incluiu doações de equipamentos médicos, é parte de um esforço para mudar a narrativa depois que a China foi criticada por uma resposta inicialmente secreta que exacerbou a disseminação do vírus.

    A China está inclusive contestando a crença generalizada de que a doença se originou no país.

    Mais recentemente, a China ganhou aplausos pelo sucesso de suas drásticas medidas de contenção, incluindo o isolamento da província de Hubei, com 60 milhões de habitantes, retardando drasticamente o aumento de novos casos, mesmo com a epidemia se espalhando globalmente.

    'A China está remodelando cuidadosamente sua imagem prejudicada pelo surto, mas o fato de o governo chinês ter atrasado uma resposta oportuna e levado a uma crise internacional tornará a missão quase impossível', disse Alfred Wu, professor associado da Escola Lee Kuan Yew de Políticas Públicas na Universidade Nacional de Cingapura.

    Parte do esforço para reparar danos é o desafio de assumir que o vírus se originou na cidade central de Wuhan, na província de Hubei, onde foi localizado em um mercado que vendia ilegalmente animais silvestres.

    O argumento é de que a China não tem culpa.

    'Casos confirmados de #COVID19 foram encontrados pela primeira vez na China, mas sua origem não é necessariamente na China', disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores Zhao Lijian no Twitter na quinta-feira. 'Ainda estamos rastreando a origem.'

    David Ho, um proeminente pesquisador de AIDS da Universidade de Columbia, afirmou que o coronavírus quase certamente começou na China.

    'Dado o que sabemos sobre Sars, e este, e o que sabemos sobre todos os coronavírus encontrados em outras espécies animais, tenho muito pouca dúvida de que a origem seja a China', disse ele em uma entrevista recente à Voice of America.

    A Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) também foi causada por um coronavírus. A doença surgiu na China e matou 774 pessoas em 2002/03.

    Mais de 98.000 pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus globalmente e mais de 3.300 pessoas morreram, a maioria na China.

    A China tem sido cada vez mais assertiva no cenário global sob o presidente Xi Jinping, mas seu hesitante tratamento precoce do coronavírus ameaçou minar a confiança em Pequim. Com o vírus se espalhando muito mais rapidamente fora da China do que dentro, suas mensagens agora estão expandindo.

    Embora acuse os Estados Unidos de espalhar pânico sobre o vírus, a China também relata um desafio que a humanidade enfrenta e oferece ajuda a países atingidos com mais força, como Irã, Itália e Coreia do Sul. Na semana passada, a China enviou uma equipe médica ao Irã, juntamente com 250.000 máscaras e 5.000 kits de exame.

    Escrito por Reuters

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