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    Anvisa quer limitar o consumo de gordura trans e aponta para perigos

    A recomendação da OMS é que o consumo total desse tipo de gordura seja limitado a menos de 1% do consumo total de energia.

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    Saco de salgadinho (Foto: Pixabay)

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    A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) abriu uma consulta pública para a proposta de adoção de um limite de gordura trans em alimentos. A restrição aconteceria de forma gradual, começando pela implementação de um limite de 2% de AGTI (ácidos graxos trans industriais) sobre o teor total de gordura nos alimentos destinados ao consumidor final. A medida teria um prazo de adequação de 18 meses.

    Com isso, o órgão "pretende propiciar um elevado nível de proteção à saúde da população, sem criar um impacto desproporcional sobre o setor".

    "A proposta decorre da análise de estudos científicos que demonstram que os ácidos graxos trans (AGTs) podem contribuir para o desenvolvimento de várias doenças, com evidências convincentes de que seu consumo acima de 1% do valor energético total afeta muitos fatores de risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares", informou em nota.

    Segundo a Anvisa, não há dúvidas de que o consumo deste tipo de gordura não traz nenhum benefício à saúde, por isso ele deve ser o menor possível. A consulta ficará aberta por 60 dias. 

    A segunda etapa seria banir também o uso de óleos e gorduras parcialmente hidrogenados em alimentos. Esse banimento seria implementado em um prazo adicional de mais 18 meses, após o fim da primeira etapa de restrições.

    Esforço mundial

    As gorduras trans estão presentes entre fabricantes de alimentos fritos, assados e salgadinhos. Elas têm um prazo de validade longo, mas fazem mal para os consumidores, aumentando o risco de doenças cardíacas em 21% e as mortes em 28%, informou a OMS (Organização Mundial da Saúde).

    O plano do órgão internacional, inclusive, é eliminar este tipo de componente dos alimentos até 2023. Por isso, foi lançado, ainda em 2018, o REPLACE, guia com um passo-a-passo para eliminar do suprimento global de alimentos os ácidos graxos trans produzidos industrialmente.

    "A OMS pede aos governos que usem o pacote de ação REPLACE para eliminar os ácidos graxos trans produzidos industrialmente do suprimento de alimentos", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. "A implementação das seis ações estratégicas do REPLACE ajudará a alcançar a eliminação da gordura trans e representará uma importante vitória na luta global contra as doenças cardiovasculares", acrescentou.

    O REPLACE é um pacote de seis ações estratégicas para assegurar a eliminação rápida, completa e sustentável das gorduras trans produzidas industrialmente. São elas:

    • REvisar fontes alimentares com gordura trans produzidos industrialmente e o panorama para as mudanças políticas necessárias.
    • Promover a substituição de gorduras trans produzidas industrialmente por gorduras e óleos mais saudáveis.
    • Legislar ou promulgar ações regulatórias para eliminar gorduras trans produzidas industrialmente.
    • Avaliar e monitorar o teor de gorduras trans no suprimento de alimentos e mudanças no consumo de gordura trans entre a população.
    • Conscientizar sobre o impacto negativo na saúde das gorduras trans entre formuladores de políticas, produtores, fornecedores e o público.
    • Estimular a conformidade de políticas e regulamentos.

    A eliminação de gordura trans foi identificada como uma das metas prioritárias do plano estratégico da OMS, o projeto do 13º General Programme of Work (GPW13, na sigla em inglês), que orientará o trabalho da OMS até 2023.

    "Por que nossos filhos deveriam ter um ingrediente tão inseguro em seus alimentos? O mundo está agora embarcando na Década de Ação da ONU sobre Nutrição, usando-a como uma bússola para melhorar o acesso à alimentação e nutrição saudáveis. A OMS também está usando esse marco para trabalhar com governos, indústria alimentícia, academia e sociedade civil para garantir sistemas alimentares mais saudáveis para as gerações futuras, inclusive eliminando as gorduras trans produzidas industrialmente”, disse Tedros.

    Riscos

    A recomendação da OMS é que o consumo total desse tipo de gordura seja limitado a menos de 1% do consumo total de energia – menos de 2,2 g/dia em uma dieta de 2.000 calorias.

    As gorduras trans aumentam os níveis de colesterol LDL, um biomarcador bem aceito para o risco de doenças cardiovasculares, e diminui os níveis de colesterol HDL, que levam o colesterol das artérias e o transportam para o fígado, que o secreta para a bile.

    Produtos “zero gordura trans”

    O Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), em parceria com a Universidade de São Paulo, avaliou milhares de alimentos industrializados. A conclusão foi que uma parte considerável delas contém a substância mesmo quando a embalagem alega ser “zero trans”.

    Ela foi encontrada em quase 19% dos 11 mil produtos analisados – e apenas 7,4% do total identificou sua presença. Entre os que destacaram ser isentos do ingrediente, 11% dos salgadinhos, 9% de produtos de panificação e 8,4% dos biscoitos, na verdade, carregavam ao menos um pouco da gordura. A investigação foi feita em 2017 e, no momento, o artigo científico está sendo revisado.

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