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Ao rejeitar guerra justa, papa Leão acaba com 'permissão' católica para conflitos

Ao rejeitar guerra justa, papa Leão acaba com 'permissão' católica para conflitos

Reuters

28/05/2026

Placeholder - loading - Papa Leão 14 na Praça de São Pedro, no Vaticano  27 de maio de 2026   REUTERS/Yara Nardi
Papa Leão 14 na Praça de São Pedro, no Vaticano 27 de maio de 2026 REUTERS/Yara Nardi

Por Joshua McElwee

CIDADE DO VATICANO, 28 Mai (Reuters) - O ​papa Leão 14 repudiou esta semana um importante ensinamento usado pela Igreja Católica desde pelo menos o século 5 para avaliar quando os países podem usar justificativas para travar guerras, em uma medida que, segundo especialistas, pode ter um impacto de longo alcance para as potências globais.

A rejeição à doutrina veio no primeiro grande documento do papa, publicado na segunda-feira, que também pediu a regulamentação global dos sistemas de IA e fez o pedido de desculpas mais claro até agora pelo papel histórico da Igreja Católica no apoio à escravidão transatlântica.

'A teoria da 'guerra justa', que tem sido usada ⁠com muita ⁠frequência para justificar qualquer tipo de guerra, ​agora está ‌ultrapassada', escreveu Leão na encíclica, intitulada 'Magnifica Humanitas'.

'A humanidade possui ferramentas muito mais eficazes e capazes de promover a vida humana e resolver conflitos, como o diálogo, a diplomacia e o perdão', disse ele.

O cardeal de Chicago Blase Cupich, um aliado próximo de Leão que ⁠estava no Vaticano para a apresentação do texto na segunda-feira, afirmou à Reuters ​que o papa está preocupado com a forma como a teoria tem sido usada ​pelos líderes mundiais para justificar a guerra.

'Temos que deixar claro ‌que a teoria da ​guerra ⁠justa sempre foi concebida para ser uma restrição, não uma permissão que, infelizmente, alguns estão usando indevidamente para justificar suas decisões de ir à guerra em vez de buscar os caminhos da paz', declarou ​Cupich.

Leão, que adotou um tom mais enérgico nos últimos meses e atraiu a ira do presidente dos EUA, Donald Trump, depois de criticar a guerra no Irã, criticou o número de guerras que assolam o mundo em seu texto e alertou que os lucros da indústria de ​armas são uma força motriz por trás dos conflitos.

A teoria da guerra justa, que em geral diz que as guerras só devem ser travadas para se defender contra agressões, foi invocada por autoridades do governo Trump, incluindo o vice-presidente JD Vance, um católico, para defender a guerra no Irã.

Em abril, depois que a conta oficial do papa no X postou que Deus 'nunca está do lado daqueles que já empunharam a espada', Vance mencionou a teoria da guerra justa em um evento no ​Estado da Geórgia e pediu que o papa 'tivesse cuidado ao falar sobre questões de teologia'.

Anna Rowlands, uma ‌acadêmica britânica que participou da apresentação do documento ⁠do papa no Vaticano na segunda-feira, afirmou à Reuters que Leão está expressando preocupação com 'uma nova era de conflitos em transformação, agora cada vez mais impulsionados pela tecnologia'.

'É uma declaração ⁠forte sobre a necessidade de (a teoria da guerra justa) ser colocada ⁠em um contexto mais amplo e renovado ⁠de critérios para construir ⁠a ​paz e resolver conflitos', disse ela sobre a afirmação do papa de que a teoria está desatualizada.

Reuters

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