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    Revolução sexual dos anos 1960 levou à crise de abusos na Igreja, diz Bento 16

    Por Philip Pullella

    CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O ex-papa Bento 16 atribuiu os escândalos de abusos sexuais na Igreja Católica aos efeitos da revolução sexual dos anos 1960 e a uma decadência geral da moralidade.

    Críticos acusaram o papa emérito de tentar desviar a culpa da Igreja.

    Em um raro ensaio, Bento 16, que durante 23 anos comandou o escritório doutrinal do Vaticano --muito criticado pela maneira como tratou dos casos de abuso sexual--, argumenta que a revolução sexual levou algumas pessoas a acreditarem que a pedofilia e a pornografia são aceitáveis.

    O religioso de 91 anos, que em 2013 se tornou o primeiro papa a renunciar em seis séculos, também alertou que alguns seminários católicos têm uma cultura abertamente gay e por isso não preparam os padres adequadamente.

    'Pode ser dito que, nos 20 anos entre 1960 e 1980, os padrões normativos anteriores sobre sexualidade desmoronaram completamente, e emergiu uma nova normalidade que a esta altura se tornou o tema de tentativas diligentes de perturbação', escreveu Bento 16.

    Bento 16 comandava o escritório doutrinal em 2002, quando os primeiros casos de abuso sexual na Igreja foram expostos na cidade norte-americana de Boston.

    Desde então, escândalos de abusos na Irlanda, Chile, Austrália, França, Estados Unidos, Polônia, Alemanha e outras partes induziram a Igreja a pagar bilhões de dólares de indenizações às vítimas e a obrigaram a fechar paróquias. Muitos casos ocorreram décadas antes dos anos 1960.

    As revelações de que padres predadores muitas vezes eram transferidos de paróquia em paróquia, ao invés de expulsos ou processados criminalmente, já que bispos acobertavam os abusos, abalaram a Igreja globalmente e minaram sua autoridade.

    No final do ano passado, o cardeal australiano George Pell se tornou a autoridade católica mais graduada a ser condenada por delitos de abuso infantil. Seu papel como ex-assessor do papa Francisco levou o escândalo ao cerne da administração papal.

    Bento 16 ofereceu suas avaliações em um longo ensaio publicado na Klerusblatt, revista mensal da Igreja de sua região nativa da Baviera, na Alemanha. Uma autoridade do Vaticano confirmou sua autenticidade.

    'Entre as liberdades pelas quais a Revolução de 1968 tentou lutar está a liberdade sexual desenfreada, que não se curva mais a qualquer norma', escreveu, segundo uma tradução em inglês publicada por vários sites católicos.

    Alguns teólogos usaram o Twitter para criticar Bento 16.

    Massimo Faggioli, professor de teologia da Universidade Villanova, classificou o ensaio como uma 'caricatura' da Igreja pós Concílio do Vaticano II, 'com todas as suas inventividades e alguns erros trágicos'.

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    Papa diz que Igreja deve admitir histórico de dominação masculina e abuso de mulheres

    Por Philip Pullella

    CIDADE DO VATICANO (Reuters) - Ao abordar uma série de escândalos, o papa Francisco disse nesta terça-feira que a Igreja Católica tem que admitir seu histórico de dominação masculina e de abuso sexual de mulheres e crianças, e restaurar a reputação com os jovens, ou corre o risco de se tornar 'um museu'.

    Mas, em um documento importante que demonstra uma admissão parcial de falhas significativas do clero, o papa também disse que a Igreja 'não pode concordar com tudo que certos grupos feministas propõem', em uma referência clara à proibição católica ao ordenamento de mulheres.

    O papa é alvo de críticas devido à reação da Igreja a uma crise de abusos sexuais de décadas que a prejudicou gravemente em todo o mundo e a levou a pagar bilhões de dólares de indenizações.

    Francisco fez o comentário em uma 'Exortação Apostólica' de 50 páginas, que traz suas reflexões sobre os trabalhos de uma reunião de bispos de um mês ocorrida em outubro que tratou do papel dos jovens na Igreja de 1,3 bilhão de seguidores.

    Francisco também exortou os jovens a não se desiludirem com o escândalo de abusos sexuais que atingiu a Igreja, mas trabalharem com a grande maioria de padres e outros membros do clero que se mantiveram fiéis à sua vocação.

    'Uma Igreja viva consegue contemplar a história e reconhecer uma parcela considerável de autoritarismo masculino, dominação, várias formas de escravidão, abuso e violência sexista', disse o pontífice, de 82 anos.

    'Com esta perspectiva, ela consegue apoiar o clamor pelo respeito aos direitos das mulheres e oferecer um apoio convicto a uma reciprocidade maior entre homens e mulheres, embora sem concordar com tudo que certos grupos feministas propõem', ponderou.

    Alguns grupos de mulheres pedem o ordenamento feminino, que a Igreja descartou com o argumento de que Jesus só escolheu homens como apóstolos.

    No mês passado, a redação exclusivamente feminina de uma revista mensal do Vaticano dedicada a temas femininos renunciou abruptamente, dizendo que o novo editor estava tentando limitar sua autonomia e submetê-las a um 'controle masculino direto'.

    A revista publicou uma série de reportagens, inclusive sobre o abuso sexual de freiras por parte de padres e freiras trabalhando de graça como servas de bispos. O editor negou as acusações.

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    Papa visita casa da mãe de Jesus para assinar documento sobre jovens na Igreja

    LORETO, Itália (Reuters) - O papa Francisco assinou um novo documento sobre os jovens durante uma visita feita nesta segunda-feira a um local que alguns católicos acreditam ser a casa da mãe de Jesus Cristo, transportada da Terra Sagrada ao litoral adriático da Itália por anjos pelo ar.

    Francisco foi à cidade de Loreto, que abriga um dos santuários religiosos mais visitados do país, onde rezou uma missa, confortou muitos doentes e assinou um novo documento sobre o papel dos jovens na Igreja.

    Conhecido como 'exortação apostólica', ele é sua avaliação sobre um sínodo de um mês com bispos no Vaticano no ano passado.

    Acredita-se que o texto, atualmente sendo traduzido do original em espanhol, orientará os jovens a não serem obcecados com minúcias doutrinárias, mas a combinarem as regras da Igreja com o ativismo social para ajudar os necessitados. O porta-voz do Vaticano, Alessandro Gisotti, disse que seu título é 'Christus Vivit' (Cristo Vive) e que será publicado em 2 de abril.

    De acordo com a tradição popular, foi na casinha de Loreto que Maria morou em Nazaré e, segundo a Bíblia, recebeu a visita de um anjo que lhe disse que daria a luz a Jesus. A Festa da Anunciação, que acontece nesta segunda-feira, marca o acontecimento.

    A Casa Santa de Loreto, ou Casa Voadora de Loreto, como é conhecida, foi milagrosamente salva por anjos para que não fosse destruída depois que Cruzados cristãos foram expulsos da Palestina no século XIII, diz a tradição.

    Uma explicação mais terrena, também oferecida no site do santuário como alternativa, é que uma família rica de mercadores que reinava sobre o que hoje é parte da Grécia e da Albânia e cujo sobrenome é Angeli (anjos) transportou as pedras de navio.

    Hoje a casa é parte de uma grande basílica que atrai centenas de milhares de peregrinos todos os anos.

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    Cardeal francês é condenado por acobertar abusos sexuais

    PARIS (Reuters) - Um tribunal francês condenou o arcebispo da Igreja Católica de Lyon nesta quinta-feira por não ter reagido a alegações de abuso sexual de escoteiros em sua diocese, impondo uma pena suspensa de seis meses de prisão ao cardeal Philippe Barbarin.

    Ele é o clérigo mais graduado a ser implicado no escândalo de abusos sexuais de crianças dentro da Igreja na França.

    Barbarin foi considerado culpado de não relatar, entre julho de 2014 e junho de 2015, alegações de abusos ocorridos nos anos 1980 e início dos anos 1990 cometidos por um padre que deve ir a julgamento mais tarde neste ano.

    Barbarin, que não estava presente para ouvir o veredicto, contestará a decisão, disseram advogados. 'Veremos vocês aqui em alguns meses para uma apelação', disse o advogado de defesa Jean-Felix Luciani a repórteres do lado de fora da sala do tribunal.

    O cardeal negou ter ocultado as alegações de que o padre Bernard Preynat abusou de dezenas de meninos mais de uma década antes de sua chegada à diocese de Lyon em 2002.

    Preynat admitiu os abusos sexuais, segundo seu advogado.

    Procuradores de Lyon já haviam investigado Barbarin, e desistiram do inquérito em meados de 2016 sem uma explicação detalhada -- mas uma associação de supostas vítimas chamada Parole Liberée (Palavra Liberada) usou uma cláusula de uma lei francesa para forçar o julgamento do cardeal.

    'Isto enviará uma mensagem forte à Igreja e ao papa', disse a vítima de abuso François Devaux, aplaudindo o veredicto.

    O julgamento de Barbarin volta as atenções ao clero europeu no momento em que o papa Francisco está sob fogo cerrado por causa da reação da Igreja a uma crise de abusos sexuais que engolfou a instituição e danificou sua imagem em todo o mundo.

    No mês passado o pontífice encerrou uma conferência sobre abusos infantis do clero pedindo uma 'luta total' contra um crime que deveria ser 'erradicado da face da terra'.

    Vítimas e seus defensores expressaram uma decepção profunda, dizendo que Francisco só repetiu promessas antigas e ofereceu poucas propostas concretas novas.

    Barbarin disse à corte que só tomou conhecimento dos abusos de Preynat em 2014, depois de conversar com uma vítima. Antes disso, afirmou, só tinha ouvido rumores. Ele afastou Preynat do cargo um ano depois, quando as alegações vieram a público.

    O escândalo é o tema de 'Graças a Deus', filme de François Ozon que conquistou o Urso de Prata do Grande Júri do Festival Internacional de Cinema de Berlim no mês passado.

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    Processo de apelação de ex-tesoureiro do Vaticano irá começar em junho

    MELBOURNE (Reuters) - O ex-tesoureiro do Vaticano, o cardeal George Pell, enfrentará, ao menos, mais três meses de prisão por crimes sexuais com crianças antes de seu pedido de autorização para apelar ser ouvido em 5 e 6 de junho.

    Pell, da Austrália, é o padre católico de mais alto escalão do mundo a ser condenado por crimes sexuais contra crianças.

    Ele foi considerado culpado por um júri em Victoria, em dezembro, por uma acusação de violência sexual contra um menino de 13 anos e quatro acusações de atos indecentes contra o mesmo garoto e outro de 13 anos. Os eventos teriam ocorrido há 22 anos.

    O veredito não fora divulgado até a semana passada, quando uma ordem de supressão do caso foi suspensa em resposta a novas acusações contra o cardeal de 77 anos.

    Sua fiança foi revogada uma semana antes de sua sentença ser deliberada em 13 de março. Ele enfrenta um máximo de 10 anos de prisão por cada uma das acusações.

    O Tribunal de Recursos disse na quarta-feira que uma audiência sobre o pedido de autorização para apelar foi marcada para 5 e 6 de junho.

    Pell está apelando de sua condenação por três motivos: os vereditos foram 'irracionais', o juiz errou ao não permitir que a defesa mostrasse um vídeo em seu discurso de encerramento e havia 'uma irregularidade fundamental', pois o acusado não foi indiciado na presença do painel de jurados.

    O pedido diz que o júri não poderia ter atestado a culpa de Pell para além de uma dúvida razoável, já que o caso da acusação foi baseado inteiramente na palavra de um acusador, e mais de 20 testemunhas deram 'provas de defesa incontestável'.

    A outra vítima do caso morreu em 2014.

    (Reportagem de Sonali Paul)

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    Tesoureiro do Vaticano é condenado por abuso sexual de meninos de 13 anos

    Por Sonali Paul

    MELBOURNE (Reuters) - O tesoureiro do Vaticano, cardeal George Pell, foi considerado culpado de cinco acusações de abuso sexual cometidas mais de duas décadas atrás contra meninos de 13 anos na Austrália, tornando-se o clérigo católico mais graduado a ser condenado por delitos sexuais contra crianças.

    O veredicto tornou-se público nesta terça-feira, após a revogação de uma ordem de supressão de 2018 de Pell, depois que um segundo caso de abuso contra o religioso foi descartado pela acusação.

    A queda do número 3 do Vaticano leva ao cerne da administração papal um escândalo sobre abusos clericais que abalou a credibilidade da Igreja nos Estados Unidos, Chile, Austrália e outras partes nas últimas três décadas.

    Um júri do tribunal do condado de Vitória, em Melbourne, considerou Pell culpado em 11 de dezembro do ano passado após um julgamento de um mês.

    Ele foi condenado por cinco acusações de delitos sexuais cometidos contra os meninos de 13 anos do coral 22 anos antes na sacristia da Catedral de São Patrício de Melbourne, onde Pell era arcebispo. Uma das vítimas morreu em 2004.

    Cada um dos cinco delitos implica um máximo de 10 anos de prisão. Os advogados de Pell apresentaram uma apelação contra o veredicto com três argumentos – que, se aceita, pode levar a um novo julgamento.

    'O cardeal Pell sempre alegou inocência e continua a fazê-lo', disse Paul Galbally, um dos advogados de Pell, diante da corte.

    Pell, que continua sob fiança, deixou o tribunal nesta terça-feira sem falar com os repórteres, que o cercaram enquanto ele seguia da escadaria da corte para um carro que o aguardava.

    Um sobrevivente de abuso infantil, que se identificou como Michael Advocate, já que a lei australiana veta a divulgação de seu nome verdadeiro, gritou para Pell: 'Queime no inferno'.

    O cardeal deve voltar à corte na quarta-feira para o início da audiência de declaração de sua pena.

    O papa Francisco encerrou uma conferência sobre abusos sexuais no domingo, pedindo uma 'batalha total' contra um crime que deveria ser 'apagado da face da terra'.

    Em dezembro o Vaticano disse que Francisco havia afastado Pell, de 77 anos, de seu grupo de conselheiros próximos, sem comentar o julgamento.

    O Colégio São Patrício, escola de Ballarat, a cerca de 120 quilômetros de Melbourne, que Pell frequentou na infância disse que retirará seu nome de um edifício que foi batizado em sua homenagem.

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    Papa diz esperar que viagem à Península Arábica ajude relações entre islâmicos e cristãos

    Por Philip Pullella

    CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O papa Francisco disse nesta quarta-feira que espera que sua viagem histórica à Península Arábica ajude a dissipar a ideia de um choque de civilizações inevitável entre o cristianismo e o islamismo.

    Francisco voltou a Roma na terça-feira depois de visitar os Emirados Árabes Unidos --em Abu Dhabi ele rezou a maior missa pública já realizada na península, que é o berço do Islã.

    'Em uma era, como a nossa, na qual existe uma tentação forte para ver um choque entre a civilização cristã e a islâmica, e até de considerar as religiões como fontes de conflito, queríamos enviar outro sinal claro e decisivo de que o encontro é possível', disse ele em sua audiência geral de rotina.

    Ele se referia a um documento que assinou com o xeique Ahmad el-Tayeb, grande imã da mesquita e universidade egípcia de Al-Azhar, uma das instituições teológicas e educativas mais respeitadas do islamismo.

    O papa disse que o 'Documento sobre a Fraternidade Humana' prova que 'é possível respeitar um ao outro e dialogar, e que apesar das diferenças de cultura e tradições, os mundos cristão e islâmico prezam e protegem valores comuns'.

    Assinado na segunda-feira, o documento pede que 'todos os envolvidos parem de usar as religiões para incitar o ódio, a violência, o extremismo e o fanatismo cego e evitem usar o nome de Deus para justificar atos de assassinato, exílio, terrorismo e opressão'.

    O papa convidou todos a lerem o documento, dizendo que ele oferecerá ideias sobre como indivíduos podem trabalhar pela tolerância e pela coexistência.

    Católicos ultraconservadores vêm se opondo ao diálogo com o islamismo, e alguns dizem que seu objetivo final é destruir o Ocidente.

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    Dezenas de milhares lotam estádio para primeira missa papal na Península Arábica

    Por Philip Pullella e Stanley Carvalho

    ABU DHABI (Reuters) - Dezenas de milhares de católicos e vários milhares de muçulmanos compareceram, nesta terça-feira, a uma missa pública inédita na Península Arábica do papa Francisco, o primeiro pontífice a visitar a região.

    Mais de 120 mil fiéis lotaram o estádio da Cidade Esportiva de Zayed e seus arredores em Abu Dabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, para ver o papa, que viajou ao país do Golfo Pérsico para promover o diálogo inter-religioso.

    Os Emirados abrigam cerca de metade dos dois milhões de católicos expatriados que vivem na península, que inclui a Arábia Saudita, o berço do islamismo. A comunidade inclui grandes contingentes das Filipinas e da Índia.'Certamente não é fácil para vocês viverem longe de casa, sentindo falta da afeição de seus entes queridos, e talvez também sentindo incerteza sobre o futuro', disse o papa, pedindo aos presentes para se inspirarem em Santo Antônio Abade, fundador do monacato no deserto.'O Senhor se especializa em fazer coisas novas: ele pode até abrir caminhos no deserto', disse ele ao final de uma viagem durante a qual se encontrou com o grande imã da mesquita de Al-Azhar, no Egito, e com líderes dos Emirados.Francisco entrou no estádio em um jipe branco sem teto e foi saudado com entusiasmo pela plateia. Pessoas usando bonés de beisebol brancos com o logotipo da visita lotavam as arquibancadas e tiravam fotos com seus smartphones.Milhares de pessoas saudavam e acenavam com bandeiras do Vaticano enfileiradas na entrada do estádio, tendo a Grande Mesquita do Xeique Zayed e os arranha-céus de Abu Dabi como pano de fundo.'Para mim, como cristão, este é um dos dias mais importantes da minha vida', disse Thomas Tijo, de 44 anos, que é natural de Kerala, Estado do sul indiano, mora nos Emirados e viajou de ônibus de madrugada para ir ao estádio.'Estamos longe de casa, e isso é como um cobertor aconchegante', disse ele segurando o filho de três anos, Marcus.Organizadores disseram estar esperando católicos de cerca de 100 nações na missa, além de cerca de 4 mil muçulmanos, incluindo autoridades do governo.O papa, que chegou no domingo a convite do príncipe herdeiro de Abu Dabi, aproveitou a visita para repudiar guerras regionais, inclusive a do Iêmen, o país mais pobre da península, onde os Emirados estão envolvidos com uma coalizão militar de liderança saudita. Ele também pediu mais cooperação entre católicos e muçulmanos.Durante o serviço o papa se pronunciou em italiano e inglês, que é amplamente falado nos Emirados, onde os expatriados superam os nativos em uma proporção de nove para um.(Reportagem adicional de Sylvia Westall e Stephen Kalin, em Riad)

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    Papa Francisco alerta sobre ressurgimento do nacionalismo e faz apelo por ajuda a imigrantes

    Por Philip Pullella

    CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O papa Francisco fez um alerta nesta segunda-feira contra o ressurgimento de movimentos nacionalistas e populistas, e criticou países que tentam solucionar crises migratórias com ações unilaterais ou isolacionistas.

    O papa, falando a diplomatas em um discurso anual conhecido informalmente como seu pronunciamento sobre o “estado do mundo”, sugeriu que movimentos do tipo e políticas de portas fechadas estão voltando 100 anos no tempo, para o perigoso período entre as guerras mundiais.

    Os relacionamentos da comunidade internacional “estão passando por um período de dificuldade, com o ressurgimento de tendências nacionalistas”, dificultando o diálogo entre países e prejudicando os membros mais vulneráveis da sociedade, incluindo os imigrantes, disse o papa.

    Partidos populistas e anti-imigração cresceram em diversos países no ano passado, incluindo na Itália, França, Holanda, Hungria, Brasil e Polônia.

    Nos Estados Unidos, uma paralisação parcial do governo entrou em sua terceira semana, à medida que o presidente Donald Trump se recusa a ceder em sua exigência por um muro ao longo da fronteira do país com o México.

    Em um discurso de uma hora, Francisco mencionou diversas vezes a Liga das Nações, que foi criada após a Primeira Guerra Mundial para promover a paz, mas não foi capaz de impedir os movimentos nacionalistas e populistas que ajudaram a desencadear a Segunda Guerra Mundial.

    “O reaparecimento desses impulsos hoje está progressivamente enfraquecendo o sistema multilateral”, disse Francisco a enviados de 183 nações durante o discurso, que se referiu a situação de diversos países.

    Francisco elogiou o Pacto Global sobre Migração da ONU que estabelece objetivos para administrar a movimentação de pessoas. Os Estados Unidos, Itália, Hungria e Polônia estão entre os países que boicotaram a reunião realizada em Marrocos no ano passado para firmar o acordo, enquanto o presidente Jair Bolsonaro anunciou que vai retirar o Brasil do acordo.

    O papa condenou novamente o comércio e posse de armas nucleares, lamentando que esforços passados para chegar ao desarmamento nuclear tenham sido substituídos pela “busca por novas e cada vez mais sofisticadas e destrutivas armas”.

    Ele pediu um compromisso mais decisivo com o combate ao aquecimento global e uma “reconsideração de nosso relacionamento com nosso planeta”.

    Chamando o abuso sexual de crianças de “uma das pragas de nosso tempo”, Francisco disse que uma reunião de importantes bispos no Vaticano em fevereiro terá como objetivo “lançar total luz aos fatos e aliviar as feridas causadas por esses crimes”.

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    Em mensagem de Natal, papa exorta padres que cometeram abusos a se entregarem

    Por Philip Pullella

    CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O papa Francisco exortou nesta sexta-feira padres que abusaram sexualmente de menores de idade a se entregarem, em uma das afirmações mais contundentes do pontífice sobre a crise que assola a Igreja Católica.

    'Àqueles que abusam de menores eu diria isto: convertam-se e se entreguem à Justiça humana, e se preparem para a justiça divina', disse Francisco em sua mensagem de Natal tradicional à Cúria, a administração central do Vaticano.

    Embora não tenha ficado claro de imediato se o papa se referia ao sistema judicial da Igreja ou à Justiça civil, ou a ambas, fontes do Vaticano acreditam que foi a primeira vez que o pontífice fez um apelo tão direto.

    Francisco, que já usou sua mensagem de Natal para denunciar casos de corrupção e má administração da Cúria, desta vez se concentrou na crise global de abusos sexuais.

    'Que fique claro que, diante destas abominações, a Igreja não poupará esforços para fazer todo o necessário para levar à Justiça todo aquele que tiver cometido tais crimes. A Igreja jamais tentará silenciar ou não encarar seriamente nenhum caso', afirmou.

    Ele reconheceu que a Igreja cometeu erros graves no passado, mas prometeu fazer dos 'erros passados oportunidades para eliminar este flagelo' tanto da instituição quanto da sociedade em geral.

    'É inegável que no passado alguns, por irresponsabilidade, descrença, falta de preparo, inexperiência ou miopia espiritual e humana trataram muitos casos sem a seriedade e a prontidão devidas. Isso jamais deve acontecer novamente. Esta é a escolha e a decisão de toda a Igreja'.

    Francisco convocou os chefes de cerca de 110 conferências nacionais de bispos católicos e dezenas de especialistas e líderes de ordens religiosas ao Vaticano para uma reunião extraordinária dedicada aos abusos sexuais entre os dias 21 e 24 de fevereiro.

    As vítimas de abusos esperam que o encontro finalmente produza uma diretriz clara para responsabilizar os próprios bispos caso não lidem adequadamente com casos de abuso em suas regiões.

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    Bispo de Los Angeles renuncia devido à acusação de abuso sexual

    Por Philip Pullella

    CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O papa Francisco aceitou a renúncia de um bispo de Los Angeles acusado de abusar sexualmente de um menor de idade, afirmou o Vaticano nesta quarta-feira, no mais recente caso do tipo a abalar a Igreja Católica nos Estados Unidos.

    Um breve comunicado do Vaticano disse que Alexander Salazar, de 69 anos, estava renunciando ao cargo de bispo assistente em Los Angeles. O Vaticano também divulgou uma carta sobre o caso de Salazar escrita pelo atual arcebispo de Los Angeles, Jose Gomez.

    A Igreja Católica no Estados Unidos ainda está se recuperando do relatório de um grande júri norte-americano que revelou que 301 padres do Estado da Pensilvânia haviam abusado sexualmente de menores durante um período de 70 anos.

    Em fevereiro, o Vaticano realizará uma grande reunião sobre a crise global de assédio sexual que tem abalado a Igreja.

    A carta de Gomez aos fiéis disse que, em 2005, um ano após Salazar se tornar bispo, a arquidiocese ficou ciente de uma acusação, segundo a qual o religioso teria se envolvido em 'má conduta com um menor' quando era padre de uma paróquia nos anos 1990.

    A polícia investigou o caso, mas a Procuradoria de Los Angeles não entrou com um processo, disse a carta, acrescentando que Salazar, originalmente da Costa Rica, 'tem constantemente negado qualquer má conduta'.

    A Comissão de Revisão de Má Conduta Clériga independente da arquidiocese considerou as alegações 'críveis' e informou o Vaticano.

    A carta da arquidiocese não explicou porque o processo entre a acusação inicial e a renúncia desta quarta-feira durou 13 anos.

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    Não culpem os imigrantes por tudo, diz papa a políticos

    Por Philip Pullella

    CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O papa Francisco criticou nesta terça-feira líderes nacionalistas que culpam os imigrantes pelos problemas dos próprios países e fomentam a desconfiança na sociedade buscando ganho desonesto e promovendo políticas xenófobas e racistas.

    O pontífice de 82 anos, que fez da defesa dos imigrantes um pilar de seu papado, fez os comentários em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz da Igreja Católica, em 1º de janeiro, que é enviada a chefes de Estado e de governo e a organizações internacionais.

    A mensagem chega em um momento no qual a imigração é uma das questões mais polarizadoras em países como Estados Unidos, Itália, Alemanha e Hungria.

    Francisco já trocou farpas com o presidente norte-americano, Donald Trump, e o político italiano de direita, Matteo Salvini, por causa dos direitos dos imigrantes.

    'Discursos políticos que tendem a atribuir todo o mal aos imigrantes e a privar os pobres de esperança são inaceitáveis', disse o papa, que não mencionou qualquer país ou líder.

    Ele disse que os tempos atuais estão 'marcados por um clima de desconfiança enraizado no medo dos outros ou de estrangeiros, ou na angústia a respeito da própria segurança pessoal'.

    Francisco disse ser triste que a desconfiança 'também seja vista no nível político, em atitudes de rejeição ou formas de nacionalismo que criam dúvidas sobre a fraternidade de que nosso mundo globalizado tem tanta necessidade'.

    Na semana passada o papa elogiou o primeiro Pacto Global para a Migração da Organização das Nações Unidas (ONU), que estabelece objetivos para o aprimoramento da administração da migração.

    Várias nações, inclusive EUA, Itália, Hungria e Polônia, não foram à reunião no Marrocos, enquanto o presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, anunciou que vai retirar o país do pacto.

    Francisco denunciou uma lista de 'vícios' de políticos que disse terem minado a democracia autêntica e desgraçado a vida pública através de várias formas de corrupção.

    Entre eles, incluiu a malversação de recursos públicos, o ganho desonesto, a xenofobia, o racismo, a falta de preocupação com o meio ambiente e a pilhagem de recursos naturais.

    Ele propôs oito 'Beatitudes do Político' --formuladas primeiramente pelo falecido cardeal vietnamita François-Xavier Nguyen Van Thuan-- como um guia para o comportamento daqueles que ocupam cargos públicos.

    Estas, afirmou, estabeleceriam metas para políticos que, entre outras qualidades, deveriam ter uma compreensão profunda de seu papel, exemplificar pessoalmente a credibilidade, trabalhar pelo bem comum e realizar mudanças radicais.

    ((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))

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