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Atlas, da BlackRock, congela US$1 bi em investimentos em energias renováveis no Brasil

Atlas, da BlackRock, congela US$1 bi em investimentos em energias renováveis no Brasil

Reuters

03/06/2026

Placeholder - loading - Usina solar Quilapilun, da Atlas Renewable Energy, no Chile, em 19 de julho de 2017. REUTERS/Ivan Alvarado/Foto de arquivo
Usina solar Quilapilun, da Atlas Renewable Energy, no Chile, em 19 de julho de 2017. REUTERS/Ivan Alvarado/Foto de arquivo

Por Sudarshan Varadhan e Colleen Howe

XANGAI, 3 Jun (Reuters) - ​A Atlas Renewable Energy, uma das maiores geradoras de energia limpa da América do Sul, suspendeu planos de US$1 bilhão em novos investimentos no Brasil, conforme uma quantidade cada vez maior de energia renovável tem sido rejeitada na operação do sistema elétrico brasileiro, disse o presidente-executivo Carlos Barrera.

A Atlas, de propriedade da unidade Global Infrastructure Partners (GIP), da BlackRock, havia planejado os empreendimentos no ano passado e neste ano, disse Barrera, observando que os cortes de geração chegaram a 15%-25% para as usinas existentes da companhia no trimestre de junho.

O corte de geração, chamado tecnicamente de 'curtailment', refere-se à quantidade ⁠de energia ⁠solar ou eólica que poderia ter sido ​produzida, mas ‌que foi rejeitada preventivamente porque a rede elétrica atingiu seus limites.

'Há pelo menos ... 1.5 gigawatt que colocamos em espera no Brasil, onde já havíamos planejado iniciar a construção', disse ele à Reuters à margem da conferência fotovoltaica SNEC em Xangai.

Apesar de vários países estarem ⁠mais dispostos a adotar as energias renováveis em suas matrizes para se proteger ​de interrupções no fornecimento de energia devido à guerra no Irã, os cortes de ​energia renovável continuam sendo um grande gargalo para esses planos ‌em uma ampla gama ​de ⁠países, incluindo Austrália, Japão, Índia e Chile.

DESENHO DO MERCADO AUMENTA DOR DOS GERADORES EM DIFICULDADES

As empresas de energia renovável no Brasil que tiveram sua produção rejeitada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acabam tendo ​que comprar energia adicional, e mais cara, para honrar seus contratos.

Esse desenho de mercado tornou mais doloroso o excesso de energia solar no quinto maior mercado eólico e solar do mundo, disse Barrera.

'Você está sendo restringido, mas está comprando energia a um custo duas vezes maior... é ​isso que tem sido problemático.'

No mês passado, a Fitch Ratings atribuiu perspectivas negativas para as finanças de 11 projetos brasileiros de energia renovável, dizendo que o corte continuaria até 2030 e afetaria o fluxo de caixa, o serviço da dívida e a liquidez. Os cortes médios em projetos classificados pela Fitch aumentaram para 7%-25% em 2025, de 6%-12% em 2024.

Barrera não espera que as mudanças no atual desenho do mercado sejam abordadas antes de 2028, com as eleições previstas para o ​final deste ano, mas ele prevê que os cortes cairão gradualmente à medida que o ritmo da ‌adição de capacidade solar diminuir e a demanda ⁠continuar a crescer.

A rápida expansão das energias renováveis sem que a construção de linhas de transmissão acompanhe esse ritmo levou as empresas de energias renováveis a reduzir suas operações e ⁠cortar empregos.

'O verdadeiro problema é o excesso de capacidade de energia ⁠solar. Mesmo que você conserte todos os ⁠problemas de transmissão no ⁠Brasil, ​você ainda terá excesso de capacidade, você ainda terá cortes', disse Barrera.

(Reportagem de Sudarshan Varadhan e Colleen Howe)

Reuters

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