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Axia descarta crise estrutural de liquidez de energia e não vê razão para mudança em preços

Axia descarta crise estrutural de liquidez de energia e não vê razão para mudança em preços

Reuters

07/05/2026

Placeholder - loading - O logotipo da empresa brasileira de energia Axia Energia é exibido em seu escritório no Rio de Janeiro 23 de outubro de 2025 REUTERS/Marta Nogueira
O logotipo da empresa brasileira de energia Axia Energia é exibido em seu escritório no Rio de Janeiro 23 de outubro de 2025 REUTERS/Marta Nogueira

Atualizada em  07/05/2026

Por Leticia Fucuchima

SÃO PAULO, 7 Mai (Reuters) - A ​Axia Energia não enxerga uma crise estrutural de liquidez no mercado brasileiro de comercialização de energia, sendo que as dificuldades relatadas por alguns agentes tendem a ser motivadas mais pelo aumento dos riscos de contraparte na compra e venda de energia, disse nesta quinta-feira o vice-presidente de Regulação, Institucional e Mercado da companhia, Rodrigo Limp.

Em teleconferência para comentar os resultados trimestrais da companhia, o executivo afirmou que pode haver uma crise 'conjuntural', no contexto da piora da situação financeira das comercializadoras, com várias casas reconhecidas no mercado tendo ⁠deixado ⁠de honrar compromissos ou entrado em ​recuperação judicial ‌nos últimos dois anos.

'Nós temos subido o nosso critério de avaliação, inclusive da capacidade econômico-financeira com quem a gente comercializa, especialmente quando a gente olha horizontes de mais longo prazo', afirmou Limp.

Essa postura mais restritiva para fechar negócios ⁠de compra e venda de energia tem sido adotada por várias elétricas, ​como Copel, Auren e Cemig, que detêm parte importante da geração de energia ​no país -- e, portanto, do lastro para os ‌contratos de comercialização.

O debate ​sobre ⁠um problema de liquidez no setor de energia brasileiro se intensificou nos últimos meses e tem sido capitaneado sobretudo pelas comercializadoras, principalmente as independentes, não ligadas aos grandes grupos do ​setor elétrico.

Na visão das comercializadoras, parte da falta de liquidez vem da precificação de energia no Brasil, feita por modelos matemáticos. Uma mudança promovida no início do ano passado aumentou a aversão a risco do modelo que baseia a operação do ​setor elétrico brasileiro, o que teria tornado os preços de energia 'totalmente imprevisíveis', segundo essas empresas.

Inicialmente o problema de liquidez foi encarado como uma questão do mercado empresarial, no qual o governo ou a regulação não poderiam intervir. Mas a agência reguladora Aneel reconheceu na última semana que o tema pede uma análise mais profunda, já que começou a impactar os consumidores.

Limp, da Axia, disse não ver sustentação técnica ou jurídica que justifique ​eventuais mudanças nos parâmetros do modelo em função da piora de liquidez no mercado de ‌comercialização.

'O processo de formação de preço ⁠é completamente descolado da posição comercial dos agentes... então o fato de o setor estar com menor ou maior liquidez não influencia, em nenhuma hipótese', afirmou, nesta ⁠quinta-feira.

Ele acrescentou ainda que a Axia defende a manutenção ⁠do parâmetro atual de aversão a risco ⁠do modelo, considerado ⁠como 'mais ​adequado para segurança energética e custos para o sistema'.

(Por Letícia Fucuchima; edição de Roberto Samora)

Reuters

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