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BC corta Selic a 14,25% e sugere mais tempo para atingir meta de inflação

BC corta Selic a 14,25% e sugere mais tempo para atingir meta de inflação

Reuters

17/06/2026

Placeholder - loading - Imagem captada por um drone mostra o prédio da sede do Banco Central durante o pôr do sol em Brasília, Brasil, em 11 de junho de 2024.  REUTERS/Adriano Machado
Imagem captada por um drone mostra o prédio da sede do Banco Central durante o pôr do sol em Brasília, Brasil, em 11 de junho de 2024. REUTERS/Adriano Machado

Atualizada em  17/06/2026

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA, 17 Jun (Reuters) - O Banco Central decidiu nesta quarta-feira cortar a taxa ​Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,25% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto ao argumentar que avalia trajetórias de juros 'alternativas' para atingir a meta de inflação em um horizonte um pouco mais distante.

O BC afirmou em comunicado que a restrição acumulada da política monetária permite agora diferentes dosagens de juros para levar a inflação à meta, mas ponderou que a trajetória necessária para assegurar essa convergência no quarto trimestre de 2027, atual horizonte relevante para o BC, faria a inflação projetada a partir desse período ficar abaixo do alvo de 3%.

'Nessas condições, o Comitê avalia que trajetórias alternativas garantindo a convergência da inflação à meta no primeiro trimestre de 2028, o horizonte relevante a partir de sua próxima decisão, são compatíveis com a suavização na variação dos agregados macroeconômicos”, disse o Comitê de Política Monetária (Copom).

No documento, a autarquia apontou que o cenário atual é caracterizado por forte aumento da incerteza e reafirmou 'serenidade e cautela na condução da política monetária'.

'O Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida ⁠à luz de novas informações ⁠visando assegurar a convergência da inflação à meta', apontou o Copom.

O ​economista do banco ‌BV, Carlos Lopes, afirmou que a autarquia decidiu antecipar “uma extensão do horizonte relevante', o que justificou o corte de 0,25 ponto percentual mesmo em meio à piora do cenário inflacionário.

“Essa decisão do Banco Central e essa sinalização futura nos leva a acreditar que o BC tem uma preferência neste momento por continuar no ciclo de corte de juros”, disse.

Para Leonardo Costa, economista do ASA, o BC adota postura “claramente dovish” (menos dura no combate à inflação) ao mudar seu horizonte para ⁠abrir a porta para reduções da Selic.

“Abriu-se uma possibilidade (grande) de o Banco Central seguir em seu ciclo de calibragem de juros, ​cortando novamente na reunião de agosto”, avaliou.

Esse foi o terceiro corte consecutivo de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros após o BC iniciar em ​março o chamado ciclo de “calibragem” da Selic, que ainda está em nível historicamente alto, mas o ‌mais baixo desde maio do ano passado, ​quando também ⁠estava em 14,25%.

A decisão veio em linha com o esperado pelo mercado. Em pesquisa da Reuters, 41 dos 45 economistas entrevistados entre 12 e 15 de junho projetaram que o BC cortaria a Selic em 0,25 ponto neste mês, enquanto quatro esperavam manutenção.

VISÃO PIOR PARA INFLAÇÃO

Enquanto as expectativas de mercado para a inflação seguem aumentando, o BC também piorou sua ​própria projeção para 2026 em relação a abril, de 4,6% para 5,2%, bem acima do teto da meta, considerando o cenário de referência, que segue projeções de mercado para os juros. Em relação ao quarto trimestre de 2027, atual horizonte relevante da política monetária, a expectativa ficou em 3,7%, contra 3,5% antes.

Para fazer as projeções do cenário de referência, o Copom considerou uma taxa de câmbio que parte de R$5,10, ante patamar de R$5,00 usado na última reunião.

A meta contínua de inflação é de 3% no acumulado ​em 12 meses, com margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos.

Apesar de afirmar que seu balanço de riscos para a inflação à frente tem chances elevadas tanto de alta quanto de baixa, a autoridade monetária passou a prever quatro fatores de pressão para cima e três para baixo.

Sem citar políticas recentes do governo como as de estímulo ao crédito, o BC elencou um novo risco de alta relacionado a “estímulos à demanda”, “em particular ao componente de consumo”, que causem crescimento da atividade acima do potencial e enfraqueçam a transmissão da política monetária.

Já no risco de alta relacionado a uma desancoragem prolongada das expectativas de mercado, a autarquia mencionou novamente o choque do petróleo e adicionou “efeitos climáticos”, em meio a expectativas sobre impactos do fenômeno El Niño.

Sobre a economia no Brasil, o BC disse que indicadores mostram aceleração da atividade no ​primeiro trimestre, com setores mais cíclicos voltando a desempenhar papel significativo, e mercado de trabalho ainda com sinais de resiliência. A inflação corrente, por sua vez, acelerou e se distanciou ‌adicionalmente da meta, disse o comunicado.

A decisão do Copom foi tomada de ⁠forma unânime pelo colegiado, em reunião realizada mais uma vez com desfalque, contando com sete dos nove membros. Duas cadeiras do colegiado estão vagas desde o início do ano, após o término de mandatos de diretores, sem que o governo tenha indicado nomes para os cargos.

Mais cedo nesta quarta, o Federal Reserve manteve sua taxa básica ⁠de juros dos EUA estável, com parte dos formuladores de política monetária do país prevendo um aumento na ⁠taxa ainda este ano, em meio a preocupações crescentes com a inflação.

No documento, o ⁠BC afirmou que o cenário externo ⁠permanece ​incerto diante da indefinição sobre os termos do acordo para o fim do conflito no Oriente Médio e os efeitos já materializados dessa guerra.

(Por Bernardo Caram, edição de Isabel Versiani)

Reuters

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