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BC diz que materialização de risco aumentou no crédito às famílias

BC diz que materialização de risco aumentou no crédito às famílias

Reuters

25/05/2026

Placeholder - loading - Prédio do Banco Central em Brasília 26 de dezembro de 2024 REUTERS/Ueslei Marcelino
Prédio do Banco Central em Brasília 26 de dezembro de 2024 REUTERS/Ueslei Marcelino

Atualizada em  25/05/2026

SÃO PAULO/BRASÍLIA, 25 Mai (Reuters) - O Banco Central afirmou nesta ​segunda-feira que a materialização de risco aumentou no crédito às famílias e manteve-se relativamente estável no crédito às empresas, de acordo com o Relatório de Estabilidade Financeira.

Segundo o relatório, os ativos problemáticos aumentaram em todas as modalidades de crédito para famílias, sendo que a inadimplência continua sendo o principal fator para esse aumento e ainda teria se elevado, mesmo em um cenário hipotético em que as práticas de baixas a prejuízo das instituições financeiras não tivessem se alterado em 2025.

'Prospectivamente, as estimativas de probabilidade de default indicam que a trajetória de alta deve permanecer para a maioria das modalidades', disse o BC.

Diante do elevado nível de endividamento das famílias, o governo federal ⁠colocou em ⁠prática mais uma etapa do programa Desenrola, de ​renegociação de ‌dívidas. O programa oferece garantia do governo para o refinanciamento dos débitos remanescentes, com juros abaixo dos praticados pelo mercado.

Em entrevista coletiva para comentar o relatório de estabilidade financeira, o diretor de Política Econômica do BC, Paulo Picchetti, afirmou que a política monetária funciona de forma mais eficiente quando não ⁠há programas de crédito que não são sensíveis às variações da taxa Selic.

Ele afirmou que ​a autoridade monetária precisará de tempo para analisar como o novo Desenrola afetará os índices de ​inadimplência no país.

Perguntado sobre possível estímulo ao consumo e pressão inflacionária ‌com a nova etapa do ​programa, ⁠o presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, evitou fazer uma avaliação direta ao afirmar que a prática do BC de incorporar gradualmente os efeitos de medidas do governo tem se mostrado acertada.

Já no crédito às empresas, segundo o relatório, as ​probabilidades de default mantiveram tendências de queda em todos os portes, porém em níveis ainda elevados.

De acordo com o BC, a desaceleração do crédito prossegue, em linha com a moderação do crescimento da atividade econômica. Ainda há sinais, completou, de propensão ao risco, mas as instituições financeiras continuam reduzindo o apetite.

'Mesmo com o dinamismo ​do mercado de trabalho, com ganhos consistentes de renda e redução expressiva do desemprego, o comprometimento de renda das famílias elevou-se ainda mais. O maior impacto ocorreu entre os tomadores de menor renda, com forte contribuição de modalidades de crédito mais caras', explicou o BC.

Os resultados dos testes de estresse, ainda segundo o relatório, indicam que o sistema bancário possui capitalização adequada e resiliência em todos os cenários simulados.

Na entrevista, o diretor de Fiscalização do BC, Aílton de Aquino, pontuou que instituições financeiras fizeram uma distribuição 'robusta' de dividendos no fim de 2025 ​em função da entrada em vigor neste ano da tributação sobre esses repasses. Ele ponderou que esse movimento não afetou ‌a estabilidade do sistema.

O BC reiterou ainda que ⁠a liquidação extrajudicial de instituições integrantes do conglomerado Master não gerou efeitos sistêmicos no Sistema Financeiro Nacional, que permanece com capitalização e liquidez confortáveis, e provisões adequadas ao nível de perdas esperado.

Após a liquidação, clientes ⁠ressarcidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) direcionaram recursos principalmente para instituições financeiras (IFs) ⁠de maior porte e de maior relevância sistêmica, ⁠em linha com o esperado ⁠em ​eventos de resolução bancária, de acordo com a autoridade monetária.

(Por Camila Moreira e Bernardo Caram; Edição de Eduardo Simões)

Reuters

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