BC diz que materialização de risco aumentou no crédito às famílias
BC diz que materialização de risco aumentou no crédito às famílias
Reuters
25/05/2026
Atualizada em 25/05/2026
SÃO PAULO/BRASÍLIA, 25 Mai (Reuters) - O Banco Central afirmou nesta segunda-feira que a materialização de risco aumentou no crédito às famílias e manteve-se relativamente estável no crédito às empresas, de acordo com o Relatório de Estabilidade Financeira.
Segundo o relatório, os ativos problemáticos aumentaram em todas as modalidades de crédito para famílias, sendo que a inadimplência continua sendo o principal fator para esse aumento e ainda teria se elevado, mesmo em um cenário hipotético em que as práticas de baixas a prejuízo das instituições financeiras não tivessem se alterado em 2025.
'Prospectivamente, as estimativas de probabilidade de default indicam que a trajetória de alta deve permanecer para a maioria das modalidades', disse o BC.
Diante do elevado nível de endividamento das famílias, o governo federal colocou em prática mais uma etapa do programa Desenrola, de renegociação de dívidas. O programa oferece garantia do governo para o refinanciamento dos débitos remanescentes, com juros abaixo dos praticados pelo mercado.
Em entrevista coletiva para comentar o relatório de estabilidade financeira, o diretor de Política Econômica do BC, Paulo Picchetti, afirmou que a política monetária funciona de forma mais eficiente quando não há programas de crédito que não são sensíveis às variações da taxa Selic.
Ele afirmou que a autoridade monetária precisará de tempo para analisar como o novo Desenrola afetará os índices de inadimplência no país.
Perguntado sobre possível estímulo ao consumo e pressão inflacionária com a nova etapa do programa, o presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, evitou fazer uma avaliação direta ao afirmar que a prática do BC de incorporar gradualmente os efeitos de medidas do governo tem se mostrado acertada.
Já no crédito às empresas, segundo o relatório, as probabilidades de default mantiveram tendências de queda em todos os portes, porém em níveis ainda elevados.
De acordo com o BC, a desaceleração do crédito prossegue, em linha com a moderação do crescimento da atividade econômica. Ainda há sinais, completou, de propensão ao risco, mas as instituições financeiras continuam reduzindo o apetite.
'Mesmo com o dinamismo do mercado de trabalho, com ganhos consistentes de renda e redução expressiva do desemprego, o comprometimento de renda das famílias elevou-se ainda mais. O maior impacto ocorreu entre os tomadores de menor renda, com forte contribuição de modalidades de crédito mais caras', explicou o BC.
Os resultados dos testes de estresse, ainda segundo o relatório, indicam que o sistema bancário possui capitalização adequada e resiliência em todos os cenários simulados.
Na entrevista, o diretor de Fiscalização do BC, Aílton de Aquino, pontuou que instituições financeiras fizeram uma distribuição 'robusta' de dividendos no fim de 2025 em função da entrada em vigor neste ano da tributação sobre esses repasses. Ele ponderou que esse movimento não afetou a estabilidade do sistema.
O BC reiterou ainda que a liquidação extrajudicial de instituições integrantes do conglomerado Master não gerou efeitos sistêmicos no Sistema Financeiro Nacional, que permanece com capitalização e liquidez confortáveis, e provisões adequadas ao nível de perdas esperado.
Após a liquidação, clientes ressarcidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) direcionaram recursos principalmente para instituições financeiras (IFs) de maior porte e de maior relevância sistêmica, em linha com o esperado em eventos de resolução bancária, de acordo com a autoridade monetária.
(Por Camila Moreira e Bernardo Caram; Edição de Eduardo Simões)
Reuters

