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David, do BC, diz que choque relevante de preços causado por guerra no Irã pode atuar contra 'gordura' da Selic

David, do BC, diz que choque relevante de preços causado por guerra no Irã pode atuar contra 'gordura' da Selic

Reuters

08/04/2026

Placeholder - loading - Logotipo do Banco Central do Brasil em sua sede em Brasília, Brasil, em 18 de dezembro de 2024. REUTERS/Adriano Machado
Logotipo do Banco Central do Brasil em sua sede em Brasília, Brasil, em 18 de dezembro de 2024. REUTERS/Adriano Machado

Atualizada em  08/04/2026

SÃO PAULO, 8 Abr (Reuters) - O diretor de Política ​Monetária do Banco Central, Nilton David, disse nesta quarta-feira que o nível da taxa Selic tem hoje “mais gordura” do que tinha há seis meses, mas indicou que o conflito no Irã atua no sentido contrário a essa folga nos juros ao promover um choque relevante nos preços.

Em evento promovido pelo Bradesco BBI, em São Paulo, David ressaltou que a autarquia iniciou um processo de “calibração” da taxa Selic, e não um “afrouxamento”, porque o objetivo é manter os juros em território restritivo.

'O nível de juros hoje tem mais gordura do que tinha seis meses atrás. Obviamente que esse evento do conflito vai do outro lado, ⁠porque ele ⁠está dando um choque de preços relevante ​que tem ‌chances reais de ter efeitos de segunda ordem', afirmou, acrescentando que a autarquia não pode 'baixar a guarda'.

O BC reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual em março, a 14,75% ao ano, e não deu indicação clara sobre os próximos passos, defendendo que os juros sigam ⁠em nível restritivo e apontando elevação de incertezas com a guerra no Irã.

Em ​meio a uma piora recente nas previsões de mercado para a inflação para períodos mais longos, ​especificamente 2027 e 2028, David afirmou que esse movimento ‌nas expectativas indica uma ​visão de ⁠que o BC pode não combater efeitos de segunda ordem da inflação, 'o que é um equívoco'.

'O Banco Central vai buscar a meta', disse.

David ainda afirmou que o nível de incerteza no cenário atual está mais ​alto, mas reforçou que o BC tem convicção de que a política monetária está funcionando.

No evento, o diretor disse que o conflito no Irã tende a reduzir a atividade econômica no mundo. Segundo ele, a alta no petróleo provocada pela guerra não deve elevar o PIB do Brasil.

EFEITOS NO CÂMBIO

O ​diretor abordou ainda o fato de o dólar ter avançado ante o real desde que começou a guerra que opõe EUA e Israel ao Irã, no fim de fevereiro.

Em sua visão, o movimento de desvalorização do real 'não foi tão diferente dos pares', sendo que o Brasil já enfrentou momentos de ruídos maiores no câmbio, como o visto na virada de 2024 para 2025.

Naquela ocasião, o dólar à vista chegou a superar os R$6,20, em meio à deterioração das expectativas de inflação no Brasil e ​ao avanço da moeda norte-americana no exterior.

De acordo com David, o real tende a acompanhar os ciclos de ‌altas e baixas das demais moedas no ⁠mundo, mas a divisa brasileira tem um 'beta' elevado -- o que significa dizer que em muitos momentos sua variação é maior.

Neste contexto, ele pontuou ainda que a volatilidade atrapalha o processo do Banco Central ⁠de trazer a inflação para a meta, acrescentando que as ⁠ações da instituição no mercado buscam não elevar ⁠essa volatilidade.

(Reportagem de Fabrício ⁠de ​Castro, em São Paulo; reportagem adicional de Bernardo Caram, em Brasília; edição de Isabel Versiani e Pedro Fonseca)

Reuters

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