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BC vê alta de 1,6% no PIB em 2026 e inflação pressionada por petróleo, cita incerteza com guerra no Irã

BC vê alta de 1,6% no PIB em 2026 e inflação pressionada por petróleo, cita incerteza com guerra no Irã

Reuters

26/03/2026

Placeholder - loading - Vista de São Paulo 30/09/2025. REUTERS/Amanda Perobelli
Vista de São Paulo 30/09/2025. REUTERS/Amanda Perobelli

Atualizada em  26/03/2026

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA, 26 Mar (Reuters) - O Banco Central projetou ​nesta quinta-feira que o crescimento econômico do país em 2026 será de 1,6%, mesmo patamar estimado em dezembro, apontando incerteza mais elevada no cálculo diante da guerra no Oriente Médio, que também produz maior pressão sobre a inflação.

Em seu Relatório de Política Monetária, a autarquia previu que a inflação ficará em 3,6% no primeiro trimestre deste ano e passará a subir sob impacto da alta do preço do petróleo após a ofensiva dos Estados Unidos e Israel sobre o Irã, fechando o ano em 3,9%.

A partir do início de 2027, segundo o BC, o índice de preços ⁠passaria a ⁠cair, ainda se mantendo acima do centro ​da meta ‌contínua de 3% por todo o período avaliado.

No terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante da política monetária, a projeção está em 3,3%, 0,1 ponto acima da estimativa de dezembro. A projeção mais distante disponível aponta para uma inflação de 3,1% no ⁠terceiro trimestre de 2028.

'Entre os fatores que contribuem para a alta das projeções, ​destacam-se a elevação do preço do petróleo e a revisão do hiato', disse o BC, ​citando como fatores de baixa a valorização do real ‌e queda marginal nas ​expectativas de ⁠mercado para os preços.

O BC deu início na semana passada a um aguardado ciclo de corte de juros ao reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,75% ao ano, defendendo cautela para ​passos futuros da calibração da taxa básica em meio ao “forte aumento da incerteza” com o acirramento dos conflitos no Oriente Médio.

As estimativas do órgão apontam chance de 30% de a inflação estourar neste ano o teto da meta de 3%, que tem margem de tolerância de 1,5 ​ponto percentual para mais ou para menos. O indicador estava em 23% em dezembro.

Para 2027, a chance de rompimento do limite superior da meta subiu de 16% para 19%.

De acordo com a autarquia, a inflação de serviços segue elevada, em contexto de mercado de trabalho aquecido e hiato do produto positivo, mas apresenta sinais de moderação.

No documento, o BC apontou um hiato do produto ligeiramente mais positivo do que o estimado em dezembro, o que indica uma atividade mais aquecida ​em relação à sua capacidade e podendo gerar pressões inflacionárias.

A autarquia afirmou que o crescimento da ‌atividade econômica continua em trajetória de moderação, ⁠enquanto o mercado de trabalho ainda mostra resiliência.

“A projeção de crescimento do PIB para 2026 permanece em 1,6%, mas está sujeita a maior incerteza diante dos potenciais efeitos dos conflitos no ⁠Oriente Médio”, disse no documento.

O Ministério da Fazenda previu em ⁠novembro uma expansão de 2,3% para o ⁠PIB de 2026. Já ⁠o ​mercado, segundo a pesquisa Focus mais recente, estima que a economia crescerá 1,84% neste ano.

(Por Bernardo Caram,)

Reuters

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