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BCs adotam tom 'hawkish' ao se reunirem à sombra da guerra

BCs adotam tom 'hawkish' ao se reunirem à sombra da guerra

Reuters

19/03/2026

Placeholder - loading - Chair do Federal Reserve, Jerome Powell  18/03/2026. REUTERS/Kevin Lamarque
Chair do Federal Reserve, Jerome Powell 18/03/2026. REUTERS/Kevin Lamarque

Por Promit Mukherjee e Howard Schneider e Leika Kihara

OTTAWA/WASHINGTON/TÓQUIO, 19 Mar (Reuters) - Os bancos ​centrais dos Estados Unidos, Canadá e Japão adotaram um tom 'hawkish' na quarta-feira, embora em graus variados, uma vez que a guerra contra o Irã levou os preços da energia a subirem acentuadamente em meio a uma semana crucial de reuniões das autoridades monetárias globais.

Tendo lutado contra um pico de inflação liderado pelas commodities após a invasão da Rússia na Ucrânia em 2022, as autoridades estão mais uma vez andando na corda bamba - controlando as pressões sobre os preços sem tirara o crescimento dos trilhos.

O Federal Reserve, o Banco do Canadá e o Banco do Japão optaram por manter as taxas de juros, mas seus líderes deixaram claro que estão em alerta, desconfiados de que o aumento dos preços da energia possa desencadear uma nova onda de inflação.

'O Conselho Diretor analisará o impacto imediato da guerra sobre a inflação, mas se os preços da energia permanecerem ⁠altos, não permitiremos que ⁠seus efeitos se ampliem e se tornem uma inflação persistente', ​disse o ‌presidente do banco central canadense, Tiff Macklem, no discurso de abertura de uma coletiva de imprensa depois da decisão de manter a taxa básica de juros em 2,25%.

O chair do Fed, Jerome Powell, foi igualmente cauteloso.

'No curto prazo, os preços mais altos da energia aumentarão a inflação geral, mas é muito cedo para saber o escopo e a duração dos possíveis efeitos sobre a economia', disse ⁠Powell em uma coletiva de imprensa após a decisão do Fed, por 11 a 1, de manter sua ​taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75%.

Ainda assim, a relutância de Powell em dizer que os riscos de enfraquecimento ​do mercado de trabalho representam um risco maior para os objetivos do Fed ‌do que a inflação ajudou a ​empurrar as ⁠expectativas de corte de juros do mercado para 2027.

O Banco Central brasileiro foi uma exceção na quarta-feira, ao dar início a um ciclo de afrouxamento há muito esperado com um corte cauteloso de 25 pontos-base na Selic, para 14,75%, que ainda está entre as mais altas das principais economias.

As decisões ​foram tomadas depois que o banco central da Austrália elevou os juros para o nível mais alto em dez meses e alertou sobre um risco 'relevante' para a inflação decorrente do aumento do preço do petróleo.

As ações caíam e os preços do petróleo subiam acentuadamente nesta quinta-feira, depois que uma grande escalada na guerra dos EUA e de Israel com o Irã abalou os investidores, enquanto o Banco do Japão tornou-se o mais ​recente banco central a alertar sobre o impacto dos custos de energia sobre a inflação.

O presidente do banco central japonês, Kazuo Ueda, disse que a autoridade monetária não descartará um aumento dos juros no curto prazo se o impacto esperado no crescimento devido ao aumento dos custos do petróleo for temporário e não prejudicar o progresso que o Japão está fazendo para atingir de forma duradoura a meta de preços do banco.

'Precisamos estar atentos ao fato de que os acontecimentos recentes ocorrem em um momento em que as empresas já estão aumentando ativamente os preços e os salários, o que sugere que elas poderiam repassar os custos de forma mais agressiva do que após a guerra na Ucrânia', disse Ueda ​em uma coletiva de imprensa.

Mas analistas esperam que o caminho dos juros para os bancos centrais permaneça acidentado, sem um fim claro à vista para o ‌conflito que pode prejudicar as cadeias globais de suprimentos, além ⁠de afetar os mercados financeiros e o sentimento das empresas.

'Essa última escalada parece ser um ponto de inflexão para os mercados, porque o conflito não se trata mais apenas de manchetes militares ou do fechamento do Estreito de Ormuz', disse Charu Chanana, estrategista-chefe de investimentos do ⁠Saxo em Cingapura.

'Agora, ele está atingindo a infraestrutura essencial do sistema global de energia. O ⁠que está perturbando os mercados agora é o crescente risco de ⁠estagflação... Isso significa que não se ⁠trata ​mais apenas de uma história geopolítica, mas de uma história macro.'

(Reportagem de Promit Mukherjee em Ottawa, Howard Schneider em Washington e Leika Kihara em Tóquio)

Reuters

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