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BIS pede que bancos centrais não exagerem em reação a aumento de preços de energia

BIS pede que bancos centrais não exagerem em reação a aumento de preços de energia

Reuters

16/03/2026

Placeholder - loading - Torre da sede do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) na Basileia, Suíça 18/03/2021 REUTERS/Arnd Wiegmann
Torre da sede do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) na Basileia, Suíça 18/03/2021 REUTERS/Arnd Wiegmann

Por Marc Jones

LONDRES, 16 Mar (Reuters) - A instituição que assessora os ​bancos centrais do mundo pediu às autoridades monetárias que não reajam de forma exagerada ao aumento dos preços globais de energia provocado pela crise do Irã, chamando-o de um caso exemplar de quando é preciso não enfrentar imediatamente um choque, especialmente se ele for temporário.

O aumento de 40% nos preços do petróleo neste mês e o salto de quase 60% nos preços do gás no atacado evocaram comparações com 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia e a reabertura da economia global após a Covid fizeram as taxas de inflação dispararem.

Os principais bancos centrais, incluindo o Federal Reserve dos EUA e o Banco Central Europeu, aumentaram as taxas de juros para seus níveis ⁠mais altos em ⁠décadas, mas foram criticados por reagirem muito lentamente ​após julgarem ‌erroneamente que o impacto seria transitório.

Desta vez, os mercados financeiros foram rápidos em reavaliar as expectativas, apostando que os bancos centrais não vão querer cometer o mesmo erro novamente, mas o Banco de Compensações Internacionais (BIS) usou seu mais recente relatório para pedir cautela.

'Se for um choque de oferta e, certamente, se ⁠for temporário, esses são os exemplos de livro texto em que você deve olhar ​além do choque, e não reagir com a política monetária', disse o principal consultor econômico do BIS, Hyun ​Song Shin.

Os comentários foram feitos no início de uma semana ‌crucial para os mercados, com ​o Federal ⁠Reserve, o Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra e o Banco do Japão realizando suas primeiras reuniões desde o início da crise no Oriente Médio, em 28 de fevereiro. O BC brasileira também deliberará sobre os juros nesta ​semana.

Shin acrescentou que a rápida mudança na precificação das taxas de juros de mercado talvez seja um 'sinal dos tempos', dadas as lembranças ainda cruas de 2022.

Os mercados monetários já reduziram pela metade o número de cortes nas taxas do Fed que esperam este ano para um, e agora estão precificando totalmente um aumento do BCE ​até julho, juntamente com uma chance de 85% de um segundo aumento até o final do ano.

'É uma espécie de reação instintiva', disse Shin, destacando também que os principais indicadores de inflação ainda não se movimentaram na mesma proporção, o que torna o cenário geral 'muito confuso'.

ORIENTAÇÃO DE COMUNICAÇÃO

O relatório do BIS, que é publicado quatro vezes por ano, também incluiu vários estudos, inclusive um sobre como os bancos centrais mudaram a forma de se comunicar com os mercados e o público após as várias crises globais recentes.

Esse estudo mostrou que mais bancos centrais estão ​usando cenários para ilustrar as implicações de riscos específicos, além das ferramentas tradicionais, como gráficos em leque e discussões qualitativas ‌sobre riscos.

Muitos também tentaram se afastar da chamada ⁠orientação futura ('guidance') sobre o provável rumo das taxas e, em vez disso, publicaram suas próprias projeções de taxas, muitas vezes no contexto de cenários alternativos.

A visão do BIS sobre os riscos atuais do mercado também abordou ⁠outros surtos de volatilidade observados este ano, incluindo algumas vendas acentuadas de ⁠ações ligadas à inteligência artificial e alguns problemas no ⁠mercado de crédito privado.

'Temos ⁠que ​observar isso', disse Frank Smets, vice-chefe do departamento monetário e econômico do BIS. 'Mas não vemos nenhuma grande disrupção neste momento.'

Reuters

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