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    Bolsonaro defende proposta de Renda Cidadã e diz que teto é 'trilho da economia'

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    Presidente Jair Bolsonaro em Brasília 28/09/2020 REUTERS/Adriano Machado

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    Por Lisandra Paraguassu

    BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro usou suas redes sociais nesta terça-feira para se defender das avaliações de que o governo estaria usando atalhos para burlar o teto de gastos e criar o programa Renda Cidadão --ampliação do Bolsa Família--, de olho nas eleições de 2022 e afirmou que a responsabilidade fiscal e o teto são os 'trilhos da economia'.

    'Os responsáveis pela destruição de milhões de empregos agora se calam. O meu governo busca se antecipar aos graves problemas sociais que podem surgir em 2021, caso nada se faça para atender a essa massa que tudo, ou quase tudo, perdeu', escreveu o presidente em suas redes sociais.

    'A responsabilidade fiscal e o respeito ao teto são os trilhos da Economia. Estamos abertos a sugestões juntamente com os líderes partidários.'

    Na segunda, Bolsonaro, ao lado dos líderes do governo no Congresso e do ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou a criação de um programa de ampliação do Bolsa Família, o Renda Cidadã. A proposta prevê o uso de parte dos recursos do Fundo de Desenvolvimento d Educação Básica (Fundeb) e parte dos recursos destinados a pagamentos e precatórios --dívidas de ações judiciais a serem pagas a pessoas físicas e jurídicas depois das sentenças definitivas-- para financiar o programa social.

    O anúncio teve uma reação negativa do mercado, com queda da bolsa de valores, subida do dólar e dos juros futuros, e foi vista por analistas como um drible no teto de gastos, mirando uma possível reeleição em 2022.

    Os líderes também revelaram que não há acordo ainda sobre a reforma tributária, mas já se prepara uma proposta de recriação da CPMF --agora com outro nome-- com alíquota de 0,2% sobre todas as transações financeiras.

    Bolsonaro creditou a reação às propostas a um suposto incômodo de adversários ao aumento de sua popularidade em pesquisas.

    'Minha crescente popularidade importuna adversários e grande parte da imprensa, que rotulam qualquer ação minha como eleitoreira. Se nada faço, sou omisso. Se faço, estou pensando em 2022', escreveu o presidente.

    'Na verdade, estou pensando é em 2021, pois temos milhões de brasileiros que perderam seus empregos ou rendas e deixarão de receber o auxílio emergencial a partir de janeiro 2021.'

    O governo calcula que pelo menos 5 milhões de pessoas que recebem o auxílio emergencial não conseguirão voltar ao mercado de trabalho até dezembro, quando será paga a última parcela. O benefício, pago depois do início da epidemia de coronavírus, foi o principal responsável pelo aumento da popularidade de Bolsonaro, especialmente entre os mais pobres, segundo analistas.

    'A política do 'fique em casa que a economia a gente vê depois' acabou e o 'depois' chegou. A imprensa, que tanto apoiou o 'fique em casa', agora não apresenta opções de como atender a esses milhões de desassistidos', escreveu o presidente.

    Escrito por Reuters

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