BOY GEORGE NO CENTRO DE NOVAS POLÊMICAS
CANÇÃO SOBRE ISRAEL, USO DE IA E SAÍDA DE MUSICAL MARCAM UMA SEMANA DE RUPTURAS PARA O VOCALISTA DO CULTURE CLUB
João Carlos
04/08/2026
Nas últimas semanas, o nome de Boy George, vocalista do Culture Club, apareceu no centro de uma série de polêmicas. O portal da Antena 1 acompanha a situação, que ganhou novos capítulos nas últimas horas e já alcançou a música, o teatro e os negócios do artista.
Uma música que abriu a sequência
No fim de julho, Boy George publicou nas redes sociais We Will Dance Again, também divulgada como Od Nirkod. Com base pop-reggae, a faixa foi apresentada pelo cantor como uma homenagem às vítimas e aos sobreviventes do ataque do Hamas ao festival Nova, em outubro de 2023.
A repercussão cresceu por causa da posição política adotada na letra. Boy George rejeita a classificação das operações israelenses em Gaza como genocídio, defende que se trata de uma guerra e critica músicos que se manifestaram publicamente em apoio à causa palestina. O fragmento “Você diz genocídio, eu digo guerra” tornou-se o centro da discussão nas redes.
Após as críticas, o artista afirmou que a música é “pró-paz” e negou não ter compaixão pelos palestinos. Segundo Boy George, a composição nasceu das emoções provocadas por uma visita à exposição sobre o festival Nova e por conversas com sobreviventes e familiares de vítimas. Ele também declarou estar abalado com a perda de vidas inocentes dos dois lados do conflito.
Inteligência artificial entrou no debate
Boy George confirmou que We Will Dance Again foi criada com o auxílio de inteligência artificial, abordagem descrita por ele como “IA para o bem”. A tecnologia não apareceu de forma isolada em seu trabalho: em junho, o cantor participou do lançamento da empresa de música e tecnologia Artist Included e apresentou uma nova gravação de Karma Chameleon com vocais processados por IA para reproduzir características de sua voz nos anos 1980.
Saída às vésperas do musical
Boy George estava escalado para interpretar o Rei Herodes em Jesus Christ Superstar, no London Palladium, entre 3 e 15 de agosto, com exceção do dia 8. Poucos dias antes da primeira apresentação, seu empresário, Paul Kemsley, anunciou que o cantor não faria mais parte do espetáculo.
Kemsley não citou diretamente a nova música como motivo, mas afirmou que decidiu retirar o artista para permitir que a produção permanecesse no centro das atenções e para preservar o respeito entre todos os envolvidos. O ator Richard Armitage, que já integrava o rodízio de intérpretes do personagem, assumiu as datas que seriam de Boy George.
Rompimento dentro do próprio selo
Em 1º de agosto, Boy George anunciou o encerramento da parceria profissional com Tony Pontius, responsável havia vários anos pela administração da BGP, selo independente do próprio cantor.
Segundo George, Pontius recusou-se a trabalhar no lançamento de We Will Dance Again e afirmou que não queria qualquer envolvimento com a faixa.
Bandcamp retira perfil e música
Depois da recusa da BGP, a faixa foi colocada à venda no Bandcamp por meio de um perfil chamado “Boy George 3”. Em 3 de agosto, a página e a música deixaram de aparecer na plataforma.
Boy George afirmou que seu perfil havia sido removido, pediu que os compradores fossem reembolsados e disse que pretende gravar a faixa e encontrar outra forma de lançá-la.
O Bandcamp ainda não divulgou publicamente a razão específica da retirada. A plataforma, porém, mantém desde janeiro uma política que proíbe músicas produzidas integralmente ou em parte substancial por inteligência artificial e permite a exclusão de conteúdos sob suspeita de uso intensivo da tecnologia.
Por isso, a política contra músicas produzidas integralmente ou em parte substancial por inteligência artificial continua sendo a explicação mais consistente para a retirada, embora o Bandcamp ainda não tenha divulgado uma justificativa específica para o caso. Nas últimas horas, Boy George voltou ao Instagram para anunciar que passou a vender a faixa pela plataforma Payhip e criticou novamente o Bandcamp. Até o momento, não há comprovação pública de que a remoção tenha ocorrido por causa do posicionamento político da música.
O caso continua sujeito a novos desdobramentos. O portal da Antena 1 acompanha.


