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EXCLUSIVO-Brasil e Austrália pressionam China para permitir maior embarque de carne bovina, dizem fontes

EXCLUSIVO-Brasil e Austrália pressionam China para permitir maior embarque de carne bovina, dizem fontes

Reuters

20/05/2026

Placeholder - loading - Gado confinado em Barretos, São Paulo, Brasil, 17 de dezembro de 2025. REUTERS/Joel Silva TPX IMAGENS DO DIA
Gado confinado em Barretos, São Paulo, Brasil, 17 de dezembro de 2025. REUTERS/Joel Silva TPX IMAGENS DO DIA

Atualizada em  20/05/2026

Por Daphne Zhang e Peter Hobson

PEQUIM/CAMBERRA, 20 Mai (Reuters) - O Brasil ​e a Austrália, os maiores exportadores de carne bovina do mundo, estão pedindo a Pequim que permita o envio de mais carne à China, disseram pessoas familiarizadas com o assunto, à medida que ambos os países se aproximam de esgotar suas cotas de exportação de carne bovina para 2026 e terão que suspender os embarques.

A China é o maior importador de carne bovina do mundo, absorvendo produtos no valor de quase US$3 bilhões do Brasil e cerca de US$1 bilhão da Austrália no primeiro trimestre deste ano, mostram dados comerciais do país.

Mas seu sistema de cotas, introduzido em dezembro do ano passado para proteger o setor doméstico chinês, imporá uma tarifa de 55% sobre os embarques de ambos os países ⁠já no próximo ⁠mês se o ritmo atual de embarques continuar, ​bloqueando efetivamente ‌o comércio.

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O ministro da Agricultura do Brasil, André de Paula, e o ministro do Comércio da Austrália, Don Farrell, estão na China esta semana e vêm usando seu tempo com as autoridades chinesas para defender o aumento das cotas, de acordo com sete fontes informadas sobre as discussões.

O Brasil e a ⁠Austrália querem que a China realoque as cotas de exportação não utilizadas de outras nações para ​eles, disseram algumas das fontes.

Até o final de março, a Argentina, fornecedora rival, havia utilizado 27,5%, o Uruguai ​15% e a Nova Zelândia 14% de suas cotas de exportação, ‌segundo dados do governo chinês.

As ​autoridades australianas ⁠também discutiram com a China a isenção de ossos e carne resfriada da cota, o que permitiria um aumento nos embarques totais, disseram duas pessoas familiarizadas com as discussões.

O Ministério do Comércio e o Departamento de Alfândega da China não responderam ​imediatamente aos pedidos de comentários.

A embaixada do Brasil em Pequim não respondeu a um pedido de comentário.

Um porta-voz do Ministério do Comércio da Austrália, respondendo a um pedido de comentário, apontou para uma declaração de 18 de maio por Farrell dizendo que se encontraria com o Ministro do Comércio da China, Wang Wentao. 'A Austrália sempre foi uma defensora do ​comércio livre e justo', disse a declaração.

ESFORÇOS ANTERIORES, RESULTADO INCERTO

O Brasil e a Austrália já pressionaram por mudanças em reuniões anteriores com autoridades chinesas, segundo fontes.

'Eles continuarão tentando desta vez, mas a China provavelmente rejeitará novamente', disse Isabel Nepstad, presidente-executivo da BellaTerra Consulting em Xangai, que ajuda empresas, incluindo produtores brasileiros de carne bovina, a fazer negócios na China, sobre o esforço de lobby do Brasil.

Muitos negócios chineses de carne bovina não têm sido lucrativos nos últimos anos. A carne bovina brasileira muitas vezes compete diretamente com os produtos locais, enquanto a Austrália tende a enviar mais cortes premium ​que são menos produzidos na China.

O Brasil pode perder até US$3 bilhões em receita de exportação este ano se sua cota ‌não for alterada, disse a associação brasileira de carne ⁠bovina Abrafrigo este mês.

A Austrália pode estar em melhor situação, redirecionando os fluxos para o Japão, a Coreia do Sul e os Estados Unidos, segundo analistas.

Após a visita do presidente dos EUA, Donald Trump, à China na semana ⁠passada, Pequim reabriu seu mercado para os produtores norte-americanos, o que pode ⁠tornar menos provável a expansão das cotas para outros países, ⁠disse Matt Dalgleish, da ⁠consultoria ​australiana Episode 3.

(Reportagem de Daphne Zhang e Lewis Jackson em Pequim, Peter Hobson em Canberra e Roberto Samora em São Paulo)

Reuters

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