BRASILEIROS AMPLIAM CONFIANÇA NA IA PARA ESCOLHER E COMPRAR PRODUTOS
Levantamento internacional aponta que 72% dos entrevistados no país já usaram ou aceitariam recorrer a agentes de inteligência artificial para fazer compras
Bruna Valle
16/10/2026
A inteligência artificial começa a ganhar espaço em uma atividade cotidiana: fazer compras. No Brasil, 72% dos consumidores entrevistados afirmam que já utilizaram ou aceitariam usar agentes de IA para pesquisar, selecionar e comprar produtos. Em 2025, esse índice era de 39%, uma mudança expressiva em apenas um ano, segundo a Pesquisa Internacional de IA Agêntica, encomendada pela Global Payments e realizada pela consultoria The Lantern.
O resultado coloca o Brasil na segunda posição entre os sete países analisados, atrás apenas da China, onde 86% dos participantes demonstraram já usar ou ter disposição para adotar esse tipo de ferramenta. O levantamento ouviu 8.027 pessoas em maio de 2026, incluindo consumidores do Reino Unido, França, Estados Unidos, Singapura e Austrália.
Da pesquisa à compra, com ajuda da tecnologia
Os chamados agentes de inteligência artificial vão além de responder perguntas ou sugerir produtos. A proposta é que consigam executar etapas de uma compra em nome do usuário: buscar opções, comparar características, considerar preferências e orçamento e, quando autorizados, concluir a transação.
Esse modelo pode reduzir o tempo gasto em tarefas repetitivas e facilitar decisões em situações nas quais há muitas opções semelhantes. Para quem precisa conciliar trabalho, deslocamentos e outras atividades, delegar parte desse processo pode representar uma maneira prática de organizar o dia.

Agentes de inteligência artificial podem pesquisar produtos, comparar opções e auxiliar na conclusão de compras
O Brasil avança, mas a segurança ainda pesa
Apesar da abertura à novidade, os consumidores brasileiros mantêm ressalvas importantes. A principal preocupação apontada pela pesquisa é a segurança dos dados de pagamento, mencionada por 50% dos entrevistados. O uso de informações pessoais e a privacidade aparecem em seguida, citados por 45%, enquanto 41% temem que o agente faça escolhas inadequadas.
Os participantes também indicaram medidas que poderiam aumentar a confiança no sistema. Entre elas estão a possibilidade de aprovar uma compra antes de sua conclusão e o recebimento de alertas imediatos sobre transações, ambos mencionados por 41% dos entrevistados.
Os dados indicam que a disposição para experimentar a tecnologia cresce, mas a autonomia dos sistemas precisa vir acompanhada de mecanismos claros de controle. Saber o que será comprado, quanto será gasto e como contestar uma operação são pontos importantes para ampliar a adoção.
Uma nova etapa para o comércio digital
O avanço dos agentes de IA também pode transformar a relação entre consumidores e lojas. Em vez de navegar por vários sites, o usuário poderá fazer uma solicitação e receber recomendações organizadas de acordo com suas necessidades. Algumas empresas já desenvolvem assistentes próprios para ajudar clientes a encontrar produtos e concluir pedidos.
A tendência, no entanto, depende de fatores como a precisão das recomendações, a proteção das informações e a clareza sobre quem responde por eventuais erros. Quanto mais tarefas forem delegadas à tecnologia, maior será a importância de estabelecer limites e garantir que o consumidor mantenha o controle das decisões.
O crescimento registrado no Brasil mostra que existe espaço para novas formas de comprar. O próximo passo será transformar essa curiosidade em confiança duradoura, para que a inteligência artificial funcione como uma ferramenta útil e segura no cotidiano dos consumidores.


