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Chanceler do Irã vai ao Paquistão e crescem esperanças de negociações de paz com EUA

Chanceler do Irã vai ao Paquistão e crescem esperanças de negociações de paz com EUA

Reuters

24/04/2026

Placeholder - loading - Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi 30 de janeiro de 2026 REUTERS/Dilara Senkaya
Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi 30 de janeiro de 2026 REUTERS/Dilara Senkaya

Por Saad Sayeed e Ariba Shahid

ISLAMABAD/WASHINGTON, 24 Abr (Reuters) - O ministro das Relações ​Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, era esperado na capital paquistanesa, Islamabad, nesta sexta-feira, para discutir propostas para reiniciar as negociações de paz com os Estados Unidos, mas fontes paquistanesas disseram que ele não deveria se encontrar com os negociadores norte-americanos no local.

Já a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse a jornalistas que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, planeja mandar os enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner para negociações com Araqchi em Islamabad, e a dupla partirá na manhã de sábado.

Os EUA observaram algum progresso do lado iraniano nos últimos dias e esperam que mais progressos sejam feitos nas conversações do fim de semana, disse Leavitt.

Ela acrescentou que o vice-presidente dos EUA, JD Vance, que neste mês liderou uma primeira rodada de negociações sem sucesso com o Irã para acabar com a guerra, está pronto para viajar para o Paquistão para participar das negociações se elas forem bem-sucedidas.

Islamabad foi o local das ⁠negociações entre os EUA e ⁠o Irã que fracassaram no início desta semana.

Araqchi escreveu no ​X que estava ‌visitando o Paquistão, Omã e a Rússia para coordenar com os parceiros as questões bilaterais e consultar sobre os desenvolvimentos regionais, acrescentando que os vizinhos do Irã continuavam sendo a prioridade de Teerã.

A viagem incluirá consultas sobre os últimos esforços para acabar com a guerra, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã à mídia estatal.

Duas fontes do governo paquistanês cientes das discussões disseram que a visita de Araqchi ⁠seria breve para discutir as propostas do Irã para conversações com os EUA, que o mediador Paquistão transmitiria a ​Washington.

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse em uma reunião nesta sexta-feira que o Irã tinha a chance de fazer um 'bom ​acordo' com os Estados Unidos.

'O Irã sabe que ainda tem uma janela aberta para escolher ‌sabiamente... na mesa de negociações. Tudo ​o que ⁠eles precisam fazer é abandonar a arma nuclear de maneira significativa e verificável', disse ele.

As reportagens sobre a viagem de Araqchi na mídia estatal iraniana e as fontes paquistanesas não mencionaram Mohammad Baqer Qalibaf, o presidente do Parlamento iraniano, que foi o chefe da delegação nas negociações anteriores.

A assessoria de imprensa do Parlamento iraniano negou ​a informação de que Qalibaf havia renunciado ao cargo de chefe da equipe de negociação do Irã e acrescentou que ainda não havia uma nova rodada de negociações agendada.

Fontes paquistanesas disseram anteriormente que uma equipe de logística e segurança dos EUA já estava a postos em Islamabad para possíveis negociações.

A última rodada de negociações de paz deveria ter sido retomada na terça-feira, mas nunca aconteceu, com o Irã dizendo que ainda não estava pronto para se comprometer a ​participar e uma delegação dos EUA liderada por Vance nunca deixou Washington.

Trump prorrogou unilateralmente um cessar-fogo de duas semanas na terça-feira, na última hora, para dar mais tempo para reunir novamente os negociadores.

Os preços do petróleo permaneceram voláteis na sexta-feira, com os traders avaliando a possível interrupção do pior choque do petróleo da história em meio à perspectiva de novas negociações.

Os futuros do petróleo Brent caíram 0,9%, a US$104,11, enquanto os futuros do West Texas Intermediate caíram 2,8%, a US$93,20.

BLOQUEIO DO ESTREITO DE ORMUZ

Trump disse na quinta-feira que não tinha pressa em chegar a um acordo com o Irã e queria que ele fosse 'duradouro', enquanto afirmava que os EUA tinham vantagem em um impasse no Estreito de Ormuz, a rota de transporte de energia mais importante do mundo.

Os EUA ainda não ​encontraram uma maneira de abrir o estreito, onde o Irã bloqueou quase todos os navios, exceto os seus, desde o início da guerra, há oito semanas. O Irã ‌demonstrou seu controle nesta semana ao apreender dois enormes navios ⁠de carga no local.

Trump impôs um bloqueio separado à navegação iraniana na semana passada. O Irã diz que não reabrirá o estreito até que Trump suspenda o bloqueio.

Apenas cinco navios cruzaram o estreito nas últimas 24 horas, segundo dados de navegação na sexta-feira, em comparação com cerca de 130 um ⁠dia antes da guerra. Esses navios incluíam um petroleiro iraniano de derivados de petróleo, mas nenhum dos ⁠grandes superpetroleiros de transporte de petróleo bruto que normalmente alimentam os mercados ⁠globais de energia.

A empresa de transporte ⁠de ​contêineres Hapag-Lloyd também disse que um de seus navios havia cruzado o estreito, sem dar detalhes.

(Reportagem dos bureaus da Reuters, Steve Holland, Ryan Patrick Jones e Bhargav Acharya)

Reuters

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