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Chefe do FMI prevê que guerra provocará demanda de até US$50 bilhões em apoio do Fundo

Chefe do FMI prevê que guerra provocará demanda de até US$50 bilhões em apoio do Fundo

Reuters

09/04/2026

Placeholder - loading - Chefe do FMI, Kristalina Georgieva  9 de abril de 2026. REUTERS/Ken Cedeno
Chefe do FMI, Kristalina Georgieva 9 de abril de 2026. REUTERS/Ken Cedeno

Por Andrea Shalal

WASHINGTON, 9 Abr (Reuters) - A chefe do ​Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, disse nesta quinta-feira que o credor global prevê que a demanda de curto prazo por apoio financeiro do FMI aumentará entre US$20 bilhões e US$50 bilhões como resultado das repercussões da guerra no Oriente Médio.

Georgieva disse que a guerra está testando a economia global, com um corte de 13% no fluxo diário de petróleo do mundo e de 20% no de gás natural liquefeito, desencadeando um choque de oferta que fez com que os preços da energia disparassem, ao mesmo tempo em que interrompe as cadeias de fornecimento.

Em comentários preparados ⁠antes das ⁠reuniões da próxima semana do FMI e ​do Banco ‌Mundial, Georgieva disse que a guerra levou o Fundo a cortar sua previsão de crescimento global, ecoando uma mensagem que ela compartilhou com a Reuters na segunda-feira.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na terça-feira um cessar-fogo de duas semanas com ⁠o Irã, mas o bombardeio contínuo de Israel ao Líbano ameaça inviabilizar as ​negociações para forjar uma paz permanente.

'Mesmo na melhor das hipóteses, não haverá um retorno puro ​e simples ao status quo ante', disse Georgieva. ‌O complexo Ras Laffan do ​Catar, ⁠que produz 93% do GNL do Golfo Pérsico, por exemplo, está fechado desde 2 de março e pode levar de três a cinco anos para voltar à capacidade total.

'O fato é que não ​sabemos realmente o que o futuro reserva para a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, nem, por sinal, para a recuperação do tráfego aéreo na região', acrescentou ela. 'O que sabemos é que o crescimento será mais lento, mesmo que a nova paz seja duradoura.'

O conflito, ​que começou em 28 de fevereiro, terá efeitos em cascata por algum tempo, disse Georgieva, incluindo o fechamento de refinarias de petróleo e a escassez de produtos refinados que estão prejudicando o transporte, o turismo e o comércio.

Outras 45 milhões de pessoas enfrentarão insegurança alimentar, elevando o número total de pessoas com fome para mais de 360 milhões. As interrupções na cadeia de oferta também continuarão, dada a dependência industrial de insumos como enxofre, hélio para a fabricação de ​chips e nafta para plásticos.

O FMI divulgará uma série de cenários em seu relatório Perspectiva Econômica ‌Mundial na próxima semana, indo de uma ⁠normalização relativamente rápida a um cenário em que os preços do petróleo e do gás permanecerão muito mais altos por muito mais tempo, disse Georgieva.

Até mesmo o cenário mais promissor, ⁠segundo ela, envolveu redução da perspectiva de crescimento devido a danos ⁠à infraestrutura, interrupções no fornecimento, perdas de confiança ⁠e outros efeitos ⁠prejudiciais.

Em ​janeiro, o FMI projetou crescimento global de 3,3% em 2026 e 3,2% em 2027.

(Reportagem de Andrea Shalal)

Reuters

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