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China deve reduzir ambição por crescimento e buscar reequilíbrio

China deve reduzir ambição por crescimento e buscar reequilíbrio

Reuters

03/03/2026

Placeholder - loading - Vista do distrito comercial de Pequim 09/03/2025 REUTERS/Tingshu Wang
Vista do distrito comercial de Pequim 09/03/2025 REUTERS/Tingshu Wang

Por Kevin Yao

PEQUIM, 3 Mar (Reuters) - Espera-se que ​a reunião anual do Parlamento chinês demonstre tolerância em relação a um crescimento econômico ligeiramente mais lento neste ano, abrindo caminho para esforços maiores, embora não decisivos, para conter o excesso de capacidade industrial e reequilibrar a economia dependente das exportações.

A maioria dos analistas espera que o relatório do primeiro-ministro da China, Li Qiang, em 5 de março, primeiro dia da reunião, anuncie uma meta de crescimento entre 4,5% e 5%, ao mesmo tempo em que ⁠se ⁠compromete a impulsionar o consumo e ​o ‌investimento em indústrias de alta tecnologia.

O 15º Plano Quinquenal da China, que define objetivos estratégicos e políticas para o período entre 2026 e 2030 e será divulgado no mesmo dia, deve reafirmar essa ⁠meta dupla e contraditória.

'Os formuladores de políticas intensificarão os esforços para ​estimular o consumo, continuando a enfatizar novas forças produtivas impulsionadas pela tecnologia', ​disse um consultor político que espera que ‌a meta mude ​para um ⁠intervalo, falando sob condição de anonimato devido à sensibilidade do assunto.

Essa dupla promessa já tem décadas, mas Pequim tem sido muito mais bem-sucedida na expansão de ​seu vasto complexo industrial do que no setor de consumo, transformando a China em uma potência industrial que domina cadeias de abastecimento estratégicas e lhe dá vantagem na rivalidade cada vez mais intensa com os ​Estados Unidos e seus aliados.

O crescimento de 5% da China no ano passado foi alcançado em grande parte por meio de um superávit comercial de US$1,2 trilhão, enquanto o consumo interno ficou para trás.

Esse modelo de crescimento alimentou dívidas insustentáveis, investimentos desperdiçados, pressões deflacionárias e excesso de capacidade industrial. Mas é difícil para Pequim abandoná-lo completamente em um momento de tensões geopolíticas intensificadas ​que exigem um maior grau de autossuficiência em setores-chave, como semicondutores e aeronaves — ‌onde a China ainda está tentando ⁠alcançar os EUA.

'Há claramente alguma tensão entre essas duas agendas e, portanto, estaremos atentos ao plano quinquenal completo para esclarecer que equilíbrio a ⁠liderança irá alcançar', afirmaram analistas da Capital Economics ⁠em uma nota.

'Esse equilíbrio determinará o ⁠progresso alcançado no ⁠combate ​ao excesso de capacidade e à deflação nos próximos anos.'

(Reportagem de Kevin Yao)

Reuters

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