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Christa Pike está “irritada e confusa” após tentativa fracassada de execução no Tennessee, dizem advogados

Christa Pike está “irritada e confusa” após tentativa fracassada de execução no Tennessee, dizem advogados

Reuters

07/10/2026

Placeholder - loading - Randy Spivey, advogado de Christa Pike, ao lado de Luke Ihnen fora de tribunal em Nashville, Tennessee, EUA 7 de outubro de 2026 REUTERS/Seth Herald
Randy Spivey, advogado de Christa Pike, ao lado de Luke Ihnen fora de tribunal em Nashville, Tennessee, EUA 7 de outubro de 2026 REUTERS/Seth Herald

Por Jonathan Allen

7 Out (Reuters) - Christa Pike, condenada à morte por um homicídio ocorrido em ​1995, acordou “irritada e confusa” em um hospital nesta semana, com um longo período de recuperação pela frente, após ter sobrevivido à tentativa fracassada do Tennessee de executá-la, informaram seus advogados nesta quarta-feira.

Há uma semana, Pike, de 50 anos, foi levada da câmara de execução para um hospital em Nashville, inconsciente, em estado crítico e com ferimentos graves nos braços, após duas injeções do barbitúrico cáustico pentobarbital que não resultaram em sua morte na Instituição de Segurança Máxima de Riverbend.

Ainda na segunda-feira, seus advogados acreditavam que Pike encontrava-se com morte cerebral e que o suporte de vida seria desligado no dia seguinte, após a segunda execução mal sucedida no Tennessee neste ano, o que renovou o escrutínio sobre a pena de morte nos EUA.

“Mas na terça-feira, para o choque de todos, incluindo eu, sua equipe e a equipe médica, Christa acordou e começou a falar”, disse a jornalistas um de seus advogados, Randall Spivey, após uma audiência nesta quarta-feira, na qual um juiz ordenou que as autoridades do Tennessee preservem as seringas e outras evidências da execução malsucedida.

“Ela está com raiva e ⁠confusa com tudo neste momento”, disse ⁠Spivey. “Ela está plenamente ciente de que o Estado tentou executá-la.”

O governador ​Bill Lee suspendeu ‌todas as execuções até o final do ano, enquanto investigadores analisam as execuções malsucedidas de Pike e de Tony Carruthers, em maio, quando os funcionários da prisão não conseguiram instalar o acesso intravenoso.

Pike continua muito doente e acorrentada à cama do hospital, enfrentando um longo caminho até a recuperação, disseram seus advogados. Ela não consegue engolir nem comer, tem pneumonia, não consegue mover as mãos e os braços “extremamente inchados” e não está claro se recuperará a mobilidade perdida, afirmaram.

Embora ainda apresente “confusão cognitiva”, segundo ⁠os advogados, ela tem conversado com as pessoas ao seu redor.

“Ela tem querido saber o que aconteceu e perguntou por várias ​pessoas”, disse Spivey. “Ela perguntou pela família da vítima”.

Pike foi condenada à morte por seu papel, quando era adolescente, na tortura e assassinato, em 1995, de sua colega ​de escola Colleen Slemmer, de 19 anos.

Ela é a primeira pessoa conhecida a ter sobrevivido a uma “tentativa ‌de execução consumada” nos EUA, afirmam seus ​advogados, que ⁠consideram isso uma violação da proibição constitucional de punições cruéis e incomuns.

CASO ÚNICO

Os advogados de Pike estão, de forma inesperada, dando continuidade ao processo contra autoridades estaduais, buscando romper o sigilo que normalmente envolve os procedimentos de execução no Tennessee e em outros Estados.

Na manhã desta quarta-feira, a juíza I’Ashea Myles, do Tribunal de Chancelaria do Condado de Davidson, concordou em ordenar ​que as autoridades do Tennessee preservem todas as evidências da execução fracassada, incluindo seringas, embalagens de medicamentos e números de lote, cateteres, linhas intravenosas e cintos de imobilização da maca.

A equipe de execução composta exclusivamente por mulheres solicitada por Pike utilizou pelo menos sete agulhas durante uma provação exaustiva que durou mais de duas horas, e uma agulha estava dobrada em 90 graus quando foi retirada, afirmaram seus advogados.

Myles concordou em grande parte com os advogados de Pike ao final da audiência desta quarta-feira, descrevendo o processo judicial -- que teve ​início em janeiro com o objetivo de impedir a execução -- como incomum, pois ninguém havia previsto que Pike sobreviveria.

“Este caso é único, para dizer o mínimo”, disse Myles.

Ela também ordenou que o Estado preserve as comunicações internas sobre a tentativa de execução, incluindo relatórios de incidentes, depoimentos de testemunhas e mensagens criptografadas.

Ela ainda não se pronunciou sobre pedido dos advogados de Pike para que o Departamento Penitenciário do Tennessee lhes permita coletar quaisquer vestígios remanescentes das drogas de execução para análise química.

O Departamento Correcional do Tennessee considerou a ordem de preservação “duplicada e desnecessária”, argumentando que já é legalmente obrigado a preservar todas as provas e que já estava disposto a compartilhar a maior parte, se não tudo, do que os advogados de Pike solicitaram.

O Tennessee e outros Estados dos EUA há muito enfrentam dificuldades para adquirir drogas para execuções. Elas não podem ser obtidas junto às grandes empresas farmacêuticas ​devido a uma proibição comercial europeia que impede empresas de venderem produtos para uso em tortura ou execuções.

O Tennessee, assim como outros Estados, recorreu a pequenas farmácias de manipulação, em grande ‌parte não regulamentadas, para fabricar pequenos lotes dos medicamentos, prometendo ocultar sua identidade.

“A ⁠audiência de hoje tratou de transparência, sobre por que Christa, os tribunais, a mídia e o público não deveriam simplesmente acreditar na versão do Estado sobre o que aconteceu na última quarta-feira”, disse Luke Ihnen, outro advogado de Pike.

Ele reiterou a exigência de que o governador do Tennessee, Bill Lee, comute a pena de Pike para prisão ⁠perpétua e nunca mais tente executá-la. Um porta-voz de Lee, que negou um pedido de clemência dois dias antes ⁠da execução malsucedida, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Os advogados de Pike ⁠haviam buscado uma alternativa à injeção letal, ⁠alegando ​que suas veias finas e condições médicas associadas a deixavam com medo de que algo desse errado.

(Reportagem de Jonathan Allen, em Nova York; Reportagem adicional de Jack Queen e Costas Pitas)

Reuters

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