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    Cientistas perguntam: sem dados dos testes, como podemos confiar na vacina da Rússia contra Covid-19?

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    Foto de divulgação de amostras da vacina contra coronavirus desenvolvida pelo Instituto Gamaleya, de Moscou 06/08/2020 Fundo Russo de Investimento Direto/Divulgação via REUTERS

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    Atualizada em  

    Por Kate Kelland

    LONDRES (Reuters) - Um anúncio feito nesta terça-feira pela Rússia de que aprovará uma vacina contra Covid-19 após menos de dois meses de testes em humanos ligou o sinal de alarme em especialistas em saúde de todo o mundo, que dizem que, sem os dados completos dos testes, é difícil confiar na vacina.

    Com a intenção de ser a vencedora da corrida pelo desenvolvimento de uma vacina contra a pandemia, a Rússia não conduziu ainda testes em larga escala que produziriam dados para mostrar se a injeção funciona --o que imunologistas e especialistas em doenças infecciosas dizem que pode ser um passo 'imprudente'.

    'A Rússia está essencialmente conduzindo um experimento em larga escala populacional', disse Ayfer Ali, especialista em pesquisa de medicamentos na britânica Warwick Business School.

    Ela afirmou que uma aprovação super rápida como essa pode significar que potenciais efeitos colaterais podem não ter sido detectados. Eles, embora provavelmente raros, podem ser sérios, alertou.

    O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que a vacina, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya, de Moscou, é segura e que foi administrada em uma de suas filhas.

    'Sei que funciona de maneira bastante eficaz, forma uma forte imunidade e, repito, passou por todas as verificações necessárias', disse Putin, à televisão estatal.

    François Ballloux, especialista do Instituto de Genética da University College, de Londres, disse que a aprovação da vacina russa é uma decisão 'imprudente e tola'.

    'A vacinação em massa com uma vacina testada de maneira inadequada é antiética', disse. 'Qualquer problema com a campanha de vacinação da Rússia seria desastroso tanto pelos seus efeitos negativos à saúde, quanto pelo atraso que causaria à aceitação das vacinas pela população.'

    ARTIGOS CIENTÍFICOS

    Esses comentários foram corroborados por Danny Altmann, professor de Imunologia do Imperial College de Londres, que disse que o 'dano colateral' de implantar qualquer vacina que ainda não se saiba ser segura e eficaz 'exacerbaria nossos problemas atuais de maneira intransponível'.

    Embora a Rússia tenha declarado vitória, mais de meia dúzia de farmacêuticas ao redor do mundo estão em meio ao processo de conduzir testes avançados e em larga escala em humanos para suas potenciais vacinas contra Covid-19, cada uma com dezenas de milhares de voluntários.

    Muitas dessas empresas na dianteira, incluindo a Moderna, a Pfizer e a AstraZeneca, dizem que esperam saber se as vacinas funcionam e são seguras até o fim do ano.

    Espera-se que todas publiquem os resultados dos seus testes e dados de segurança e os enviem aos Estados Unidos, Europa e outros locais para serem analisados antes de que qualquer licença possa ser emitida.

    A aprovação da vacina russa pelo Ministério da Saúde chega antes de testes que normalmente envolveriam milhares de participantes, normalmente conhecidos como Fase 3. Esses testes são geralmente considerados precursores essenciais para que uma vacina assegure aprovação regulatória.

    Peter Kremsner, especialista do Hospital Universitário de Tuebingen, na Alemanha, trabalhando em testes clínicos de uma candidata à vacina da CureVac, disse que a decisão da Rússia foi 'imprudente'.

    'Normalmente você precisa de um grande número de pessoas testadas antes de aprovar uma vacina', disse. 'Eu acho que é imprudente fazer isso se muitas pessoas ainda não foram testadas.'

    Especialistas disseram que a falta de dados publicados sobre a vacina da Rússia --incluindo como ela é feita e detalhes de segurança, resposta imunológica e se pode prevenir a infecção por Covid-19-- deixa cientistas, autoridades de saúde e o público no escuro.

    'Não é possível saber se a vacina russa se mostrou eficaz sem a apresentação de artigos científicos para análise', disse Keith Neal, especialista em epidemiologia de doenças infecciosas na Universidade Nottingham, no Reino Unido.

    (Reportagem de Kate Kelland; Reportagem adicional de Caroline Copley em Berlim)

    Escrito por Reuters

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