COMO A MÚSICA FAZ BEM À SAÚDE
CIÊNCIA, CANTO EM GRUPO E O PAPEL ÚNICO DO RÁDIO
João Carlos
08/01/2026
Ouvir música e cantar não são apenas hábitos culturais ou momentos de lazer. A ciência já demonstrou que essas experiências ativam mecanismos profundos do cérebro e do corpo humano, com impactos reais sobre o bem-estar físico, emocional e social. Estudos nas áreas da neurociência, medicina e psicologia mostram que a música atua como um regulador natural do estresse, da respiração, da emoção e até da recuperação neurológica.
Música, cérebro e regulação emocional
Pesquisas indicam que ouvir música estimula áreas cerebrais ligadas à emoção, à memória e à recompensa. Esse processo ajuda o organismo a sair do chamado “modo de alerta”, associado ao estresse, favorecendo estados de relaxamento e equilíbrio emocional. Em contextos clínicos, a música tem sido associada à redução da ansiedade, da percepção de dor e à melhora do humor, especialmente quando a escolha musical respeita as preferências individuais do ouvinte.
Cantar e a reconstrução do cérebro após um AVC
Abordagens baseadas no canto vêm sendo utilizadas por pesquisadores e profissionais da saúde para auxiliar sobreviventes de AVC na recuperação da fala. A prática do canto oferece algo essencial para o cérebro: repetição estruturada, capaz de estimular novas conexões entre os hemisférios cerebrais, frequentemente comprometidos após um AVC agudo.
Segundo estudos acompanhados pela BBC, cantar favorece a neuroplasticidade, permitindo que o cérebro se reorganize e crie novas redes neurais, abrindo caminhos alternativos para funções como a linguagem.
Benefícios respiratórios e o canto como apoio terapêutico
Entre os grupos que mais se beneficiam do canto estão pessoas com doenças respiratórias crônicas. O tema é foco de pesquisa de Keir Philip, professor clínico de medicina respiratória do Imperial College London.
Philip ressalta que cantar não substitui tratamentos médicos, mas atua como uma abordagem complementar eficaz. Segundo ele, pessoas que convivem com falta de ar podem desenvolver padrões respiratórios irregulares e ineficientes. Técnicas baseadas no canto ajudam a reorganizar a respiração, trabalhando ritmo, profundidade e uso adequado da musculatura respiratória, o que pode contribuir para a melhora dos sintomas.
O canto em grupo, o bem-estar coletivo e a experiência dos grandes eventos
Cantar em grupo ou em coral demonstrou promover níveis mais elevados de bem-estar psicológico do que cantar sozinho. Por isso, pesquisadores da área da educação e da saúde utilizam o canto coletivo como ferramenta para estimular cooperação, desenvolvimento da linguagem e regulação emocional.
Além disso, há uma constatação que vai além dos estudos acadêmicos e se repete há décadas em festivais e shows de pequeno e grande porte. Quem frequenta esses eventos observa com clareza o que acontece quando as pessoas acompanham juntas o refrão de um grande sucesso de seu artista preferido: instala-se um efeito imediato de bem-estar coletivo, pertencimento e conexão social.
Esse momento compartilhado, em que vozes diferentes se unem em uma mesma melodia, cria uma sensação quase instantânea de comunhão emocional. Não é exagero dizer que esse fenômeno ajuda a explicar o crescimento contínuo dos grandes eventos musicais. Mais do que assistir a um espetáculo, o público busca viver uma experiência coletiva que dificilmente pode ser reproduzida de forma individual.
O rádio, a audição coletiva e a sociabilidade amplificada pela internet
Se o canto em grupo já demonstra esse poder em eventos presenciais, o rádio exerce papel semelhante ao transformar a audição em uma experiência coletiva cotidiana. Diferente do consumo isolado, o rádio conecta milhares de ouvintes ao mesmo tempo, criando uma trilha sonora compartilhada para diferentes rotinas, cidades e culturas.
Hoje, com o apoio das redes sociais, esse efeito é ampliado. Comentários, mensagens e interações em tempo real permitem que ouvintes conversem entre si, troquem impressões e emoções e reforcem o senso de pertencimento muito além do dial.
A Antena 1 é um exemplo claro desse alcance. Ao transmitir para ouvintes em todo o Brasil e também na Itália, a emissora conecta pessoas de diferentes regiões do mundo por meio da música. Essa audição coletiva, agora expandida pela internet, potencializa os benefícios emocionais já comprovados pela ciência e reafirma o rádio como um meio vivo, social e profundamente humano.
Ouvir e cantar música faz bem porque ativa corpo, cérebro e vínculos sociais ao mesmo tempo. Quando essa experiência é compartilhada, seja em um show lotado ou no rádio, o efeito deixa de ser individual e se transforma em algo maior: um estado coletivo de bem-estar que continua sendo um dos grandes motores da música na vida das pessoas.


