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COMO O 11 DE SETEMBRO AFETOU A INDÚSTRIA MUSICAL

DO RÁDIO AOS GRANDES SHOWS, ATENTADOS DE 2001 PROVOCARAM MUDANÇAS IMEDIATAS NO MUNDO DA MÚSICA

João Carlos

11/09/2026

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Crédito da imagem: gerada por IA

O 11 de setembro de 2001 marcou profundamente a história mundial e também produziu efeitos imediatos na indústria musical. Shows foram cancelados ou adiados, programações de rádio foram revistas e artistas se mobilizaram em grandes apresentações beneficentes.

Por uma coincidência de calendário, aquela terça-feira também era um importante dia de lançamentos nos Estados Unidos. Entre os discos que chegaram ao mercado estavam Love and Theft, de Bob Dylan, The Blueprint, de Jay-Z, e Silver Side Up, do Nickelback, álbum que apresentaria ao mundo o sucesso “How You Remind Me”.

Outra coincidência histórica envolve John Lennon. Exatamente 30 anos antes, em 11 de setembro de 1971, o álbum Imagine chegava às lojas nos Estados Unidos. O disco se tornaria um dos trabalhos mais importantes da carreira solo do ex-Beatle, tendo a faixa-título como uma das canções pacifistas mais reconhecidas da história da música. Curiosamente, três décadas depois, “Imagine” voltaria ao centro das atenções justamente por causa dos acontecimentos de 11 de setembro.

O rádio também mudou

Nos dias seguintes aos atentados, emissoras americanas passaram a avaliar com maior cautela músicas que poderiam ser consideradas inadequadas ou sensíveis diante daquele momento.

Um dos episódios mais conhecidos envolveu a Clear Channel Communications, então uma das maiores companhias de rádio dos Estados Unidos. Circulou internamente uma relação com aproximadamente 150 músicas consideradas potencialmente sensíveis. Não se tratava de uma proibição oficial, mas a lista ganhou enorme repercussão.

O repertório incluía artistas como Elton John, Queen, Simon & Garfunkel, AC/DC e John Lennon. A presença de “Imagine” entre as músicas mencionadas tornou-se especialmente controversa.

Música em resposta à tragédia

Crédito da imagem: Reprodução/Facebook

A reação da indústria rapidamente passou das mudanças de programação para a mobilização.

Apenas dez dias depois dos ataques, o especial beneficente America: A Tribute to Heroes reuniu alguns dos maiores nomes da música. Stevie Wonder, U2, Sting, Bruce Springsteen, Billy Joel, Alicia Keys e Neil Young estiveram entre os artistas que participaram.

No mês seguinte, o Madison Square Garden, em Nova York, recebeu o Concert for New York City. O evento reuniu nomes como Paul McCartney, David Bowie, The Who, Elton John, Bon Jovi e Eric Clapton, além de prestar homenagem principalmente aos profissionais que atuaram nas operações de emergência e resgate.

O impacto chegou aos novos discos

Alguns projetos precisaram ser modificados. Um dos casos mais impressionantes envolveu o grupo americano The Coup. Meses antes dos atentados, a banda havia produzido para o álbum Party Music uma capa que mostrava, de forma fictícia, as Torres Gêmeas explodindo.

Diante da coincidência trágica com os acontecimentos reais, a imagem foi descartada e substituída antes do lançamento.

O impacto daquele período também começou a aparecer nas próprias composições. Em 2002, Bruce Springsteen lançou The Rising, álbum profundamente associado ao cenário posterior aos atentados, abordando temas como perda, luto, esperança e reconstrução.

25 anos depois, o 11 de setembro de 2001 permanece como um marco também para a história da música. Naquele momento, rádios, gravadoras, artistas e grandes eventos precisaram responder quase imediatamente a uma realidade que havia mudado, enquanto a arte de compor se transformava em uma das formas de homenagem, reflexão e união.

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