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COMO SERÁ O SISTEMA ANTIDRONE DO AEROPORTO DE GUARULHOS

TECNOLOGIA SERÁ CAPAZ DE DETECTAR, MONITORAR E NEUTRALIZAR DRONES QUE REPRESENTEM RISCO ÀS OPERAÇÕES AÉREAS

João Carlos

16/09/2026

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Crédito da imagem: gerada por IA

O Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, será o primeiro do Brasil a receber diretrizes específicas para a implantação de um sistema antidrones. A tecnologia deverá identificar aeronaves não tripuladas nas proximidades do terminal, acompanhar seus movimentos e permitir ações para mitigar ou neutralizar aquelas que representem risco para pousos e decolagens.

As diretrizes foram encaminhadas pelo Ministério de Portos e Aeroportos à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em 11 de setembro. A medida surge após episódios recentes em que drones provocaram interrupções das operações no maior aeroporto do país.

Mas como funcionará esse novo sistema? Alguns detalhes importantes, como fabricante, equipamentos utilizados, alcance e método de neutralização, ainda não foram divulgados. O que já está definido permite entender como deverá funcionar a nova camada de proteção do aeroporto.

Da detecção à neutralização

O sistema previsto para Guarulhos terá quatro funções principais: detectar, monitorar, mitigar e neutralizar drones que possam representar risco às operações do aeroporto.

Na prática, a estrutura deverá permitir que um equipamento não autorizado seja identificado e acompanhado dentro das áreas de proteção estabelecidas para o terminal. A partir da avaliação da ameaça, poderão ser adotadas medidas para impedir que o drone interfira na movimentação das aeronaves.

O termo “neutralização” não significa necessariamente derrubar o equipamento. A ação poderá envolver recursos capazes de interromper sua operação ou afastar o risco, de acordo com os procedimentos que forem definidos pelas autoridades responsáveis.

Os equipamentos utilizados em Guarulhos terão de ser homologados pela Anatel, enquanto o Decea participará da definição das áreas protegidas e dos procedimentos relacionados à segurança das operações aéreas.

Quem será responsável pelo sistema?

A concessionária que administra o Aeroporto de Guarulhos deverá adquirir, implantar e operar as capacidades de detecção, monitoramento, mitigação e neutralização, seguindo os requisitos estabelecidos pelas autoridades.

O projeto, porém, envolverá diferentes órgãos públicos.

A implantação será articulada entre Anac, Polícia Federal, Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), Receita Federal e Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

O Decea deverá participar da definição das áreas que serão protegidas e dos procedimentos para uma eventual suspensão e posterior retomada das operações aéreas. Os equipamentos utilizados também precisarão ser homologados pela Anatel.

Por que Guarulhos foi escolhido?

Crédito da imagem: GRU Airport

A escolha está diretamente relacionada à importância de Guarulhos para a malha aérea brasileira e ao histórico de ocorrências envolvendo drones nas proximidades do aeroporto, segundo o Ministério de Portos e Aeroportos.

Um dos casos mais graves ocorreu em 15 de fevereiro. Aproximadamente oito drones foram avistados nas rotas utilizadas pelas aeronaves, e as operações ficaram suspensas por cerca de três horas.

Segundo a Anac, 32 voos foram desviados para outros aeroportos e oito foram cancelados. Durante a ocorrência, a Polícia Militar utilizou um bloqueador de sinal para neutralizar os equipamentos.

O problema voltou a acontecer poucos meses depois.

Na noite de 19 de agosto, um novo avistamento de drones próximo à pista levou à interrupção dos pousos e decolagens durante aproximadamente meia hora. Quatorze voos com destino a Guarulhos foram desviados para outros aeroportos.

Os episódios ajudam a explicar a urgência da medida.

Sistema ainda passará por avaliações

Apesar do anúncio, o projeto ainda não chegou à etapa final de implantação.

A Anac deverá realizar uma avaliação de risco e de custo-benefício, ouvindo também a Polícia Federal e o Decea. O governo ainda não divulgou o valor do investimento nem uma data para que o sistema esteja efetivamente em funcionamento.

Também deverá ser analisada uma eventual necessidade de reequilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão, caso a implantação represente investimentos adicionais às obrigações já previstas para a concessionária.

Guarulhos pode abrir caminho para outros aeroportos

A experiência terá importância além de São Paulo.

O sistema de Guarulhos servirá como referência para a Anac avaliar se tecnologias semelhantes deverão ser exigidas em outros aeroportos brasileiros.

Para isso, serão considerados fatores como número de passageiros e aeronaves, importância do terminal para a malha aérea nacional, histórico de ocorrências com drones e características da região ao redor de cada aeroporto.

Guarulhos será, portanto, o primeiro teste de um modelo que poderá mudar a maneira como os grandes aeroportos brasileiros lidam com a presença irregular de drones em áreas críticas.

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