Consumo tende a desacelerar no Brasil com impacto menor de medidas fiscais, dizem analistas
Consumo tende a desacelerar no Brasil com impacto menor de medidas fiscais, dizem analistas
Reuters
29/05/2026
Por Camila Moreira
SÃO PAULO, 29 Mai (Reuters) - Destaque no crescimento da economia no primeiro trimestre, o consumo das famílias deve perder força no restante do ano e colaborar para a desaceleração prevista da atividade mesmo com Copa do Mundo e eleição no radar, de acordo com analistas.
Influenciado por medidas fiscais do governo, o consumo das famílias cresceu 1,0% nos três primeiros meses do ano, depois de ficar praticamente estagnado no final de 2025.
Mas os efeitos dessas políticas, destacadamente a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$5.000, não devem se propagar muito mais pelos próximos trimestres ou tendem a ter impactos menores.
'A questão do Imposto de Renda teve impacto no primeiro trimestre, e esse impacto deve ir perdendo efeito, já subiu o degrau', disse Leonardo Costa, economista do ASA. 'Nenhuma outra medida fiscal que vem agora terá o mesmo impacto', completou, projetando desaceleração do crescimento do PIB a algo entre 0,5% e 0,8% no segundo trimestre, após alta de 1,1% nos primeiros três meses do ano.
Para Claudia Moreno, economista do C6 Bank, outras medidas, como a concessão de crédito com desconto em folha para trabalhadores do setor privado e programas relacionados ao mercado imobiliário, devem ter impactos menores, mas ainda aumentam, em conjunto, a disponibilidade de renda para o consumo das famílias.
'Com essas medidas que estão sendo tomadas, a economia passa a resistir à desaceleração (mais intensa)', disse ela, calculando crescimento de 0,5% de abril a junho sobre os três meses anteriores.
O Novo Desenrola, programa de renegociação de dívidas para famílias, micro e pequenas empresas e agricultores familiares, também pode ter algum potencial de descompressão na renda das famílias, elevando a disponibilidade de renda.
'Mas não é uma solução definitiva, então devemos continuar vendo um quadro de comprometimento de renda e endividamento. Não muda o quadro geral de ser ambiente restritivo', alertou Gabriel Couto, economista do Santander. Ele projeta expansão de 0,4% da economia no segundo trimestre.
Os analistas também não veem impulso para o PIB da Copa do Mundo, de 11 de junho a 19 de julho, e das eleições presidenciais, em outubro, considerando que seus impactos são pontuais.
'Copa e eleição tendem a ser voláteis, não vão alterar o consumo. É apenas muito pontualmente, mas logo em seguida volta à normalidade. E PIB é fluxo, tem que manter o fluxo a partir daí', disse Costa, do ASA.
(Edição de Isabel Versiani)
Reuters

