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Consumo tende a desacelerar no Brasil com impacto menor de medidas fiscais, dizem analistas

Consumo tende a desacelerar no Brasil com impacto menor de medidas fiscais, dizem analistas

Reuters

29/05/2026

Placeholder - loading - Clientes fazem compras em um supermercado na semana de compras da Black Friday, em Osasco, Brasil, em 28 de novembro de 2024. REUTERS/Carla Carniel
Clientes fazem compras em um supermercado na semana de compras da Black Friday, em Osasco, Brasil, em 28 de novembro de 2024. REUTERS/Carla Carniel

Por Camila Moreira

SÃO PAULO, 29 Mai (Reuters) - Destaque ​no crescimento da economia no primeiro trimestre, o consumo das famílias deve perder força no restante do ano e colaborar para a desaceleração prevista da atividade mesmo com Copa do Mundo e eleição no radar, de acordo com analistas.

Influenciado por medidas fiscais do governo, o consumo das famílias cresceu 1,0% nos três primeiros meses do ano, depois de ficar praticamente estagnado no final de 2025.

Mas os efeitos dessas políticas, destacadamente a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$5.000, não devem ⁠se ⁠propagar muito mais pelos próximos trimestres ​ou tendem ‌a ter impactos menores.

'A questão do Imposto de Renda teve impacto no primeiro trimestre, e esse impacto deve ir perdendo efeito, já subiu o degrau', disse Leonardo Costa, economista do ASA. 'Nenhuma outra medida fiscal que vem ⁠agora terá o mesmo impacto', completou, projetando desaceleração do crescimento do PIB ​a algo entre 0,5% e 0,8% no segundo trimestre, após alta de ​1,1% nos primeiros três meses do ano.

Para Claudia ‌Moreno, economista do ​C6 Bank, ⁠outras medidas, como a concessão de crédito com desconto em folha para trabalhadores do setor privado e programas relacionados ao mercado imobiliário, devem ter impactos menores, mas ainda ​aumentam, em conjunto, a disponibilidade de renda para o consumo das famílias.

'Com essas medidas que estão sendo tomadas, a economia passa a resistir à desaceleração (mais intensa)', disse ela, calculando crescimento de 0,5% de abril a junho sobre os três meses ​anteriores.

O Novo Desenrola, programa de renegociação de dívidas para famílias, micro e pequenas empresas e agricultores familiares, também pode ter algum potencial de descompressão na renda das famílias, elevando a disponibilidade de renda.

'Mas não é uma solução definitiva, então devemos continuar vendo um quadro de comprometimento de renda e endividamento. Não muda o quadro geral de ser ambiente restritivo', alertou Gabriel Couto, economista do Santander. Ele projeta expansão ​de 0,4% da economia no segundo trimestre.

Os analistas também não veem impulso para o ‌PIB da Copa do Mundo, de 11 ⁠de junho a 19 de julho, e das eleições presidenciais, em outubro, considerando que seus impactos são pontuais.

'Copa e eleição tendem a ser voláteis, não ⁠vão alterar o consumo. É apenas muito pontualmente, mas ⁠logo em seguida volta à normalidade. ⁠E PIB é fluxo, ⁠tem ​que manter o fluxo a partir daí', disse Costa, do ASA.

(Edição de Isabel Versiani)

Reuters

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