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Crescimento do PIB acelera no 1º tri com impulso de agro e indústria em meio à alta do consumo

Crescimento do PIB acelera no 1º tri com impulso de agro e indústria em meio à alta do consumo

Reuters

29/05/2026

Placeholder - loading - Paisagem urbana do centro de São Paulo, 13 de janeiro de 2025. REUTERS/Jorge Silva
Paisagem urbana do centro de São Paulo, 13 de janeiro de 2025. REUTERS/Jorge Silva

Atualizada em  29/05/2026

Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO, 29 ​Mai (Reuters) - A economia do Brasil acelerou no primeiro trimestre deste ano com expansão de 1,1% frente aos três últimos meses de 2025, no resultado trimestral mais forte em um ano, diante do impulso da agropecuária e da indústria e com o consumo ganhando força em meio a um mercado de trabalho resiliente e medidas fiscais estimulativas.

O resultado de janeiro a março, divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou aceleração em relação à taxa de 0,3% vista no quarto trimestre de 2025 e ficou ligeiramente acima da expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 1,0%.

Também foi o mais forte desde a expansão de 1,3% no primeiro trimestre de 2025, e, segundo o IBGE, deixa o PIB no ponto mais alto da série.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, o PIB apresentou crescimento de 1,8%, em linha com a expectativa ⁠nessa base de comparação.

A ⁠leitura abrangeu um mês da guerra entre Estados Unidos ​e Israel ‌contra o Irã, que começou em 28 de fevereiro e já afetou a inflação brasileira devido ao aumento dos preços do petróleo com o fechamento do Estreito de Ormuz.

No entanto, analistas apontavam uma aceleração da economia no início do ano diante de ganhos na agropecuária e de um mercado de trabalho ainda resiliente.

Medidas que favorecem o consumo, como a ampliação da isenção do Imposto de ⁠Renda, também ajudam a sustentar a atividade, ainda que pese o elevado nível de endividamento das famílias, que ​levou o governo a lançar o Novo Desenrola, programa de renegociação de dívidas para famílias, micro e pequenas empresas e agricultores ​familiares.

Por sua vez, o Banco Central iniciou o afrouxamento da política monetária, já tendo ‌reduzido a taxa básica de ​juros Selic ⁠duas vezes neste ano em 0,25 ponto percentual cada, a 14,50%.

'Mostra uma economia resistente a choques, passamos por vários choques nos últimos anos -- pandemia, Ucrânia, tarifaço, crise climática no Rio Grande do Sul, petróleo agora, e mesmo assim o crescimento desde 2022 tem sido acima da média dos últimos 40 ​anos', disse o economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani.

'Mas isso traz uma preocupação, uma das histórias dessa retomada agora são os incentivos fiscais e parafiscais que atuam contra o mandato legal do BC, portanto isso sugere juros mais elevados por mais tempo', acrescentou.

AGRO, INDÚSTRIA E CONSUMO

Do lado da produção, a agropecuária registrou crescimento de 2,0% no primeiro trimestre sobre os três meses anteriores, depois de avançar apenas 0,1% no quarto ​trimestre de 2025.

A indústria teve alta de 1,0%, recuperando-se da queda de 0,7% no final de 2025 e registrando o melhor resultado desde o quarto trimestre de 2023.

'Isso mostra alguma recuperação da indústria, ainda que parcial, mas puxada principalmente pela indústria extrativa (+3,6%), que é menos dependente da política monetária. Os itens mais sensíveis à política monetária, a indústria de transformação, continuam com desempenho mais fraco, variando negativamente no ano contra ano', disse Antonio Ricciardi, economista do Daycoval

Por outro lado, os serviços --setor que responde por cerca de 70% da economia do país -- desaceleraram a expansão a 0,5% no primeiro trimestre, de 0,7% no período anterior.

Já do lado das despesas, o consumo das famílias cresceu 1,0% de janeiro a março, ​acelerando ante a taxa de 0,2% registrada no trimestre anterior.

'Mesmo com juros mais altos, houve aumento da renda, da massa salarial e até do crédito. ‌Programas e políticas públicas, a expansão da renda e do ⁠crédito ajudam o poder de consumo. Mais renda é mais consumo', disse o coordenador de Contas Nacionais do IBGE, Ricardo Montes de Moraes.

O aumento do consumo do governo, por sua vez, foi de 0,4%, contra 0,9% no quarto trimestre de 2025. Enquanto isso, a Formação Bruta ⁠de Capital Fixo, uma medida de investimento, avançou 3,5% no quarto trimestre, depois de ter ⁠retraído 3,4% no período anterior.

No setor externo, as exportações de bens ⁠e serviços recuaram 1,7% após ⁠mostrarem ​expansão em todos os trimestres de 2025, enquanto as importações cresceram 4,4% depois de três trimestres seguidos de retração.

(Por Camila Moreira; edição de Isabel Versiani)

Reuters

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