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David reitera desconforto do BC com expectativas de inflação para 2028 e diz que 'tudo pode ser feito' para buscar meta

David reitera desconforto do BC com expectativas de inflação para 2028 e diz que 'tudo pode ser feito' para buscar meta

Reuters

28/05/2026

Placeholder - loading - Imagem de drone do prédio da sede do Banco Central em Brasília, 26 de dezembro de 2024. REUTERS/Ueslei Marcelino
Imagem de drone do prédio da sede do Banco Central em Brasília, 26 de dezembro de 2024. REUTERS/Ueslei Marcelino

Atualizada em  28/05/2026

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 28 Mai (Reuters) - O diretor de ​Política Monetária do Banco Central, Nilton David, reiterou nesta quinta-feira o desconforto da autoridade monetária com a elevação das expectativas de inflação para 2028 no Brasil, acrescentando que a instituição tem a obrigação de perseguir o cumprimento da meta inflacionária, e assim o fará.

'Hoje temos uma perturbação relevante', comentou David, em referência ao conflito no Oriente Médio, durante palestra em evento organizado pelo Banco Pine, em São Paulo. 'O BC está atento a isso, não vai permitir que isso se transforme em inflação além do horizonte relevante', acrescentou.

O centro da meta de inflação perseguida pelo BC é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, o que implica uma taxa máxima de 4,5%. Desde o início da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, no fim de fevereiro, as ⁠expectativas de inflação têm ⁠subido no Brasil, na esteira da disparada dos ​preços internacionais do ‌petróleo.

Nas últimas semanas, dirigentes do BC vêm destacando o desconforto com o fato de as projeções para 2028, em especial, estarem se distanciando do centro da meta. No boletim Focus mais recente, a mediana das projeções dos economistas para a inflação em 2028 estava em 3,65% -- antes do início da guerra a taxa era de 3,50%.

'Houve deslocamento de 15 ⁠pontos-base da expectativa de inflação de 2028, mas é algo que salta aos olhos', pontuou David nesta ​quinta-feira. Ele acrescentou que o BC buscará o cumprimento da meta e disse que, no caso de 2028, 'tudo pode ​ser feito'.

O foco do BC em 2028 está ligado à defasagem da ‌política monetária. Isso significa, na prática, ​que ao ⁠alterar a taxa básica Selic, hoje em 14,50% ao ano, os efeitos sobre a inflação são percebidos apenas meses à frente.

'Não há nada muito que possa ser feito em termos de política monetária para a inflação de 2026. Para a inflação de 2027, já está ​no meu horizonte. De 2028, mais ainda', pontuou David em outro momento.

O diretor reforçou ainda que a intenção do BC no fim do atual ciclo de cortes da Selic é manter a taxa em um nível contracionista, 'em tempo suficiente para que a inflação migre para a meta'.

'A diferença de 'calibração' para 'afrouxamento' é que o objetivo do BC não é chegar no juro neutro', disse. O juro ​neutro é a taxa com a qual o BC não estimula nem freia a atividade econômica.

Em sua fala, David também afirmou que atualmente é 'bastante difícil' avaliar qual será o juro neutro da economia em função dos vários eventos extraordinários na economia.

Em suas comunicações mais recentes, o BC tem tratado os cortes da Selic como um processo de 'calibração' da taxa. Conforme David, o fato de o BC estar cortando a Selic não significa que ele esteja sendo 'dove' (tolerante com a inflação) na política monetária.

No mercado, a expectativa é de que o BC promova mais um corte de 25 pontos-base da Selic em junho, mas há dúvidas sobre o espaço para ​novas reduções depois disso, justamente por conta do descolamento das expectativas de inflação da meta, em meio à continuidade da guerra no Oriente ‌Médio.

MERCADO DE CÂMBIO

Durante o evento do Pine, David afirmou ⁠ainda que o real se comportou de forma atípica nos últimos 12 meses, quase como um 'unicórnio' -- ou seja, uma exceção -- em eventos de pressão sobre as moedas globais, tendo se apreciado com baixa volatilidade em meio ao tarifaço dos EUA e da ⁠guerra no Oriente Médio.

Neste aspecto, David reforçou que o BC não tem objetivos de ⁠preço nem de volatilidade no mercado de câmbio.

'É desejável que ⁠a volatilidade dos ativos seja ⁠contida. ​Quanto maior volatilidade, maior o prêmio de risco', afirmou. 'Mas o BC não vai atuar para conter nem preço, nem volatilidade.'

(Edição de Isabel Versiani)

Reuters

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