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    De olho nos votos para Previdência, governo intensifica esforço para organizar base

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    Por Maria Carolina Marcello

    BRASÍLIA (Reuters) - O governo do presidente Jair Bolsonaro reforçou a atuação para organizar a base de apoio e garantir os votos necessários para a aprovação da reforma da Previdência, em meio a cobranças de parlamentares insatisfeitos.

    Bolsonaro reuniu-se no fim de semana com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que tem assumido cada vez mais um protagonismo nas negociações em torno da reforma e participado ativamente de conversa com líderes, dirigentes de partidos e governadores nessa tentativa de articulação.

    O presidente da Câmara também está por trás das conversas para a indicação de Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) para a liderança da Maioria na Câmara, segundo duas fontes, o que ajudaria na organização da base. A indicação do parlamentar, que já liderou a bancada governista na gestão do ex-presidente Michel Temer e é tido como um bom articulador nos bastidores, poderia trazer partidos do centro para a base de forma mais consistente. O anúncio deve ocorrer ainda nesta semana.

    Em uma outra frente, o governo liberou cerca de 1 bilhão de reais em emendas parlamentares, inclusive para a oposição. A notícia veio à tona em reunião de líderes na noite da segunda-feira, na residência oficial do presidente da Câmara, onde foi anunciada pelo líder do governo na Casa, Major Vitor Hugo (PSL-GO).

    Resta saber se o movimento será suficiente para conter a insatisfação entre congressistas, sendo que até mesmo aliados do governo reconhecem a desarticulação da base. Também pesam nessa equação críticas ao projeto da reforma --principalmente relacionadas às mudanças em benefícios assistenciais e na aposentadoria rural-- e a ansiedade em torno do envio do projeto com novas regras para as aposentadoria para militares.

    Líderes já avisaram que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), primeiro colegiado a analisar a Proposta de Emenda à Constituição sobre a Previdência, só votará a admissibilidade da PEC quando o projeto dos militares chegar ao Congresso. A comissão deve ser instalada na quarta-feira.

    Uma PEC precisa dos votos de pelo menos 308 dos 513 deputados em dois turnos de votação. Pouco antes do Carnaval, estimativas “otimistas” calculavam 100 votos favoráveis à proposta, enquanto uma abordagem mais “realista” calculava esse número em 80 votos.

    Escrito por Thomson Reuters

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