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Desentendimentos sobre guerras na Ucrânia e no Oriente Médio pairam sobre reunião do G20 nos EUA

Desentendimentos sobre guerras na Ucrânia e no Oriente Médio pairam sobre reunião do G20 nos EUA

Reuters

30/10/2026

Placeholder - loading - Placa dá as boas-vindas aos visitantes antes da Reunião dos Ministros das Relações Exteriores do G20 no centro de Atlanta, EUA 29 de outubro de 2026 REUTERS/Megan Varner
Placa dá as boas-vindas aos visitantes antes da Reunião dos Ministros das Relações Exteriores do G20 no centro de Atlanta, EUA 29 de outubro de 2026 REUTERS/Megan Varner

Por Andrea Shalal

ATLANTA, 30 Out (Reuters) - Divergências profundas sobre as ​guerras na Ucrânia e no Oriente Médio provavelmente impedirão ações ou declarações unificadas em uma reunião de dois dias dos ministros das Relações Exteriores das 20 maiores economias do mundo, em Atlanta, afirmaram especialistas e diplomatas.

Os EUA, que detêm a presidência rotativa do G20 este ano, têm buscado concentrar a atenção de seus aliados nos desequilíbrios comerciais, ao mesmo tempo em que formam uma coalizão para combater o controle da China sobre minerais essenciais. No entanto, as guerras — e seu impacto econômico — continuam sendo a principal preocupação para muitos membros do G20.

Os EUA não convidaram a África do Sul para a reunião ministerial, que ocorre de 30 a 31 de outubro, enquanto o ministro das Relações ⁠Exteriores da Rússia, ⁠Sergei Lavrov, estará presente, o que aumenta as ​tensões. Até ‌mesmo a tradicional foto de família do G20 causou algumas dores de cabeça, com algumas autoridades europeias sugerindo agora duas fotos separadas — uma com Lavrov e outra sem ele.

Com os membros do G20 — Rússia, China e muitas potências médias, como Brasil e Índia — tentando lidar com a competição estratégica entre EUA e ⁠China, há “uma divisão muito maior do que já tivemos”, disse Heidi Crebo-Rediker, que foi economista-chefe ​do Departamento de Estado dos EUA durante o governo do ex-presidente norte-americano Barack Obama.

Ao longo da última ​década, os países do G7 pelo menos “chegavam a um acordo sobre ‌uma plataforma coordenada antes de ​comparecerem ⁠ao G20, mas agora nem mesmo isso temos”, acrescentou ela.

Um funcionário do Departamento de Estado disse aos repórteres na quinta-feira que a reunião em Atlanta se concentraria nos desafios relacionados à energia e à cadeia de suprimentos, considerados cruciais para ​o desenvolvimento da inteligência artificial. O funcionário afirmou que quatro reuniões ministeriais do G20 realizadas este ano alcançaram algum consenso, mas que ainda era necessário mais trabalho antes da cúpula de líderes, que ocorrerá de 14 a 16 de dezembro em Miami.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que está organizando o encontro, tem defendido a ​iniciativa Pax Silica, que visa unir os países do G20 preocupados com o domínio da China sobre terras raras e outros minerais críticos.

Mas qualquer avanço nessa frente provavelmente ocorrerá posteriormente, afirmaram especialistas, apontando para uma declaração liderada pelos EUA sobre o excesso de capacidade industrial que alguns ministros do Comércio do G20 assinaram depois que o grupo não conseguiu chegar a um consenso.

“Vai ser muito difícil chegar a um acordo completo sobre qualquer uma das questões estratégicas mais amplas que normalmente estariam na pauta”, disse Crebo-Rediker.

Elaine Dezenski, ex-autoridade norte-americana que dirige o Centro de Poder Econômico ​e Financeiro da Fundação para a Defesa das Democracias, um think tank com sede em Washington, disse que tais declarações ‌de grupos para esta finalidade podem se revelar ⁠o caminho a seguir.

“A reunião de Atlanta ocorre em um ambiente de crescente desacordo sobre a ordem econômica global, e o verdadeiro teste é se os EUA conseguirão construir cooperação com seus parceiros quando o consenso ⁠entre todos os membros parece estar fora de alcance”, disse ela a ⁠repórteres nesta semana. Ela observou que o Quad — um grupo ⁠de segurança formado por ⁠EUA, ​Índia, Japão e Austrália — também se reunirá em Atlanta nos próximos dias.

(Reportagem de Andrea Shalal; Reportagem adicional de Simon Lewis)

Reuters

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