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    Desmatamento da Amazônia cai no trimestre, mas sobe em março antes de cúpula de Biden

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    Área desmatada da floresta amazônia na região de Porto Velho (RO) 14/08/2020 REUTERS/Ueslei Marcelino

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    Por Jake Spring

    BRASÍLIA (Reuters) - O desmatamento na Floresta Amazônica brasileira caiu no primeiro trimestre, mostraram dados preliminares do governo, mas a queda pode ser devido principalmente à cobertura mais intensa de nuvens este ano, e especialistas apontam para um salto preocupante na destruição de março.

    A destruição da floresta tropical tem aumentado desde que o presidente Jair Bolsonaro assumiu o cargo em janeiro de 2019, enfraquecendo a fiscalização ambiental e defendendo o desenvolvimento da Amazônia.

    Dados anuais oficiais --sob intenso escrutínio no momento em que o governo do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, diz que espera trabalhar com o Brasil para reduzir o desmatamento-- mostram que o desmatamento atingiu a maior alta em 12 anos em 2020.

    Mas o governo afirma que os dados mensais recentes apontam que uma dispendiosa ação militar lançada no final de 2019 para controlar queimadas e desmatamento está finalmente dando resultados.

    Bolsonaro foi convidado para a cúpula do Dia da Terra de Biden em 22 de abril com líderes mundiais, enquanto os dois lados tentam negociar um acordo para proteger a Amazônia. Biden disse no ano passado que o mundo deveria mobilizar 20 bilhões de dólares em doação ao Brasil para impedir o desmatamento, ameaçando consequências econômicas não especificadas se o Brasil não fosse bem-sucedido.

    Cerca de 576 quilômetros quadrados foram destruídos nos primeiros três meses, uma queda de 28% em comparação com o mesmo período do ano anterior, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

    Mas a cobertura de nuvens, que pode obscurecer o desmatamento nas imagens de satélite, foi de 44-49% nos primeiros três meses do ano, maior do que 17-32% no ano passado.

    Um especialista do governo, falando sob condição de anonimato por temor de consequências profissionais, disse que janeiro e fevereiro não são um sinal confiável do estado do desmatamento, pois apresentam baixos níveis de desmatamento em comparação com os meses de pico, de maio a outubro, e são altamente voláteis.

    Mas um aumento de 12,4% no desmatamento em março é motivo de preocupação e as tendências ficarão mais claras quando os dados de abril estiverem disponíveis, segundo o especialista.

    O desmatamento que foi obscurecido por nuvens será detectado nos meses seguintes, quando a estação das chuvas começar a diminuir.

    O aumento do desmatamento em março deve servir como um sinal de alerta para o governo Biden não fazer um acordo com Bolsonaro, disse Cristiane Mazzetti, ativista florestal do Greenpeace Brasil.

    “O que já é ruim pode piorar', disse ela. 'O dado de março é mais um motivo para que o governo Biden não assine um cheque em branco com o governo de Bolsonaro.'

    O Ministério das Relações Exteriores disse à Reuters que 'os diálogos têm avançado consistentemente em áreas de interesse brasileiro, como financiamento e colaboração técnica orientados a ações de combate ao desmatamento na região amazônica'.

    Nenhum acordo específico está pronto para ser anunciado, disse o ministério em um comunicado.

    'Os diálogos técnicos de alto nível entre as equipes negociadoras dos Estados Unidos e do Brasil têm sido, até o momento, de natureza estritamente intergovernamental.'

    O ministério não abordou questões sobre os dados de desmatamento do primeiro trimestre.

    Escrito por Reuters

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