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Dinheiro especulativo domina cada vez mais financiamento de emergentes, elevando riscos, diz FMI

Dinheiro especulativo domina cada vez mais financiamento de emergentes, elevando riscos, diz FMI

Reuters

07/04/2026

Placeholder - loading - Logo do FMI na fachada do prédio do Fundo em Washington 4 de setembro de 2018 REUTERS/Yuri Gripas
Logo do FMI na fachada do prédio do Fundo em Washington 4 de setembro de 2018 REUTERS/Yuri Gripas

Por Libby George

LONDRES, 7 Abr (Reuters) - Países emergentes agora ​obtêm a maior parte de seu financiamento externo de fundos de hedge, fundos de pensão e seguradoras, o que os deixa vulneráveis a saídas rápidas durante crises, afirmou o Fundo Monetário Internacional (FMI) em um relatório.

A parcela do dinheiro que flui para a dívida de países emergentes proveniente de investidores de portfólio dobrou nos últimos 20 anos, chegando a 80%, segundo o relatório, uma vez que os bancos recuaram na concessão de empréstimos após a crise financeira de 2008. Desde então, os países emergentes receberam entradas acumuladas de cerca de US$4 trilhões, de acordo com ⁠o relatório.

Em ⁠um capítulo de seu relatório de ​Estabilidade Financeira ‌Global divulgado nesta terça-feira, o FMI disse que essa fonte de dinheiro 'beneficia significativamente os mercados emergentes', já que a ampla liquidez global permitiu que eles levantassem dinheiro com dívidas de longo prazo e de custo mais baixo.

Entretanto, ele também alertou que os ⁠investidores de portfólio se tornaram ainda mais cautelosos desde 2008 -- e propensos ​a retirar seu dinheiro rapidamente quando as condições financeiras globais mudam.

Os países e as empresas ​que dependem deles são 'particularmente vulneráveis aos choques financeiros ‌globais', segundo o relatório.

Os fundos ​de ⁠hedge e os fundos de investimento foram muito mais reativos ao risco do que outros investidores de portfólio, observou o relatório, e alertou que os riscos foram ampliados em nações emergentes com ​mercados financeiros mais rasos e capacidade política mais limitada.

'Uma queda repentina nesses fluxos poderia intensificar as pressões de financiamento externo, aumentar os spreads corporativos e soberanos e desencadear fortes depreciações cambiais', disse o FMI.

O Fundo estimou que os passivos da dívida externa de portfólio eram, em ​média, cerca de 15% do produto interno bruto nos mercados emergentes. Os passivos de ações do portfólio representavam, em média, cerca de 7% do PIB, mas 'representam uma parcela economicamente significativa da capitalização do mercado de ações em alguns mercados emergentes'.

As participações em portfólios estrangeiros são particularmente grandes para moedas como o florim húngaro, que a impulsionou para ganhos de 20% em relação ao dólar dos Estados Unidos no ano passado.

O florim húngaro murchou desde o início da ​guerra do Irã no final de fevereiro, com a queda dos fluxos de dinheiro para os mercados ‌emergentes após mais de um ano ⁠de desempenho excepcional.

O FMI acrescentou que o crédito privado transfronteiriço e os fluxos de stablecoin para os mercados emergentes também estavam 'se expandindo rapidamente', com o último intimamente ligado à dinâmica ⁠do mercado de criptografia.

Para limitar as saídas de fundos de ⁠portfólio, o Fundo pediu aos países que ⁠melhorem a qualidade institucional, ⁠criem ​melhores amortecedores, como reservas cambiais, e garantam que a dívida pública permaneça sustentável.

(Reportagem de Libby George)

Reuters

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