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Importante autoridade de segurança dos EUA pede demissão; diz que Irã não representava ameaça imediata

Importante autoridade de segurança dos EUA pede demissão; diz que Irã não representava ameaça imediata

Reuters

17/03/2026

Placeholder - loading - Joseph Kent, durante audiência no Congresso dos Estados Unidos 11/12/2025 REUTERS/Elizabeth Frantz
Joseph Kent, durante audiência no Congresso dos Estados Unidos 11/12/2025 REUTERS/Elizabeth Frantz

Atualizada em  17/03/2026

Por Erin Banco e Phil Stewart

WASHINGTON, 17 Mar (Reuters) - Uma importante ​autoridade da área de segurança do governo do presidente Donald Trump renunciou nesta terça-feira ao cargo por causa da guerra no Irã, dizendo que o país não representava uma ameaça iminente aos Estados Unidos.

Joe Kent, que chefiava o Centro Nacional de Contraterrorismo, é a primeira autoridade sênior da administração Trump a renunciar por causa do conflito, agora em sua terceira semana.

'Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã. O Irã não representava uma ameaça iminente à nossa nação, e está claro que começamos essa guerra devido à pressão de Israel e seu poderoso lobby', escreveu Joseph Kent em uma carta a Trump publicada no X.

Alguns especialistas têm afirmado que uma ⁠ameaça iminente seria ⁠necessária para que os Estados Unidos iniciassem ​uma guerra de ‌acordo com a lei internacional de guerra.

A carta de Kent a Trump incluía 'alegações falsas', disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, em um comunicado.

'Como o presidente Trump declarou clara e explicitamente, ele tinha provas fortes e convincentes de que o Irã atacaria os Estados Unidos primeiro', disse Leavitt. 'Essa evidência ⁠foi compilada a partir de muitas fontes e fatores.'

Kent não respondeu aos pedidos de comentários ​e o Gabinete da Diretora de Inteligência Nacional, que supervisiona o centro de contraterrorismo, também não respondeu ​imediatamente.

CONHECIDO POR SE OPOR A INTERVENÇÕES MILITARES

Kent é conhecido há muito ‌tempo por suas crenças 'America ​First' (Estados Unidos ⁠em primeiro lugar) e disse que se opõe às intervenções militares dos EUA no exterior.

Ainda assim, o anúncio foi uma surpresa, disse uma autoridade dos EUA.

Kent é próximo da diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, que tem se mantido ​discreta desde o início da guerra contra o Irã.

Gabbard não fez nenhuma declaração pública desde o início da guerra com o Irã e só apareceu em público durante a transferência de soldados norte-americanos mortos durante o conflito.

O Conselho Nacional de Inteligência, que é supervisionado pelo gabinete de Gabbard, emitiu várias avaliações antes e depois do início ​dos ataques dos EUA que destacaram os riscos da intervenção dos EUA.

Esses relatórios indicavam que era improvável que o governo iraniano entrasse em colapso e que o Irã provavelmente retaliaria os postos avançados dos EUA na região e os aliados do Golfo, conforme informado anteriormente pela Reuters.

Kent foi criticado pelos democratas por suas associações com figuras de extrema-direita. Relatos da mídia ligaram Kent ao nacionalista branco Nick Fuentes. Desde então, Kent tem denunciado as opiniões de Fuentes.

O senador Mark Warner, o principal democrata do Comitê de Inteligência, disse que ele nunca deveria ter sido ​confirmado para chefiar o escritório de contraterrorismo.

'Mas, nesse ponto, ele está certo: Não havia nenhuma evidência confiável de uma ‌ameaça iminente do Irã que justificasse apressar os ⁠Estados Unidos para outra guerra de escolha', disse Warner em um comunicado.

No ano passado, Kent pressionou os analistas de inteligência a refazerem uma avaliação sobre a Tren de Aragua, uma gangue venezuelana, que não apoiava o ⁠argumento da Casa Branca de que o presidente venezuelano Nicolás Maduro estava ⁠dirigindo suas operações. O governo havia retratado a gangue ⁠como uma ameaça à ⁠segurança ​para justificar sua repressão à imigração.

(Reportagem de Katharine Jackson, Susan Heavey, Phil Stewart, Erin Banco, Idrees Ali e Jarrett Renshaw)

Reuters

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