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Distribuidoras de gás estimam aumento de 20% em contratos com Petrobras e pedem medidas

Distribuidoras de gás estimam aumento de 20% em contratos com Petrobras e pedem medidas

Reuters

07/04/2026

Placeholder - loading - Refinaria Gabriel Passos (REGAP) da Petrobras no estado de Minas Gerais 20 de março de 2026 REUTERS/Washington Alves
Refinaria Gabriel Passos (REGAP) da Petrobras no estado de Minas Gerais 20 de março de 2026 REUTERS/Washington Alves

Atualizada em  07/04/2026

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO, 7 Abr (Reuters) - As distribuidoras ​de gás canalizado estimam um aumento de 20% em contratos com a Petrobras 100% referenciados no petróleo Brent, a partir de 1º de maio, e pedem que o governo tome medidas para atenuar os impactos, assim como fez com combustíveis concorrentes, disse o diretor-executivo da associação que as representa (Abegás), Marcelo Mendonça.

Tais contratos junto a distribuidoras estaduais são reajustados trimestralmente, e a Abegás projeta um efeito ainda mais alto em agosto, quando poderiam ser reajustados em mais 35%.

As projeções, portanto, apontam para uma alta média de 50% a 60% em tais contratos em agosto, quando comparados com valores de fevereiro, disse Mendonça, considerando dados atuais de mercado.

'A ⁠gente não tem ⁠margem, não tem lastro para conseguir suportar ​um aumento ‌dessa magnitude', afirmou Mendonça, em entrevista à Reuters.

O valor da molécula cobrado pela Petrobras nos contratos é apenas uma parcela da tarifa de gás natural que chega ao consumidor, na ponta, uma vez que também são agregados custos da tarifa de transporte, margem de distribuição e tributos ao ⁠consumidor.

Além disso, com a gradual abertura do mercado de gás natural no Brasil, as ​distribuidoras vêm buscando diversificar o portfólio de suprimento, além da Petrobras, então nem todas são totalmente ​dependentes desses contratos junto à petroleira.

O valor do reajuste, a ‌ser calculado pelas agências ​reguladoras estaduais, ⁠conforme contrato de concessão, incide somente sobre a parcela de suprimento da Petrobras no portfólio da distribuidora.

O governo lançou, no mês passado, um programa de subvenção ao diesel e posteriormente agregou o querosene de aviação (QAV), como forma ​de atenuar os efeitos da disparada dos preços do petróleo e seus derivados no mercado internacional, em meio a uma restrição de oferta gerada pela guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

O governo também lançou recentemente um programa de subsídio voltado ao gás liquefeito de petróleo (GLP), o chamado gás ​de cozinha, importado.

O impacto do preço dos combustíveis na inflação é uma preocupação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição neste ano.

'Quando você incentiva combustíveis concorrentes e até, inclusive, mais poluentes que o gás natural, você acaba incentivando esses combustíveis. E o gás natural, o combustível da transição, perde mercado', disse Mendonça.

Em carta ao Ministério de Minas e Energia, em meados de março, a Abegás afirmou que os cortes de impostos federais ao diesel pelo governo eram acertados, mas que a medida deveria ​alcançar também os veículos pesados que utilizam o gás natural veicular (GNV).

'Entendemos que há nítido prejuízo para o setor de ‌gás natural veicular, na medida em que ⁠foi dado tratamento tributário diverso para outros combustíveis como o óleo diesel, sabidamente mais poluente que o GNV', disse a Abegás em carta ao governo.

A Abegás espera que o governo tome medidas para o ⁠gás natural por meio de algum mecanismo, mas que 'não espere o ⁠problema chegar efetivamente em maio para a gente ⁠poder discutir de fato'.

Procurados, ⁠o ​Ministério de Minas e Energia e a Petrobras não comentaram o assunto imediatamente.

(Por Marta Nogueira; edição de Roberto Samora)

Reuters

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