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Dólar fecha perto da estabilidade ante real apesar de acordo entre EUA e Irã

Dólar fecha perto da estabilidade ante real apesar de acordo entre EUA e Irã

Reuters

15/06/2026

Placeholder - loading - Um funcionário calibra painel eletrônico que exibe taxas de câmbio dentro de casa de câmbio no centro de Nairóbi, no Quênia, 16 de fevereiro de 2024. REUTERS/Thomas Mukoya
Um funcionário calibra painel eletrônico que exibe taxas de câmbio dentro de casa de câmbio no centro de Nairóbi, no Quênia, 16 de fevereiro de 2024. REUTERS/Thomas Mukoya

Atualizada em  15/06/2026

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 15 Jun (Reuters) - Após recuar durante a ​manhã em meio às notícias sobre o acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, o dólar se recuperou ante o real e terminou a segunda-feira próximo da estabilidade, ainda que no exterior a moeda norte-americana tenha se mantido em baixa ante a maior parte das demais divisas.

O dólar à vista fechou o dia com variação positiva de 0,11%, aos R$5,0666. No ano, a divisa passou a acumular queda de 7,70% ante o real.

Às 17h04, o dólar futuro para julho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 0,02% na B3, aos R$5,0855.

As notícias sobre um acordo entre EUA e Irã foram bem recebidas pelo mercado. No fim de semana, autoridades norte-americanas e iranianas afirmaram ter chegado a um entendimento para pôr fim ao conflito e reabrir o Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do petróleo e do gás comercializados no mundo.

Nesta ⁠segunda-feira, o presidente dos ⁠EUA, Donald Trump, o vice-presidente JD Vance e o ​presidente do Parlamento ‌iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, assinaram um memorando de entendimento para encerrar a guerra. Uma cerimônia formal de assinatura deve ocorrer na sexta-feira, e a expectativa é de que o tráfego pelo Estreito de Ormuz aumente de forma gradual.

Neste cenário, o petróleo Brent voltou a ceder, para a faixa dos US$83 o barril, enquanto os rendimentos dos Treasuries recuaram. Nos mercados de moedas, o dólar emplacou ⁠perdas ante boa parte das divisas de países emergentes, marcando a cotação mínima de R$5,0267 (-0,68%) às 10h42 no ​Brasil.

'Não é surpresa que a solução para Ormuz traga uma onda de otimismo: o Fomc (Comitê de Mercado Abrerto do Federal Reserve) ​terá menos argumentos para subir os juros e o DXY (índice do dólar) tende a ‌se enfraquecer, fatos que beneficiam os ​ativos ⁠de risco', disse pela manhã o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, em análise enviada a clientes.

No início da tarde, porém, a moeda norte-americana já havia zerado as perdas ante o real, em paralelo à virada do Ibovespa para o território negativo, em uma aparente mudança de humor ​no Brasil.

“O câmbio está acompanhando a bolsa nessa virada”, comentou à tarde o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo. “O petróleo está desabando de forma consistente... Esse tombo de 5% no Brent derrubou como de costume a Petrobras, que puxa o índice (Ibovespa) inteiro”, acrescentou.

Profissionais do mercado costumam lembrar que as ações da Petrobras são bastante negociadas pelos investidores estrangeiros. Assim, quando há um movimento consistente de venda dos papéis da petrolífera, ​é de se esperar que isso também sensibilize o câmbio, dando força ao dólar.

Às 16h13, já na reta final da sessão, o dólar à vista marcou a máxima de R$5,0747 (+0,27%), para depois se reaproximar da estabilidade.

Pela manhã, o boletim Focus divulgado pelo Banco Central mostrou que a mediana das projeções dos economistas do mercado reportadas até a semana passada para o dólar no fim de 2026 foi de R$5,15 para R$5,20. Já a inflação projetada para este ano saltou de 5,11% para 5,30% e para o próximo ano foi de 4,03% para 4,10%.

Também houve nova elevação da projeção de inflação para 2028, de 3,65% para 3,68%, com o Focus traduzindo uma deterioração das expectativas já percebida nos preços dos ​ativos nas últimas semanas.

Com isso, a taxa básica Selic esperada para o fim de 2026 foi de 13,50% para 13,75% e para o encerramento de 2027 ‌passou de 11,50% para 12,00%. Atualmente a Selic está ⁠em 14,50% ao ano.

O diferencial de juros entre Brasil e outros países -- como EUA e Japão, cujas taxas estão em níveis bem menores -- vinha sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais ⁠baixos ante o real nos últimos meses.

No fim da manhã, o Banco Central vendeu 60.000 ⁠contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1º de julho.

No ⁠exterior, às 17h11 o índice ⁠do ​dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,17%, a 99,687.

(Edição de Isabel Versiani e Pedro Fonseca)

Reuters

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