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Dólar sobe a R$5,0894 após nova pesquisa eleitoral e antes de decisões sobre juros

Dólar sobe a R$5,0894 após nova pesquisa eleitoral e antes de decisões sobre juros

Reuters

16/06/2026

Placeholder - loading - Pessoa manuseia notas de dólar dos EUA, 24 de março de 2026. REUTERS/Dado Ruvic
Pessoa manuseia notas de dólar dos EUA, 24 de março de 2026. REUTERS/Dado Ruvic

Atualizada em  16/06/2026

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 16 Jun (Reuters) - O dólar fechou ​a terça-feira em alta ante o real, ainda que no exterior a moeda norte-americana tenha cedido ante outras divisas de países emergentes, com investidores à espera das decisões sobre juros no Brasil e nos EUA e repercutindo nova pesquisa eleitoral CNT/MDA.

O dólar à vista fechou o dia com alta de 0,45%, aos R$5,0894. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 7,28% ante o real.

Às 17h03, o dólar futuro para julho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 0,56% na B3, aos R$5,1040.

O acordo preliminar assinado por Estados Unidos e Irã na segunda-feira seguiu permeando os negócios nesta terça-feira, mas não foi suficiente para segurar o dólar no território negativo no Brasil.

“A tendência de alta (para o dólar) está sendo percebida desde ontem por ⁠aqui. O mercado está ⁠confiante nos anúncios de paz, mas está com ​o pé ‌atrás. Este deve ter sido o décimo anúncio do (presidente dos EUA, Donald) Trump a respeito de um acordo”, ponderou Nicolas Gomes, especialista de câmbio da Manchester Investimentos.

O viés de alta para a moeda norte-americana foi reforçado no fim da manhã, após divulgação de pesquisa mostrando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu vantagem de ⁠12,5 pontos sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma simulação de segundo turno da eleição presidencial ​de outubro. Lula tem 49,3% das intenções de voto, ao passo que Flávio soma 36,8%, conforme pesquisa do instituto ​MDA, contratado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT).

No levantamento anterior, de abril, o ‌atual presidente tinha 44,9%, ante ​40,2% do ⁠filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ainda que a campanha eleitoral não tenha começado oficialmente, os mercados no Brasil têm reagido negativamente a algumas pesquisas que indicam chances maiores de Lula vencer a eleição. Por trás disso está a leitura de uma parcela dos agentes ​de que o controle fiscal seria mais frouxo em um novo governo Lula.

Assim, após marcar a cotação mínima intradia de R$5,0478 (-0,37%) às 9h00, na abertura da sessão, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,1043 (+0,74%) às 11h41, após a divulgação da pesquisa eleitoral.

O avanço da moeda norte-americana no Brasil ocorreu a despeito de no exterior o dólar ter sustentado perdas ​ante divisas emergentes como o peso colombiano e o peso chileno. Às 17h13, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes – também estava em baixa, de 0,09%, aos 99,568.

Nesta terça-feira, investidores também se prepararam para a decisão de política monetária do Federal Reserve, na quarta-feira à tarde, e do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, no início da noite.

Enquanto a expectativa no caso do Fed é de manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75%, os agentes estão divididos em relação ao Copom, entre novo corte de 25 pontos-base da Selic ​ou manutenção da taxa em 14,50%.

No caso do Fed, mais do que a decisão em si, as atenções estarão voltadas para ‌a primeira entrevista coletiva do novo chair da instituição, ⁠Kevin Warsh.

“Temos (na curva norte-americana) precificação de aumento de juros nos EUA (até o fim do ano), mas todo mundo está apreensivo para entender qual será o direcionamento que Warsh vai passar nesta reunião”, ponderou Gomes.

O diferencial de juros entre Brasil e ⁠outros países -- como EUA e Japão, cujas taxas estão em níveis bem menores -- ⁠vinha sendo apontado como um dos fatores para atração de ⁠investimentos ao país, o ⁠que ​conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses.

(Por Fabrício de Castro; edição de Isabel Versiani)

Reuters

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