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Dólar avança sob influência do exterior e após Flávio Bolsonaro admitir visita a Vorcaro

Dólar avança sob influência do exterior e após Flávio Bolsonaro admitir visita a Vorcaro

Reuters

19/05/2026

Placeholder - loading - Pessoa exibe notas de dólar americano após sacar dinheiro em um banco em Harare, Zimbábue, 9 de julho de 2019. REUTERS/Philimon Bulawayo
Pessoa exibe notas de dólar americano após sacar dinheiro em um banco em Harare, Zimbábue, 9 de julho de 2019. REUTERS/Philimon Bulawayo

Atualizada em  19/05/2026

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 19 Mai (Reuters) - O dólar fechou a terça-feira ​novamente em alta e próximo dos R$5,05, impulsionado pelo avanço da moeda norte-americana no exterior e pelo cenário político brasileiro, após nova pesquisa eleitoral mostrar queda do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida presidencial.

Em novo episódio do escândalo do banco Master, Flávio Bolsonaro confirmou no início da tarde que se reuniu com o ex-dono da instituição, Daniel Vorcaro, em 2025, após o banqueiro ter sido preso pela primeira vez.

O dólar à vista fechou em alta de 0,86%, aos R$5,0416. No ano, a divisa passou a acumular queda de 8,15% ante o real.

Às 17h04, o dólar futuro para junho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 1,01% na B3, aos R$5,0580.

A sessão foi marcada pelo avanço do dólar em todo o mundo, influenciado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, mesmo depois que o presidente norte-americano, Donald Trump, adiou um ataque militar planejado para esta terça-feira.

Trump afirmou que há “uma ⁠chance muito boa” de um ⁠acordo com o país na área nuclear, mas nesta ​terça-feira disse que ‌os EUA podem precisar atacar o Irã novamente.

Neste cenário, o dólar subia ante o real, o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano, entre outras divisas de países emergentes.

O avanço no Brasil foi amplificado novamente pelo cenário político. Uma nova pesquisa Atlas/Bloomberg apontou pela manhã que as intenções de voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno da disputa pelo Planalto subiram ⁠de 46,6% para 47%, enquanto o percentual de Flávio Bolsonaro caiu de 39,7% para 34,3%. Nas simulações de ​segundo turno, Lula avançou de 47,8% para 48,9%, enquanto o senador caiu de 47,8% para 41,8%.

A queda de Flávio Bolsonaro ocorre na ​esteira da publicação de reportagem do Intercept Brasil informando que o senador pediu R$134 ‌milhões a Vorcaro para financiar um ​filme sobre ⁠a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado.

O parlamentar negou ter cometido qualquer irregularidade, alegando ter buscado recursos privados para o filme sem oferecer qualquer vantagem em troca.

A pesquisa Atlas ouviu 5.032 pessoas entre os dias 13 e 18 de maio. A primeira ​reportagem sobre a relação entre Flávio e Vorcaro foi publicada pelo Intercept Brasil na tarde do dia 13. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos.

No início da tarde desta terça-feira, Flávio admitiu que se reuniu pessoalmente com Vorcaro em São Paulo, após o banqueiro ter tido sua primeira prisão preventiva substituída pelo uso de tornozeleira, no final de 2025.

Em sua justificativa, o presidenciável afirmou que, desde maio ​do ano passado, Vorcaro deixou de honrar os compromissos que havia assumido para financiar o filme sobre o pai. Segundo Flávio Bolsonaro, o encontro com o banqueiro teve como objetivo colocar um 'ponto final' nas tratativas e buscar novos financiadores.

Às 12h15, o dólar à vista atingiu a cotação máxima intradia de R$5,0588 (+1,20%), enquanto Flávio Bolsonaro confirmava, em Brasília, ter se encontrado com Vorcaro.

“Dentro do Brasil, (temos) mais um ‘Flávio Day’ que está impactando bastante”, comentou durante a tarde Alexandre Viotto, head de banking da EQI Investimentos, ao justificar o avanço do dólar ante o real.

De acordo com Viotto, o mercado esteve “entorpecido” nos últimos meses com a possibilidade de vitória de uma candidatura mais à direita em outubro, o que em tese poderia significar uma mudança ​de postura do governo na área fiscal.

No entanto, o envolvimento de Flávio com Vorcaro alterou o humor dos investidores.

'Quando surgem notícias que fortalecem a perspectiva de ‌reeleição do presidente Lula, há um aumento na percepção de ⁠riscos fiscais para os ativos brasileiros e, consequentemente, uma maior exigência de prêmios de risco pelos investidores, movimento que tende a pressionar negativamente a moeda brasileira', disse pela manhã Leonel de Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da Stonex, em comentário escrito.

A avaliação no mercado é de ⁠que Flávio Bolsonaro está na defensiva, “esperando acontecer um fato para se mexer”, pontuou Viotto. “Ele está ‘atrás ⁠da curva’. Isso é um problema, porque o mercado fica sem saber ⁠para onde correr.”

No fim da ⁠manhã, ​sem efeito sobre as cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de junho.

(Edição de Isabel Versiani)

Reuters

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