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Dólar tem alta firme antes de feriado no Brasil em dia de tensão no Oriente Médio

Dólar tem alta firme antes de feriado no Brasil em dia de tensão no Oriente Médio

Reuters

03/06/2026

Placeholder - loading - Notas de real brasileiro e de dólar americano, 18 de dezembro de 2024. REUTERS/Amanda Perobelli
Notas de real brasileiro e de dólar americano, 18 de dezembro de 2024. REUTERS/Amanda Perobelli

Atualizada em  03/06/2026

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 3 Jun (Reuters) - ​O dólar fechou a quarta-feira pré-feriado em alta firme ante o real, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior após novos ataques de EUA e Irã no Oriente Médio.

Entre as moedas negociadas globalmente, o real foi a que teve pior desempenho, com as cotações refletindo também a busca pela segurança do dólar antes do feriado de Corpus Christi e o mal-estar com a nova ameaça tarifária ao Brasil.

O dólar à vista encerrou com alta de 1,12%, aos R$5,0661. No ano, passou a acumular baixa de 7,70% ante o ⁠real.

Às 17h05, ⁠o dólar futuro para julho -- atualmente ​o mais ‌líquido no mercado brasileiro -- subia 1,12% na B3, aos R$5,0975.

Os EUA dispararam um míssil na terça-feira contra um navio-tanque que se dirigia ao Irã, enquanto as forças iranianas lançaram dois mísseis contra o Kuweit e três contra o Barein, que não ⁠atingiram seus alvos, conforme fontes norte-americanas.

As dúvidas sobre um possível acordo entre ​Irã e EUA deram força ao dólar ante quase todas as demais divisas, incluindo ​pares do real como o peso chileno, o ‌rand sul-africano e a ​rupia indiana.

No ⁠Brasil, as cotações aceleraram à tarde em meio ao noticiário sobre as tarifas comerciais. Após o Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) defender uma cobrança de 25% sobre várias exportações brasileiras, ​o órgão propôs uma tarifa adicional de 10% ou 12,5% sobre vários países, incluindo o Brasil, por falhas no combate ao trabalho forçado. No caso brasileiro, a tarifa seria de 12,5%.

Ainda que as tarifas ainda precisem de aprovação, a percepção mais geral entre os ​agentes foi negativa, poucos dias depois de os EUA também designarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Após marcar a cotação mínima de R$5,0119 (+0,04%) às 9h03, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,0917 (+1,63%) às 15h38, com os investidores se posicionando antes do feriado de quinta-feira, quando o mercado brasileiro estará fechado.

Durante a sessão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar o anúncio de tarifas, após ter ​lançado na véspera uma ofensiva para colar na família Bolsonaro a culpa pela deterioração das relações ‌entre Brasil e EUA.

O senador Flávio ⁠Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por golpe de Estado, é atualmente visto como o principal adversário de Lula na disputa pelo Planalto. Os anúncios sobre as organizações ⁠criminosas e sobre as novas tarifas ocorreram após encontro ⁠recente de Flávio com Trump, em Washington.

À tarde, ⁠o Banco Central ⁠informou ​que o Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$743 milhões em maio.

(Edição de Isabel Versiani)

Reuters

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