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Dólar sobe mais de 1% no Brasil em novo dia de busca global por segurança

Dólar sobe mais de 1% no Brasil em novo dia de busca global por segurança

Reuters

05/03/2026

Placeholder - loading - Pessoa conta notas de dólares 16/05/2016 REUTERS/Kham
Pessoa conta notas de dólares 16/05/2016 REUTERS/Kham

Atualizada em  05/03/2026

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 5 Mar (Reuters) - Depois de ter ​encerrado a sessão da véspera em baixa, o dólar fechou a quinta-feira em alta firme no Brasil, superior a 1%, acompanhando o avanço da moeda no exterior, com investidores voltando a buscar a segurança da divisa norte-americana em meio à guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã.

O dólar à vista fechou com alta de 1,33%, aos R$5,2879. No ano, a divisa acumula agora queda de 3,66%.

Às 17h02, o dólar futuro para abril -- o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 1,01% na B3, aos R$5,3230.

Na quarta-feira, em uma sessão de alívio para os ativos de risco, o dólar à vista havia recuado, mas nesta quinta-feira a moeda voltou a subir ante quase todas as demais divisas, ⁠em meio à ⁠guerra no Oriente Médio.

Mísseis iranianos levaram milhões de ​israelenses a ‌correrem para abrigos antiaéreos, enquanto Israel lançou uma grande onda de ataques a Teerã. Em outra frente, mais navios-tanque foram atacados nas águas do Golfo pelo Irã, e drones iranianos entraram no Azerbaijão.

Em entrevista à Reuters, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que aceitará a assistência de qualquer país no conflito ⁠contra o Irã -- incluindo a Ucrânia, hoje em guerra com a Rússia.

Sem uma perspectiva para ​o fim da guerra, o dólar subiu ante moedas de países emergentes como o peso chileno, o ​rand sul-africano, o peso mexicano e o real.

O petróleo também voltou ‌a registrar ganhos fortes, com ​o Brent ⁠negociado em Londres sendo cotado acima dos US$85 o barril.

“Vimos ontem uma despressurizada na moeda norte-americana, e eu até achei que iria cair mais, mas não adianta -- quando tem cenário extremo de guerra, o dólar sobe”, comentou durante a tarde ​Thiago Avallone, especialista em câmbio da Manchester Investimentos.

Após marcar a cotação mínima de R$5,2280 (+0,18%) às 12h04, o dólar à vista acelerou para a máxima de R$5,2944 (+1,46%) às 16h55, já perto do fechamento, em meio ao avanço firme também no exterior.

'No momento, com base nas notícias conhecidas, não é possível prever quanto tempo este conflito irá durar e/ou ​se vai escalar. Assim, R$5,20 ou menos, com base nas recomendações passadas, é nível interessante para termos proteção, principalmente para aqueles que estão mais expostos, menos comprados', disse em uma análise enviada a clientes pela manhã o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, em recomendação para importadores.

'Ainda é cedo para afirmar que o pior já passou... Dólar acima de R$5,30-R$5,34 tende a estressar, é preciso ter esta ponderação', acrescentou, na recomendação para exportadores.No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de abril.

Durante ​evento do Goldman Sachs, em São Paulo, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, afirmou que a ‌instituição tem feito rolagens menores de swaps que ⁠estão para vencer para não atrapalhar a formação de preços no mercado de câmbio.

'Percebemos ano passado que parecia que estávamos atrapalhando ao fazer a rolagem de swaps', disse.

No vencimento mais recente, de 2 de março, dos 750.000 ⁠contratos que estavam para vencer, o BC rolou apenas 725.000 contratos. Os ⁠25.000 contratos da diferença, equivalentes a US$1,25 bilhão, venceram ⁠normalmente.

No exterior, às 17h07 o ⁠índice ​do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,49%, a 99,286.

Reuters

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